Exportações

Com queda na exportação de aviões, São José perde protagonismo na balança comercial da RMVale

Em 2022, o petróleo domina a pauta exportadora da região com 60,93% do total; aeronaves têm 9% e veículos, 5,75%

Xandu Alves
20/05/2022 às 23:21.
Atualizado em 22/05/2022 às 00:08
Embraer (Divulgação)

Embraer (Divulgação)

Voando baixo.

Nos três anos e cinco meses do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), com crise econômica, pandemia do coronavírus e instabilidade política, a cidade de São José dos Campos perdeu protagonismo na balança comercial da região.

A exportação de aeronaves caiu nesse período ao passo que a de petróleo bruto cresceu, modificando o perfil da balança da região de uma preferência a produtos de maior valor agregado, com liderança dos aviões, para commodities como óleos e combustíveis minerais.

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De acordo com dados do Ministério da Economia, São José dos Campos é a principal exportadora de aeronaves do país, em razão de sediar a Embraer e sua planta de aviação comercial, responsável pela maior fatia das vendas ao exterior.

O maior município do Vale do Paraíba é responsável por 56% do total de aeronaves exportadas no país no primeiro quadrimestre de 2022. A cidade exportou US$ 345 milhões de um total de US$ 615,9 milhões vendidos em aeronaves pelo Brasil.

O percentual vem caindo desde 2018, antes da chegada de Bolsonaro ao poder. Naquela ocasião, o Brasil exportou US$ 3,97 bilhões em aeronaves e São José dos Campos foi responsável por 72,63% desse montante, com US$ 2,88 bilhões.

Há 10 anos, em 2012, o país vendia US$ 5,21 bilhões em aeronaves ao exterior e São José detinha nada menos do que 89,64% dessa fatia, exportando US$ 4,67 bilhões.

Ou seja, em 10 anos, o percentual de participação de São José no comércio exterior brasileiro de aeronaves caiu 37%.

O mesmo efeito de perda de protagonismo tem ocorrido na balança comercial da RMVale, que tem reduzido a participação das aeronaves e aumentado a de petróleo bruto, com ascensão das cidades do Litoral Norte, Ilhabela e São Sebastião.

Em 2012, a região exportou um total de US$ 8,75 bilhões, sendo que a venda de aeronaves por São José representava 53% desse total, com US$ 4,67 bilhões. A exportação de petróleo, naquele ano, representou 2,86% da totalidade, com US$ 250,3 milhões.

Dez anos depois, a situação está completamente invertida. Do total de US$ 3,86 bilhões exportados pela RMVale no primeiro quadrimestre deste ano, a participação do petróleo bruto subiu para 60,93%, com US$ 2,35 bilhões, enquanto que a exportação de aviões por São José caiu para 8,93% do Vale, um montante de US$ 345 milhões.

PRODUTOS

O período marcado pelo governo Bolsonaro tem se notabilizado por um aumento substancial na venda de produtos de baixo estágio de industrialização, como commodities, em detrimento da queda na exportação de itens de maior valor agregado, como aeronaves e veículos.

No período de 2019 a 2021, a exportação de petróleo bruto (combustíveis e óleos minerais) acumulou US$ 13,4 bilhões na RMVale contra US$ 10,3 bilhões nos três anos anteriores (2016-2018), um aumento de 29%.

No mesmo intervalo de comparação, as aeronaves tiveram uma redução de 36% no volume exportado, com US$ 6,66 bilhões contra US$ 10,4 bilhões.

A exportação de veículos caiu ainda mais: 45,7%, com US$ 1,96 bilhão vendidos durante o governo Bolsonaro ante US$ 3,61 bilhões no período anterior.

Isso fez com que as aeronaves perdessem participação no total do comércio exterior da região. Entre 2016 e 2018, a venda de aeronaves ao exterior representava 33% do total da balança comercial do Vale. O percentual caiu para 23% no governo Bolsonaro.

Os veículos também perderam participação e foram de 11,52% no total das exportações antes do governo Bolsonaro para 6,9% nos últimos três anos.

No entanto, a exportação de petróleo bruto deu um salto de 33,15% da participação para 47,73% no governo Bolsonaro.

Ou seja, a venda do material com pouca industrialização superou a exportação das aeronaves da Embraer, consideradas de grande valor agregado e de maior custo.

O resultado fez com que o total das exportações tivesse uma redução de 10% no governo Bolsonaro. A região vendeu US$ 24 bilhões de 2019 a 2021 contra US$ 26,5 bilhões nos três anos anteriores.

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