Comportamento

Os desafios de um relacionamento entre a mulher mais velha e o homem mais novo

Mas, porque isso acontece? Por que a sociedade é intolerante quando uma mulher mais velha namora com um homem mais novo?

Marcos Eduardo Carvalho
29/10/2021 às 08:18.
Atualizado em 01/11/2021 às 13:55
Fátima Bernardes e Túlio Gadêlha (Divulgação)

Fátima Bernardes e Túlio Gadêlha (Divulgação)

“Acho que as mulheres que têm relacionamentos com homens muito mais novos é quase um massacre mesmo”, disse a jornalista Fátima Bernardes, de 59 anos, que namora o deputado federal Túlio Gadêlha, de 33, 26 anos mais novo.

Mas, porque isso acontece? Por que a sociedade é intolerante quando uma mulher mais velha namora com um homem mais novo?

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“Padrões de repetição”, define a psicóloga e sexóloga Cris Borges, de São José dos Campos. “Culturalmente temos matrizes que nos ensinam e tendemos a seguir o que ‘vemos’ nas gerações passadas”, disse.

“Mesmo em relações homossexuais, ou em relações onde o homem é mais velho, especialmente quando a diferença de idade é maior que 10, 20 anos, as crenças e julgamentos fazem parte do que é socialmente esperado e protocolado”, afirmou a especialista.

Segundo ela, todas as relações são possíveis independente de sexo, raça, idade, cultura. “Claro que as diferenças são sempre desafios. Uma dica para que a relação se fortaleça é não se importar com o olhar dos outros e saber que a resposta está no relacionamento, que fundamentalmente deve ter como pilares o amor, o respeitos e combinados singulares para cada casal ou trisal”, disse Cris.

Segundo ela, toda relação pode prosperar. “Ser humano é subjetivo, singular, e mesmo com inúmeras pesquisas provando que uma situação por ventura possa ser mais favorável estatisticamente, cada relação tem total autonomia de prosperar, se os parceiros tiverem em comum o cuidado e a manutenção dos ônus e bônus daquela escolha”, ressalta.

PADRÃO SOCIAL.

A também psicóloga e sexóloga Rosana Pena, de São José, ressalta que o preconceito está muito relacionado ao padrão social daquilo que é mais comumente encontrado e esperado, segundo uma lógica patriarcal e machista.

“Assim, as mulheres mais velhas são vistas como golpistas ou vulgares, como se, estando com um homem mais jovem, quisessem se exibir ou parecer adolescentes. E este preconceito, muitas vezes, revela a inveja da felicidade dos outros. Se ocorre o contrário, o preconceito também acontece”, disse.

“Mas parece que o julgamento recai mais, novamente, sobre a mulher - estaria interessada no dinheiro, posição social do homem. E é um tipo de relação que também foge de um padrão esperado pela sociedade. Os julgadores já têm certeza que, tanto uma quanto outra forma de relação, está fadada ao fracasso”, afirmou.

Segundo ela, é possível, sim, uma relação dar certo entre uma mulher mais velha e um homem mais novo.

“É possível sim. Tem estudos que mostram isto, como o da Antropóloga Mirian Goldenberg (1988). Depende da maturidade de cada um e não da idade, necessariamente. Não vejo uma dica específica; como disse, dependerá muito das vivências e nível de maturidade de cada um. De qualquer forma, o diálogo é sempre um ótimo aliado”, disse.

“Segundo a própria pesquisa de Mirian Goldenberg, relações em que homens mais velhos estão com mulheres mais jovens são mais comumente encontrados e mais aceitos. Mas, relacionamentos em que os homens são mais jovens e as mulheres mais velhas, é um casamento mais equilibrado e feliz, se comparados à outros relacionamentos”, afirmou.

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