Atletismo

Morre em Taubaté o medalhista mundial de maratona Luiz Antônio dos Santos

Conhecido como o “maratonista de aço”, Santos teve uma parada cardíaca enquanto assistia televisão em casa

Da redação
06/11/2021 às 18:30.
Atualizado em 06/11/2021 às 18:30
Medalhas. Santos era bicampeão da Maratona de Chicago, ganhador do bronze no Mundial de Gotemburgo e 10º colocado na Olimpíada de Atlanta (Divulgação)

Medalhas. Santos era bicampeão da Maratona de Chicago, ganhador do bronze no Mundial de Gotemburgo e 10º colocado na Olimpíada de Atlanta (Divulgação)

Aos 57 anos, morreu em Taubaté na manhã deste sábado (6) Luiz Antônio dos Santos, bicampeão da Maratona de Chicago, ganhador do bronze no Mundial de Gotemburgo-1995, na Suécia, e 10º colocado na Olimpíada de Atlanta-1996. Ele era conhecido como o “maratonista de aço”.

Segundo a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), Santos teve uma parada cardíaca enquanto assistia televisão em sua casa. A entidade decretou luto oficial por três dias em homenagem ao grande campeão.

Santos era gestor da equipe Luasa Sports, que leva as siglas de seu nome, e agente de vários atletas estrangeiros, principalmente da África

Integrante do Programa Ídolos da Loterias Caixa e CBAt, o atleta teve uma parada cardíaca e foi levado para uma UPA de Taubaté, mas já chegou em óbito.

Os familiares ainda não decidiram detalhes do velório, mas já manifestaram o desejo de enterrá-lo na cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, onde nasceu em 6 de abril de 1964.

BIOGRAFIA

Santos começou a treinar na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e ganhou uma biografia escrita pelo professor Anselmo José Perez, chamada “O Maratonista de Aço: A História de um Atleta Brasileiro”, publicada em 2019.

Santos frequentava as competições oficiais da CBAt, quando não estava no Quênia, como dirigente da Luasa, um projeto de sucesso no Vale.

Quando menino, ele sonhava em ser jogador de futebol. Já adulto, em 1985, conheceu um atleta da equipe da cidade vizinha, Barra Mansa, e pediu para representar o time numa competição no Rio.

Não tinha dinheiro, mas caminhou 6 km até a rodoviária de Volta Redonda e pegou carona com a equipe de Barra Mansa para correr a Volta do Maracanã, de 10 km. Foi 16º, o melhor resultado do time.

COMPETIÇÃO

Três anos depois, em 1988, passou a se dedicar mais ao atletismo e a treinar com Henrique Viana. Era dedicado aos treinos, persistente nas provas e tinha uma chegada muito forte.

Entrou para a elite do fundo ao conquistar o bicampeonato da Maratona de Chicago, em 1993 e 1994. Ao optar por uma prova rápida em 1995, a Maratona de Boston, também nos Estados Unidos, ficou em terceiro lugar e entrou para o seleto grupo de sul-americanos a correr a distância em menos de 2h12.

Convocado a defender o Brasil no Mundial de Gotemburgo, na Suécia, Santos ganhou a medalha de bronze.

No mesmo ano de 1995, venceu a Maratona de São Paulo e bateu o recorde sul-americano de 2:09:55 pertencente a Osmiro Silva, desde 1991. Ganhou também a Maratona de Fukuoka, no Japão.

Apesar dos bons resultados, Santos sofria os efeitos da leucopenia, que provocava baixa imunidade e doenças oportunistas. Disputou os Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, nos Estados Unidos, e foi o 10º, até então a melhor colocação do Brasil na maratona numa Olimpíada.

Disputou mais um mundial e ficou com a quinta colocação em Atenas-1997, na Grécia. Na Copa do Mundo de Maratona, pela primeira vez disputada simultaneamente com o mundial, seu quinto lugar ajudou o Brasil a conquistar, junto com Vanderlei Cordeiro de Lima e Osmiro de Souza Silva, a medalha de bronze por equipes.

Em 1999, voltou a ganhar visibilidade ao vencer a Meia Maratona do Rio de Janeiro.

TREINADOR

Após encerrar a carreira, em 2005, Santos estudou para se tornar treinador e criou a Luasa. Além de trabalhar com atletas em todas as categorias, a equipe mantém um intercâmbio com fundistas africanos, especialmente do Quênia, que veem ao Brasil para treinar e disputar corridas de rua.

“O Luiz Antônio era um grande amigo, para mim uma referência no atletismo e no mundo das corridas de rua”, disse Wlamir Motta, presidente do Conselho de Administração da CBAt.

“Uma pessoa fantástica que superou várias dificuldades na vida e se tornou um dos grandes maratonistas do mundo e um grande treinador e gestor à frente da equipe Luasa. Meus profundos sentimentos. minhas homenagens e meu respeito para todos os seus familiares, atletas e amigos.”

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