Comportamento

A monogamia está com os dias contados?

Para sexólogas consultadas por OVALE, é difícil generalizar sobre o fim da monogamia, mas é possível dizer que há uma flexibilização

Marcos Eduardo Carvalho
25/11/2021 às 13:13.
Atualizado em 28/11/2021 às 10:16
Monogamia (Divulgação)

Monogamia (Divulgação)

A monogamia está com os dias contados? Muitas pessoas fazem esse tipo de pergunta, ainda mais em tempos em que a liberdade sexual é cada vez maior. Em São José dos Campos, por exemplo, Ricardo Sattelmayer e Aline Sattelmayer, lutadores de MMA, juntos há 11 anos, formam há sete um trisal com Bianca Sattelmayer. E de forma totalmente harmoniosa.

Para sexólogas consultadas por OVALE, é difícil generalizar sobre o fim da monogamia, mas é possível dizer que há uma flexibilização.

“Acho complicado generalizar. Mas tem existido um movimento e uma abertura um pouco maior para o conhecimento do poliamor, mesmo que teórica ou virtualmente, desde a década de 70. A vivência do poliamor e de relações abertas tem sido cada vez mais pesquisada e discutida”, diz a psicóloga e sexóloga Rosana Pena, de São José.

A também sexóloga Cris Borges reforça a tendência. “Estudos do comportamento humano sugerem uma tendência à relações menos duradouras e opções mais flexíveis como o amor livre, casamento aberto, trisal, casal com combinações exclusivas e singulares”, afirma.

Para Rosana, uma relação a três, por exemplo, é possível. “Segundo pesquisas, sim. Desde que haja consenso e muita conversa. Tudo indica que o que deteriora as relações, sejam elas monogâmicas ou poligâmicas, é a mentira e a traição. Desde que ambos concordem e desejem mais alguém na relação, ok”, ressalta.

Sobre o motivo de alguém buscar uma terceira pessoa ou uma relação passageira, Rosana entende que também existem vários fatores.

“Aqui também não dá para generalizar mas podemos pesar em alguns fatores que podem levar a esta busca: a própria mudança humana e social. O amor, ao longo das eras, foi construído com base em ideais românticos, no patriarcado e na heteronormatividade e monogamia. Com o tempo a sociedade, as pessoas passam a questionar isso tudo. Porque o ser humano vai sempre buscando novas formas de relação para estar mais feliz. Ou seja, vai procurando novas maneiras de encontrar a felicidade ou de realizar-se da forma mais plena possível”, disse.

“Pode ser que haja também uma busca defensiva - dificuldade de vinculação e busca por várias pessoas ao mesmo tempo. Mas isso é diferente do Poliamor. Penso que a principal razão seja a insatisfação com padrões impostos que não estão deixando estas pessoas felizes”, disse.

SAUDÁVEL.

Para Cris Borges, um trisal pode perfeitamente conviver em harmonia durante um relacionamento. “Atendo alguns trisais que são exemplos de relacionamentos saudáveis, harmônicos e bem sucedidos. Como em qualquer relacionamento, existem questões e arestas a aparar, o que é facilmente resolvido com maturidade emocional e responsabilidade afetiva”, disse.

Segundo ela, não escolhemos o que sentimos, só escolhemos o que fazemos com os nossos sentimentos.

“Se sentir atraído por uma ou por algumas pessoas, amar um ou uns… é natural, humano é muito suscetível… A privação desse sentimento ou a vivência disso às escondidas não é saudável. A verdade sobre o que nos move e a escolha de um lugar para o que desejamos é o melhor caminho para todos”, finaliza.

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