Igreja

Santuário Nacional torna-se bastião de defesa da democracia e de crítica ao autoritarismo

Sermões de dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, nas festas da Padroeira do Brasil no Santuário Nacional, têm se tornado alvo de ataques em redes de apoio a Jair Bolsonaro

Xandu Alves
15/10/2021 às 17:49.
Atualizado em 16/10/2021 às 00:32
Santuário Nacional de Aparecida (Caíque Toledo / OVALE)

Santuário Nacional de Aparecida (Caíque Toledo / OVALE)

Santa democracia.

O Santuário Nacional de Aparecida tornou-se bastião de defesa da democracia e de crítica ao autoritarismo, ao ódio e ao populismo ao longo do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Clique e faça parte do nosso grupo no WhatsApp e receba matérias exclusivas. Fique bem informado! Clique AQUI

O maior símbolo dessa defesa da fé combinada à vida tem sido o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, que assumiu a arquidiocese no começo de 2017.

Desde então, o catarinense Brandes vem se destacando com sermões impactantes (e polêmicos) durante a festa da Padroeira do Brasil, em 12 de outubro, ápice da devoção a Nossa Senhora Aparecida no país.

Não foi diferente neste ano, primeira festa com público presencial após a pandemia do coronavírus. Lá estava Brandes e seu discurso pela democracia e contra a corrupção, o ódio, as fake news e as armas, o que o fez alvo de grupos bolsonaristas.

“Amar a Deus sem amar os irmãos, sem ter solidariedade com os marginalizados, estamos mutilando a metade do Evangelho”, disse Brandes.

Neste ano, a frase “a pátria para ser amada, não pode ser pátria armada” no sermão bastou para o arcebispo virar alvo de bolsonaristas. Ele foi chamado de comunista e excomungado.

No ano passado, com a Basílica sem público, Brandes disse no sermão que “temos que nos despir da idolatria, às vezes idolatrando pessoas autoritárias”. Falou ainda que é preciso “despir-se da arrogância, do armamento”.

“Na cintura, vamos usar a veste da verdade, não das fake news”, disse o arcebispo na ocasião. E completou: “Há dragões que querem acabar com a vida”.

Também foi atacado por grupos bolsonaristas.

POLÊMICA

A maior polêmica, contudo, deu-se em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro. Também na homilia da missa solene, Brandes criticou o “tradicionalismo” e disse que “a direita é violenta e injusta”.

Na época, ele falou para mais de 40 mil pessoas que lotavam a Basílica de Aparecida.

“Nas escrituras, o dragão é o diabo, o demônio, o mal que se organiza no mundo. Temos o dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta. Estamos fuzilando o papa, o sínodo, o Concílio Vaticano 2º, parece que não queremos vida”.

RESPOSTA

Em entrevista para a Jovem Pan, Bolsonaro afirmou que discorda do religioso e citou passagem bíblica que, segundo ele, defende armamento da população

Alvo do sermão do arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, que disse que para ser “pátria amada não pode ser pátria armada”, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse em entrevista para a Jovem Pan, na terça-feira (12), que discordava do religioso e citou passagem bíblica que, segundo ele, defende armamento da população

Bolsonaro, que participou de uma celebração no Santuário Nacional de Aparecida, minimizou o sermão do arcebispo: “Se eu me lembro, ele não falou nada lá dentro, só se eu comi mosca”.

Dom Orlando fez a homilia durante a celebração pela manhã, na missa solene. À tarde, ele presidiu a missa, da qual participou Bolsonaro, mas deixou o sermão a cargo de outro sacerdote.

O presidente, então, citou uma passagem bíblica que, na interpretação dele, defende o armamento da população.

“Eu quero citar uma passagem bíblica aqui: ‘Lucas 22:36: O que não tem espada, venda a sua capa e compre uma’. Então, a bíblia fala em arma. Essa passagem tem a ver com traições, quando Judas traiu Jesus. Tem arma na Bíblia”, disse Bolsonaro.

Siga OVALE nas redes sociais
Copyright © - 2021 - OVALETodos os direitos reservados. | Política de Privacidade
Desenvolvido por
Distribuido por