Investigação

Outro lado: Leticia, Fávaro e Senna chamam de 'montagens' as provas de suposta rachadinha

Material reunido por ex-assessores reforça suspeita de irregularidade em gabinete da deputada estadual, que é alvo de investigação do MP; parlamentar diz que denúncia tem motivação política

Julio Codazzi
15/10/2021 às 22:33.
Atualizado em 15/10/2021 às 23:22
Leticia Aguiar, Carlos Alberto Fávaro e Anderson Senna (Divulgação)

Leticia Aguiar, Carlos Alberto Fávaro e Anderson Senna (Divulgação)

Questionada pela reportagem sobre as provas reunidas por ex-assessores e entregues ao Ministério Público, que reforçaram a suspeita da existência de um esquema de rachadinha no gabinete, a deputada estadual Leticia Aguiar (PSL) alegou que as denúncias têm motivação política. “Às vésperas das eleições de 2022, infelizmente é comum o surgimento de pessoas de conduta duvidosa que se aproximam com a finalidade de obtenção de alguma vantagem e de ganhar espaço político através da mídia e das redes sociais. Usam de calúnia e difamação para tentar manchar o trabalho sério que realizamos”.

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Sem citar diretamente as provas reunidas pelos ex-assessores, Leticia pediu que seus eleitores “saibam identificar as montagens, trucagens”.  “Denunciação caluniosa é crime, e justiça será feita. Ninguém vai me parar ou tirar a credibilidade do meu trabalho”, disse.

“Não tenho absolutamente nada a esconder e todas as informações estão sendo prestadas ao Ministério Público. Meu mandato é transparente e quanto a contratação ou substituição de assessores, todo procedimento é público e segue todas as exigências da lei”, concluiu a parlamentar.

Indagado sobre o material enviado ao MP, o chefe de gabinete, Anderson Senna, alegou que “são informações infundadas e montagens falsas ou distorcidas, criadas pela oposição devido à aproximação das eleições do ano que vem, tentando de todas as formas macular a nossa imagem e a credibilidade do nosso trabalho”.

Senna argumentou ainda que sempre se pautou “pela ética, transparência e retidão”. “Nunca compartilhei de ilegalidades”, afirmou, dizendo que a denúncia feita ao MP em 2020 foi uma “perseguição política devido à minha candidatura ao pleito municipal”. “Todas as informações necessárias já foram devidamente prestadas ao Ministério Público”, completou.

O assessor especial parlamentar Carlos Alberto Fávaro, que é o terceiro na hierarquia do gabinete, negou ter mantido as conversas registradas pelos ex-assessores. “Eu não conversei disso. O vídeo está distorcido”, disse. “Está na mão da Justiça, e a Justiça já está tomando providências. Ambos já estão sendo processados”. Apesar da declaração de Fávaro, a reportagem não localizou nenhum processo contra os ex-servidores em busca feita no sistema do Tribunal de Justiça.

A Assembleia Legislativa informou ao jornal que, “por enquanto”, não recebeu nenhuma intimação do MP sobre o inquérito que apura irregularidades no gabinete de Leticia. A Alesp afirmou ainda que “cada parlamentar é responsável pelo controle [de frequência] de seus assessores”.

TRAJETÓRIA.

Leticia Aguiar e Anderson Senna começaram a ganhar notoriedade na política em 2015 e 2016, quando lideravam grupos de direita que organizavam atos contra o governo Dilma Rousseff (PT) na região.

Em 2016, pelo PSC, Leticia foi candidata a vereadora, mas não foi eleita. O partido apoiou a candidatura de Felicio Ramuth (PSDB) ao Paço. Com a vitória do tucano, Leticia e Senna atuaram como assessores na Prefeitura de dezembro de 2017 a março de 2018.

Em 2018, já pelo PSL, Leticia foi eleita deputada estadual com 60 mil votos, impulsionada pela onda que alçou Jair Bolsonaro (à época no PSL) à presidência – ela se apresentava como “filha adotiva” de Bolsonaro. Hoje, embora publicamente ainda tente colar sua imagem em Bolsonaro, nos bastidores Leticia faz parte da ala do PSL que é contrária ao presidente – ela chegou a ser alvo de críticas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) e de antigos apoiadores.

Senna disputou a Prefeitura de São José em 2020 e ficou em quinto lugar, com 15 mil votos.

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