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Casos de violência envolvendo moradores de rua evidenciam importância de ações de acolhimento

Eric Souza
29/10/2021 às 19:26.
Atualizado em 30/10/2021 às 02:04

O ano de 2021 vem sendo violento para os moradores de rua de São José dos Campos. Somente nos últimos meses, foram registrados quatro crimes semelhantes envolvendo a população nessa situação -- tendo um deles terminado em homicídio.

Os episódios, que envolvem esfaqueamento e ateamento de fogo, caracterizam o grau da violência a que se expõem aqueles que vivem nas vias públicas da cidade atualmente.

“Tem cara que briga por causa de um corote [bebida] ... Até mesmo chegar ao ponto de matar por causa de uma droga ou por causa de uma manta”, afirma Bruno, de 38 anos, que vive nas ruas de São José há dois anos.

A fala de Bruno retrata a dura realidade e reforça os dados estatísticos do anuário de homicídios da Polícia Civil de São José dos Campos com base no ano de 2020. As estatísticas mostram que os homicídios em via pública representam 72,97% do total. Além disso, o anuário informa que os conflitos interpessoais e os conflitos impulsionados pelo tráfico de entorpecentes são os que mais levam situações de violência que podem acabar em homicídio.

Esses dados servem como uma lupa que facilita o escaneamento da dinâmica social da cidade para que, em seguida, seja definidas as propostas de combate a violência. Nesse sentido, a psicologia, em conjunto, também pode contribuir nesse processo.

Especialista na área, a psicóloga policial Simone de Luca Dal Toe afirma que um ambiente precário onde há grande exposição a violência, ao uso de drogas e a conflitos frequentes é um preditor para o desenvolvimento de um transtorno mental ou comportamental que podem conduzir a atos de violência.

AÇÕES.

Diante desse cenário de aumento de violência nas ruas é ressaltada a importância dos serviços públicos de apoio social como forma de resolução estrutural, e não conjuntural, do problema.

Em São José, o serviço de acolhimento possui cinco abrigos pela cidade interligados com os demais equipamentos que compõem a rede de apoio do município, além de um departamento dedicado à construção de políticas públicas para o enfrentamento da questão da droga, exemplos são o serviço do Caps AD (Centro de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas) e o Sama (Serviço Ambulatorial Especializado no Tratamento da Dependência Química em Mulheres e Adolescentes).

O morador de rua Bruno afirma já ter tido experiência com o serviço social de apoio na cidade.  “Já usei. É uma opção, mas tem suas falhas também. O atendimento para a quantidade de moradores de rua em São José, talvez eles não consigam suprir a necessidade... Muitas pessoas fica na rua quando, porque não tem vaga. Fica super carregado, não consegue ajudar ainda mais”.

Sobre a capacidade de atendimento da demanda atual, a Secretária de Apoio ao Cidadão de São José dos Campos afirmou que  “possui ferramentas próprias de coleta de dados socioassistencial que nos ajudam a planejar as políticas públicas e executar os serviços assistenciais para essa população em situação de rua”. No entanto, não foram informados dados atualizados – a última pesquisa foi feita pela prefeitura em 2019 e mostrava um aumento significativo na população de rua de 2016 a 2018 na cidade.

A pasta afirmou também que “A Prefeitura de São José dos Campos e entidades parceiras têm capacidade de acolher a todos que queiram ser acolhidos.”

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