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Brasil concentra mais de 57 mil refugiados, apenas entre os reconhecidos oficialmente

Isabela Sardinha e Mayra Ribeiro
01/04/2022 às 16:13.
Atualizado em 02/04/2022 às 00:18

Com o violento conflito entre Rússia e Ucrânia, o cenário da política internacional tem voltado seus olhos à pauta dos refugiados mais uma vez:  fugindo da violência, ucranianos procuram em vários pontos do mapa a oportunidade de começar uma nova vida. Infelizmente, porém, o drama dos refugiados atinge também outras nacionalidades.

O Brasil, conhecido por seu povo receptivo, tem sido visto como uma boa opção para quem busca recomeçar: ao final de 2020, havia um total de 57.099 pessoas refugiadas reconhecidas pelo país. 

A questão, porém, é se o Brasil — em termos de políticas públicas e, também, no comportamento da população — está preparado para não só receber, mas também atender às necessidades dos refugiados de todo o mundo que chegam em solo brasileiro em busca de uma nova chance.

A recepção dessas pessoas ocorre todos os anos, muito embora a demanda sofra variações conforme o cenário político muda: 2019 foi o ano em que o país recebeu o maior número de pedidos de refúgio desde o início da série histórica, em 2011, com 82.905. Os anos seguintes tiveram queda drástica, caindo para 28.899 em 2020 e 29.484 em 2021.

De acordo com o Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), a pandemia da Covid-19 ajuda a explicar os dados. “Não há como dissociar a variação negativa observada entre os anos de 2019 e 2020 do contexto de maiores restrições à circulação de pessoas e controle de fronteiras, a partir do mês de março de 2020, quando medidas de restrições à entrada de estrangeiros no país foram tomadas”, destacou documento oficial do órgão.

A nacionalidade com o maior número de refugiados no país, entre os anos de 2011 e 2020, é venezuelana (46.412), disparadamente, por conta das fronteiras com o país sul-americano -- não a toa, o estado de Roraima concentra o maior volume de solicitações de refúgio (60%), seguido por Amazonas (10%) e São Paulo (9%).

DADOS.

A guerra na Ucrânia deve provocar mudanças nos números de 2022, especialmente nos pedidos de refúgio. Cerca de 4 milhões de pessoas que antes viviam no país europeu encontram-se em situação de refúgio, sendo que, até agora, quase mil foram recebidas no Brasil. Esses números representam só os pedidos oficiais, e outras situações dentro da pauta tornam os dados menos exatos. 

Viver em um país com características culturais e geográficas tão diferentes dos territórios europeus, especialmente da Ucrânia, pode ser um grande desafio para os novos residentes do Brasil. Mas, apesar de tristes casos de xenofobia em todo o mundo, a recepção positiva aos refugiados e estrangeiros no geral é maior: pesquisa do Instituto Ipsos em 26 países, incluindo no Brasil, apontou que 53% dos entrevistados discordariam sobre o fechamento de fronteiras. 

 “Os refugiados buscam o Brasil porque sofrem perseguições e buscam uma vida digna. Certamente isso não será retirado deles em território brasileiro. Qualquer preconceito é inaceitável”, opinou Amanda Guimarães, advogada especializada em Relações Internacionais. 

“De fato temos muitas barreiras a superar -- preconceito, adaptação, inclusão social --, mas receber refugiados vai muito além de preparo, porque a necessidade está agora e iremos nos adaptar ao que for necessário para garantir os preceitos constitucionais aos refugiados, explicou Amanda, que possui um namorado ucraniano. Eles organizam, juntos, um projeto de arrecadação monetária em apoio à Ucrânia.

“Fomos percebendo as diferenças culturais e de comportamento. As atitudes e reações para algumas coisas foram muito diferentes. Algumas coisas foram legais, aí nós ficamos absorvendo, para outras foi necessária adaptação”, disse o namorado de Amanda, ucraniano Igor Kolesnikov..

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