Inovação

Mapa do futuro: o amanhã do Brasil passa por São José

Xandu AlvesPublicado em 28/07/2021 às 01:25Atualizado há 28/07/2021 às 01:28

O futuro do Brasil passa por São José dos Campos.

Foi assim na década de 1960, quando o país viu decolar o primeiro avião projetado e construído na cidade enquanto o Brasil não fabricava nem bicicleta.

O feito só ocorreu pela turma de pioneiros liderada por Ozires Silva, 90 anos, engenheiro aeronáutico, coronel da reserva da FAB (Força Aérea Brasileira) e um dos fundadores da Embraer.

E assim tem sido ao longo da história, com inúmeros exemplos de projetos inovadores nascidos em São José dos Campos.

Garantidora do processo democrático brasileiro há mais de duas décadas, a própria urna eletrônica atualmente colocada em xeque pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus seguidores têm estreita ligação com a cidade.

Em 1995, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) formou uma comissão técnica liderada por pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do então CTA (Centro Técnico Aeroespacial), ambos em São José dos Campos, para elaborar o projeto da urna eletrônica.

O equipamento foi usado pela primeira vez nas eleições de 1996, presente em mais de 50 municípios do país, abrangendo aproximadamente 32% do eleitorado. No ano 2000, o país todo votava por meio da máquina criada em São José.

Também é do Inpe a iniciativa de desenvolver satélites nacionais e mandá-los ao espaço, atividade que poucos países no mundo sabem desempenhar.

Não à toa, São José é citada como a capital aeroespacial do país, além de um dos principais centros de inovação e tecnologia em solo brasileiro, o que deveria encher a todos de orgulho.

Uma pessoa em especial faz questão de frisar isso.

“Sou suspeito para falar de São José dos Campos. Morei 10 anos na cidade, minha filha nasceu aqui e tenho uma conexão natural. Aqui é um polo que tem coisas muito interessantes”, disse o astronauta Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Ele admite que, no ministério, se espelha no que fez o marechal Casimiro Montenegro (1904-2000) em São José, quando criou o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e o atual DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), instituições que foram o embrião da Embraer.

“A ideia dele foi excelente e muito à frente do tempo, tanto que agora no Ministério da Ciência e Tecnologia estou copiando essa mesma ideia dele da criação de centros de tecnologia aplicada pelo país”, afirmou Pontes.

“Essa ideia de juntar a academia com institutos de pesquisa de uma área específica e somando a capacidade de trazer empresas, isso é o que a gente precisa no Brasil, mas não é fácil”, concluiu o ministro e astronauta.

Todo o DNA de tecnologia e inovação de São José é usado para que, diante da maior crise de sua história, a cidade dê a volta por cima e olhe novamente para seu futuro.

Na avaliação de Marcelo Nunes, novo diretor-geral do Parque Tecnológico São José dos Campos, o centro é o ‘coração’ dessa capacidade inovadora do município.

“São José é uma cidade altamente tecnológica e inovativa. Esse polo de atração nacional precisa de um local onde essas ideias frutifiquem e tenham uma sinergia com empresas e negócios, e a própria inovação”, afirmou.

“O Parque Tecnológico se posiciona como um grande distrito de inovação que abriga essas empresas, as universidades e dá respaldo às instituições que promovem esse crescimento da inovação dentro do país”.

Capital aeroespacial do Brasil e da América Latina, São José trilha agora o caminho da tecnologia mais avançada do país, segundo a avaliação de Nunes.

“A tendência agora é o crescimento do uso da tecnologia de informação. Desenvolvimento de softwares, novas tecnologias, inteligência artifical, internet das coisas. São José tem a tendência normal de ser um dos grandes centros de produção de softwares do país. Áreas como cidades inteligência, indústria 4.0 e saúde têm tendência de crescimento por meio de São José, irradiando sua tecnologia para o nosso país e também para o exterior”, completou o executivo.

Responsável por parte desse impulsionamento de São José ao futuro, o prefeito Felicio Ramuth (PSDB) garante que a cidade está “bem posicionada” porque estimula o “desenvolvimento e a capacitação das pessoas em atribuições de grande valor agregado”, além de ter uma “política estimulando a prestação de serviços, que será a área do futuro”.

A revolução tecnológica dos aplicativos e da economia criativa que transforma produtos como carros e casas em serviços terá, na avaliação de Felicio, um grande ‘boom’ na cidade.

“Cada vez as novas gerações querem usufruir e não necessariamente ter. Isso transforma e também estamos nessa linha, por isso as nossas contratações são de serviços, como o CSI [Centro de Segurança e Inteligência] e todas as outras contratações de porte que fizemos”.

Para Felicio, São José está “bem posicionada para que a nova dinâmica da economia contemple a cidade com seu grande volume de pesquisadores, doutores, mestres, inovação, tecnologia e muito trabalho para o cidadão”.

Mas para manter e atrair mentes criativas não basta a tecnologia. O prefeito de São José diz conhecer muito bem essa receita.

“Vemos as instituições de ensino se consolidando, como o ITA, a Faculdade de Medicina e outras, procurando fazer com que essas pessoas permaneçam na cidade e que a qualidade de vida possa atrair gente de fora”, disse Felicio.

Que acrescentou: “Cada vez podemos ver que se pode prestar serviço de qualquer lugar do mundo e queremos ser um celeiro de atração de pessoas que venham aqui buscar qualidade de vida, segurança”.

“Todos os nossos indicadores têm evoluído muito e temos muita energia de continuar investindo nos fatores de qualidade de vida, como meio ambiente, segurança, educação, saúde. Esse é o foco, o nosso caminho. É um plano da cidade, e não de um governo.”

  

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