Prefeitura

Caso seja candidato ao governo, Felicio terá que renunciar ao Paço até 2 de abril

Nesse caso, o vice-prefeito, Anderson Farias, que também trocou o PSDB pelo PSD, concluiria os 33 meses restantes de mandato

Julio Codazzi
21/01/2022 às 22:10.
Atualizado em 22/01/2022 às 13:23
O prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (Claudio Vieira/PMSJC)

O prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (Claudio Vieira/PMSJC)

Nas entrevistas sobre sua saída do PSDB, o prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth, agora no PSD, ainda desconversa sobre uma possível candidatura ao cargo de governador de São Paulo. Mas, longe das câmeras e dos microfones, o ex-tucano não esconde que seu foco já está no Palácio dos Bandeirantes.

Foi assim, por exemplo, na reunião do diretório municipal do PSDB na última segunda-feira (17), quando comunicou sua saída do partido. Na ocasião, Felicio falou abertamente aos até então correligionários que a mudança de legenda estava atrelada a uma candidatura ao governo estadual.

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A insatisfação de Felicio com o PSDB já era conhecida por todos – até mesmo porque o prefeito já tinha dado entrevistas sobre isso em 2021 e, desde o início da pandemia, ainda em 2020, teve uma série de atritos com o governador João Doria (PSDB), devido às medidas de restrição da quarentena.

Para parte das lideranças tucanas de São José, no entanto, a saída de Felicio seria abortada, já que o plano A do prefeito havia ido por água abaixo – a ideia inicial era migrar para outra legenda e ser candidato a vice-governador em uma chapa encabeçada por Geraldo Alckmin, que se filiaria ao PSD; o ex-governador, porém, deve concorrer ao Palácio do Planalto pelo PSB, como vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quando permanecer no PSDB havia voltado a ser uma possibilidade, o PSD surgiu no horizonte de Felicio com uma sondagem feita no fim de 2021, logo após o Natal. As conversas evoluíram rapidamente e, três semanas depois, a troca de partidos foi concluída.

CANDIDATURA.

O anúncio de que Felicio deixaria o PSDB para buscar a candidatura pelo PSD ao governo estadual dividiu os tucanos em São José. “O timing da saída do Felicio era agora, não tinha o que fazer”, disse, sob a condição de anonimato, uma liderança que concordou com o movimento do prefeito. “Ele [Felicio] sabe que a chance de ser eleito [governador] é pequena, mas não pode perder essa oportunidade. O PSDB estadual não deu valor adequado ao Emanuel [Fernandes] e ao [Eduardo] Cury. E o Felicio tem, agora, a possibilidade de avançar”, concluiu.

Apesar desse relato, OVALE apurou que os dois ex-prefeitos citados, Emanuel e Cury, entendem que Felicio deveria ter continuado no PSDB e concluir o mandato como prefeito, para somente depois definir seu futuro no partido – caso seja mesmo candidato a governador, ele terá que renunciar ao cargo até 2 de abril, seis meses antes da eleição; nesse caso, o vice-prefeito Anderson Farias, que também trocou o PSDB pelo PSD, comandaria a Prefeitura até dezembro de 2024.

Cury, aliás, chegou a divulgar uma dura nota em que disse ter recebido com “surpresa e tristeza” a saída de Felicio do partido, afirmando que administrar a cidade é “muito mais importante que qualquer projeto eleitoral”.

Uma sondagem feita pelo PSDB de São José logo após o anúncio da saída de Felicio apontou que o estrago eleitoral pode ser grande. Cerca de 25% dos eleitores do município seriam contrários ao que entendem ser um abandono do mandato. Entre os que avaliam a administração do ex-tucano como ótima ou boa, esse índice subiria para 60%.

VINGANÇA.

A ideia do PSD de lançar um candidato ao governo de São Paulo nasceu de uma tentativa de ‘vingança dupla’. O plano A do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, era o nome do ex-governador Geraldo Alckmin.

Kassab é desafeto do vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), que será o candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes. Já para Alckmin interessava dificultar o projeto do governador João Doria (PSDB) de emplacar Garcia como seu sucessor.

Com Alckmin candidato, o PSD teria o favoritismo na disputa. Com outro nome, não. Mesmo assim, o partido entende que há espaço para disputar parte do eleitorado que, no primeiro turno, não deve votar nem em postulantes de esquerda e nem no nome indicado por Doria, já que o governador tem alto índice de rejeição.

Kassab também aposta no descontentamento de prefeitos paulistas que simpatizavam com o ‘PSDB de Alckmin’, mas não com o comando do grupo de Doria.

OPÇÕES.

O prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth, não é o único nome cogitado pelo PSD para a disputa do governo estadual. Pelo menos outras três opções foram ventiladas recentemente: Paulo Serra (prefeito de Santo André), Duarte Nogueira (prefeito de Ribeirão Preto) e Paulo Alexandre Barbosa (ex-prefeito de Santos).

Todos têm o mesmo perfil: prefeitos eleitos pelo PSDB que, nas prévias tucanas para a presidência, em 2021, fizeram campanha pelo governador gaúcho, Eduardo Leite, contra o governador paulista, João Doria.

Dos nomes citados, Felicio saiu na frente ao aceitar de pronto o convite de Gilberto Kassab e trocar o PSDB pelo PSD.

Com um desses nomes, o PSD espera disputar pelo menos 20% do eleitorado, costurar alianças com ao menos 120 prefeitos de municípios paulistas e fortalecer seu objetivo principal nessa eleição, que é a composição de bancadas grandes no Legislativo.

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