Reconhecimento

OMS faz homenagem póstuma a mulher negra que teve células retiradas de seu corpo sem consentimento

Durante a premiação o diretor-geral da organização reconheceu o erro e fez discurso como forma de homenagem

Maria Luiza Machado
14/10/2021 às 15:26.
Atualizado em 14/10/2021 às 15:26
Henrietta faleceu aos 31 anos devido a câncer de colo de útero (Lacks Family via The Henrietta Lacks Foundation/AP)

Henrietta faleceu aos 31 anos devido a câncer de colo de útero (Lacks Family via The Henrietta Lacks Foundation/AP)

A OMS (Organização Mundial da Saúde) homenageou, de forma póstuma, nesta quarta-feira (13), Henrietta Lacks com o Prêmio do Diretor-Geral da OMS. A organização reconheceu sua contribuição, legado e as injúrias raciais cometidas em nome da ciência não apenas contra Henrietta, mas contra todas as pessoas negras, no passado.

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Lacks faleceu em 1951, aos 31 anos, devido a um câncer de colo de útero. Ao procurar atendimento médico, a moça teve suas células cancerígenas retiradas para biópsia sem seu consentimento. Elas acabaram possibilitando grandes avanços na ciência.

“Ao homenagear Henrietta Lacks, a OMS reconhece a importância de levar em conta as injustiças científicas do passado e promover a igualdade racial na saúde e na ciência”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

“É também uma oportunidade de reconhecer mulheres – especialmente mulheres negras – que fizeram contribuições incríveis, mas muitas vezes invisíveis, para a ciência médica", completou.

Segundo comunicado de imprensa da OMS, a comunidade científica chegou a esconder a cor da pele Lacks e sua história real, "um erro histórico que o reconhecimento de hoje busca reparar".

Ao entregar o prêmio, Tedros seu um discurso sobre a situação. "O que aconteceu com Henrietta foi errado por pelo menos três razões. Um: ela viveu em uma época em que a discriminação racial era legal em sua sociedade. A discriminação racial pode não ser mais legal na maioria dos países, mas ainda é generalizada em muitos países. Dois: Henrietta Lacks foi explorada. Ela é uma das muitas mulheres negras cujos corpos foram mal utilizados pela ciência. Ela confiou no sistema de saúde para que pudesse receber tratamento. Mas o sistema roubou algo dela sem seu conhecimento ou consentimento. Três: as tecnologias médicas que foram desenvolvidas a partir dessa injustiça foram usadas para perpetuar mais injustiças, porque não foram compartilhadas de forma equitativa em todo o mundo. As células de Henrietta foram fundamentais no desenvolvimento de vacinas de HPV que podem eliminar o mesmo câncer que tirou sua vida. Mas em países com maior incidência de câncer cervical, essas vacinas não estão disponíveis em doses suficientes", concluiu.

O prêmio foi recebido no escritório da OMS em Genebra por Lawrence Lacks, filho de Henrietta, que estava acompanhado de vários netos, bisnetos e membros da família da mãe.

“Estamos comovidos ao receber este reconhecimento histórico de minha mãe, Henrietta Lacks – honrando quem ela era como uma mulher notável e o impacto duradouro de suas células HeLa. As contribuições de minha mãe, antes ocultas, agora estão sendo honradas com razão por seu impacto global”, disse.

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