Violência

Jovens são maioria nos índices de violência contra mulher, aponta Fórum de Segurança Pública

Maiores índices de violência foram verificados entre mulheres de 16 a 24 anos

Thais Perez
31/05/2022 às 18:34.
Atualizado em 01/06/2022 às 00:00
1 em cada 4 mulheres de 16 anos ou mais foi vítima de algum tipo de violência nos últimos 12 meses no Brasil (Agência brasil)

1 em cada 4 mulheres de 16 anos ou mais foi vítima de algum tipo de violência nos últimos 12 meses no Brasil (Agência brasil)

Na última semana, diversos casos de violência contra a mulher foram amplamente divulgados. Um fator em comum entre eles é a idade das mulheres que foram alvo das agressões. Mulheres jovens, que foram agredidas ou mortas pelos seus companheiros.

Em 2021, 17 milhões de mulheres foram vítimas de violência no Brasil, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Dessas, 35,2% foram jovens entre 16 e 24 anos. A faixa etária de 25 a 34 anos, 28,6% das mulheres sofreram algum tipo de violência.

A pesquisa também mostra que a vitimização por assédio sexual está intimamente relacionado à idade, quanto mais jovens, maior a prevalência. Em média, 3 em cada 4 jovens de 16 a 24 anos sofreu algum tipo de assédio sexual no último ano.

Neste mês, uma jovem de 19 anos foi morta a tiros em Pindamonhangaba. Ela havia acabado de sair da escola e estava entrando no carro de seu pai, quando acabou sendo assassinada na frente do mesmo. O principal suspeito é o ex-namorado da vítima. Segundo informações obtidas pela Polícia Civil, a jovem havia terminado um relacionamento há pouco tempo e, supostamente, o ex-namorado não aceitava o fim da relação.

Tayane Caldas, 18 anos, teve o rosto tatuado pelo ex-namorado, contra quem tinha uma medida protetiva no último dia 20, em Taubaté. Tayane acusa Gabriel Coelho de mantê-la em cárcere privado e a agredir, forçando-a a fazer a tatuagem com o nome do ex. O caso está sendo investigado pela polícia civil.

Nesta segunda-feira (30), Maria Victoria Hasegawa de 24 anos foi agredida pelo companheiro em Taubaté. O caso aconteceu no bairro Estiva e o agressor foi preso em flagrante com ajuda da Guarda Municipal. Os golpes de Rafael, que é empresário em Taubaté, deixaram Maria Victoria com o nariz, um osso da bochecha e a mandíbula quebrados. Ela ainda passará por avaliação médica para saber se precisará fazer uma cirurgia plástica para ter o rosto de antes. Uma ex-namorada de Rafael já tinha uma medida protetiva contra ele.

Os índices registrados pela pesquisa também são ligados a maior denúncia por parte das mais jovens dos crimes cometidos contra si. De acordo com o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os mais jovens tem mais noção do que se trata de violência e denúncia já nas primeiras ocorrências. Contudo, a prevenção desses crimes ainda é um desafio.

"Eu vejo que não estamos avançando na prevenção desses crimes, apesar de termos uma ampla divulgação dos casos, eles continuam acontecendo", afirma Gabriela Manssur, promotora de Justiça especializada em casos de violência contra mulher.

De acordo com ela, a sociedade deve estar atenta aos sinais demonstrados para que uma relação não culmine em uma agressão. "Um crime não acontece de um dia para o outro, há sinai demonstrados e devemos ficar atentas", afirma ela. Outro problema enfrentado por as mulheres que sofrem violência, principalmente as jovens, é o julgamento social que sofrem ao terem seus casos divulgados.

"A sociedade tem que olhar para uma mulher que pediu ajuda e não para seu comportamento. Não se deve haver o julgamento social", completa a promotora.

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