Cultura

Filme sobre artista joseense será exibido no Festival de Cannes neste domingo

A história de Marcos Santos será exibida durante mostra do festival francês

Thais Perez
20/05/2022 às 19:00.
Atualizado em 21/05/2022 às 01:02
Marcos pinta com pé esquerdo (Divulgação)

Marcos pinta com pé esquerdo (Divulgação)

O documentário "Muros da Vida", produzido em São José dos Campos, vai ser exibido em uma mostra do Festival de Cannes, na França, neste final de semana. O filme será exibido em uma mostra de filmes que tem exclusivamente como tema pessoas com deficiência, que acontece neste domingo (22).

"Muros da Vida", do diretor Zoran Djordjevic, tem como personagem principal o artista Marcos Santos, que pinta com o pé esquerdo. Ele nasceu com paralisia cerebral, que prejudicou parcialmente sua fala e o movimento das mãos.

Zoran conheceu Marcos ainda nos anos 1990, quando trabalhava Fundação Cultural Cassiano Ricardo, e já naquele tempo, começou a filmá-lo.

O sérvio/iugoslavo Zoran Djordjevic vive em Caraguatatuba e criou um hábito de acompanhar a vida de Marcos através dos anos. "Quando o conheci, queria gravar o material e já lançar. Só que não foi possível, por conta dos recursos", conta Zoran. Perfeccionista, ele esperou o momento certo para divulgar o trabalho de uma vida.

O filme já participou de 35 festivais e mostras de cinema no Brasil e no exterior. Contudo, o documentário de 15 minutos ainda não é o filme completo. Zoran tem centena de horas gravadas sobre a vida de Marcos, que seram reunidos em um longa-metragem. "Eu o filmava todos os anos, pelo menos duas vezes. Acompanhei ele a conseguir sua casa própria, se tornar professor e ter filhos", disse o diretor. "Eu sei, é difícil mudar o mundo, mas eu posso começar pela minha rua", diz Marcos. Essa é a força motor do curta, que mostra como Marcos ensina crianças de seu bairro a pintar nos muros, transformando vidas em pinceladas que demonstram o desejo de Marcos de retribuir o que recebeu de outras pessoas.

Marcos Santos nasceu em 1971 na periferia de São José dos Campos, no meio de uma família de 12 irmãos. Durante o parto lhe faltou oxigênio e nasceu com paralisia cerebral, deixando-o com consequências permanentes. Desde pequeno, Marcos aprendeu a se comunicar através de desenhos. Começou desenhando com um pedaço de carvão que achou na rua. Nesse momento, com 8 anos, foi como se Marcos tivesse nascido de novo. Apesar de todo o preconceito que sofreu, por ser PCD e por ser negro, Marcos nunca reclama de nada e só agradece.

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