Investigação

Rachadinha: Veja as provas reunidas por ex-assessores do gabinete de Leticia

Material, que foi encaminhado ao Ministério Público, inclui conversas gravadas em vídeo e em áudio e também trocas de mensagens pelo WhatsApp

Julio Codazzi
15/10/2021 às 22:23.
Atualizado em 15/10/2021 às 23:20
Reprodução de vídeo gravado por assessor de Leticia Aguiar, em conversa com Carlos Alberto Fávaro, 'número 3' do gabinete (Reprodução)

Reprodução de vídeo gravado por assessor de Leticia Aguiar, em conversa com Carlos Alberto Fávaro, 'número 3' do gabinete (Reprodução)

Conversas gravadas em vídeo e em áudio e também trocas de mensagens pelo WhatsApp.

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Essas são as provas reunidas por ex-assessores e entregues ao Ministério Público que reforçam a suspeita da existência de um esquema de rachadinha no gabinete da deputada estadual Leticia Aguiar (PSL).

Confira, abaixo, todo o material:

1) O primeiro é um vídeo gravado no escritório regional da deputada, em São José dos Campos, no dia 21 de fevereiro de 2021, 11 dias após o Ministério Público instaurar inquérito para apurar o caso.

O vídeo foi gravado por J.P., um assessor que havia ingressado no gabinete em janeiro. Ele recebia salário bruto de R$ 5.236,43 – o líquido era de R$ 4.110,58, além de vale-alimentação (R$ 631 depositados com o salário) e vale-refeição (um cartão com R$ 1.048).

No vídeo, ele conversa com o assessor especial parlamentar Carlos Alberto Fávaro, que é o terceiro na hierarquia do gabinete. No diálogo, J.P. diz que o chefe de gabinete, Anderson Senna, havia combinado que o funcionário poderia ficar com R$ 2.000 do salário líquido e com os dois benefícios – ou seja, ele repassaria R$ 2.110,58 ao chefe de gabinete. No mês seguinte, Senna teria mudado o cálculo e dito que os R$ 2.000 a que o assessor teria direito já incluíam o valor do vale-alimentação. Fávaro diz a J.P. que sabia da divisão do salário.

2) O segundo material, também gravado por J.P., é uma conversa por telefone em que Senna – segundo o relato – combinaria de passar no escritório para receber o dinheiro. “Hoje tô aí, mais tarde, depois do almoço tô aí, e a gente faz aquele fechamento”, diz o chefe de gabinete.

3) O terceiro material foi extraído de gravações feitas por J.P. de conversas com outras duas assessoras que, assim como ele, tinham que devolver parte do dinheiro que recebiam. Esses diálogos ocorreram no escritório regional da deputada, em São José.

4) Outra prova consiste em mensagens que teriam sido trocadas pelo WhatsApp entre a assessora M.A. e Fávaro entre outubro e novembro de 2020 – a servidora havia sido nomeada para o gabinete em agosto daquele ano.

Em outubro, segundo as mensagens, M.A. pediu os dados bancários da conta de Fávaro e depois transferiu R$ 3.280 para o assessor especial, enviando o comprovante em seguida.

Em novembro, Fávaro diz que “Senna não gostou” que o dinheiro fosse transferido diretamente à conta e ainda afirma que poderia levar M.A. ao banco para que ela fizesse o saque. “Não diga nada a ninguém”, alerta. Na conversa, Fávaro pede que M.A. leve o dinheiro para o escritório no dia seguinte. “Amanhã me entregue aqui”.

Troca de mensagens pelo WhatsApp entre assessora da deputada Leticia Aguiar e Carlos Alberto Fávaro, 'número 3' do gabinete (Reprodução/WhatsApp)

Troca de mensagens pelo WhatsApp entre assessora da deputada Leticia Aguiar e Carlos Alberto Fávaro, 'número 3' do gabinete (Reprodução/WhatsApp)

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