Cidades

Falso médico que atuou no Vale queria dinheiro para estudar na Argentina

Homem atuou como socorrista na Dutra e amputou perna de homem

16/04/2022 às 11:05.
Atualizado em 16/04/2022 às 11:05
Gerson Lavisio, 32, afirmou que atuou como falso médico para obter recursos e estudar na Argentina (Reprodução)

Gerson Lavisio, 32, afirmou que atuou como falso médico para obter recursos e estudar na Argentina (Reprodução)

Gerson Lavisio, homem que foi detido na Rodovia Dutra por atuar como médico sem ter registro e diploma, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo, que gostaria de estudar medicina em Argentina e por isso trabalhava para juntar o dinheiro para tornar o sonho possível.

Lavisio foi preso em Pindamonhangaba, enquanto trabalhava como médico socorrista para a concessionária CCR RioSP, após ser contratado por uma terceirizada, Enseg. Ele foi preso após ordenar a amputação da perna de um homem que sofreu um acidente na cidade de Lavrinhas.

De acordo com o golpista, seu objetivo era juntar dinheiro para poder estudar medicina na Argentina. Ele conta que já tentou passar em vestibulares do curso no Brasil, mas não conseguiu ser aceito em nenhuma universidade. "Desde 2014 eu fui tentando passar, mas não passei. Eu fiz isso [fingir ser médico] para ir para a Argentina, porque é meu objetivo me formar, buscar essa carreira médica. E sim, eu afirmo, o que eu fiz foi errado. Eu atendi em Parelheiros, na CCR [concessionária] e na cidade de Votorantim [no interior paulista]", afirmou.

Lavisio está solto, alvo de processo por utilizar o CRM de um médico com o mesmo dono. "O médico dono do CRM tem o mesmo nome que eu. Realmente eu usei o perfil dele, mas sabendo que o perfil dele tinha foto e não iria bater com o meu. Eu tinha planos de usar o documento dele para só estender aquele dia de plantão e ir embora", afirmou.

A empresa Enseg disse que "procedeu ao imediato afastamento do profissional investigado por exercício ilegal da medicina e está cooperando com as autoridades competentes para o completo esclarecimento dos fatos". Já a CCR afirma que "as apurações e as investigações estão sendo feitas pelos órgãos competentes e nós apoiamos todas elas".

À Folha, ele negou a acusação e disse que nem ordenou a amputação nem teve qualquer ligação com o procedimento, que foi feito no hospital de Lorena. "Eu dei plantão numa base tranquila, mas parece que, quando eu fiquei lá, tudo aconteceu para mim. No dia da ocorrência, falaram que eu tinha amputado a perna. Eu não amputei. A perna já estava totalmente fora do local. A função nossa ali foi manter o paciente lúcido e orientado. Eu não fiz nada, não cortei a perna de ninguém."

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