Ataque de tubarão

Ataques de tubarão em Ubatuba: o que se sabe até agora e quais as orientações aos turistas

Os dois casos ocorridos no mês de novembro foram confirmados por pesquisadores, que alegam que o aumento de turistas e as mudanças climáticas podem ter influenciado animais

23/11/2021 às 11:19.
Atualizado em 23/11/2021 às 11:19
Tubarão Mangona presente no Aquário de Ubatuba (Foto: Divulgação/ Aquário de Ubatuba)

Tubarão Mangona presente no Aquário de Ubatuba (Foto: Divulgação/ Aquário de Ubatuba)

As duas confirmações de ataques de tubarões a turistas, neste mês de novembro, em Ubatuba, acenderam um alerta sobre a presença do animal nas praias do Litoral Norte e para o possível risco a banhistas. Apesar dos ataques serem confirmados por especialistas da Unesp e pesquisadores do Instituto Argonauta, a prefeita Flávia Pascoal (PL) negou os ataques, com receio de perder turistas.

Os pesquisadores tratam os casos como fenômenos raros – Ubatuba não registrava incidentes com tubarões há 32 anos – e o registro internacional de ataques de tubarões, mantido pelo Departamento de História Natural do Museu da Flórida, mostra que em 90 anos, somente 15 ataques foram registrados em São Paulo, incluindo os de Ubatuba.

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Das cerca de 380 espécies de tubarão no mundo, cerca de 80 foram identificadas no litoral brasileiro. Segundo pesquisadores, apenas 12 com registro de incidentes com humanos, sendo que geralmente os animais estão presentes nas águas mais profundas da costa. Porém, especialistas ressaltam que cuidados básicos podem evitar acidentes.

Casos

O primeiro ataque ocorreu no dia 3 de novembro, com um turista francês que nadava na Praia do Lamberto. O ataque foi confirmado pelo professor da UNESP (Universidade Estadual Paulista) Dr. Otto Bismarck Gadig, especialista em tubarões.

Os pesquisadores ainda não confirmaram qual espécie realizou o ataque, mas afirmaram que o fato de o turista estar nadando próximo a um cardume, com a água turva pós-chuva, potencializou o incidente.

Já o segundo ataque ocorreu no dia 14, com uma idosa de 79 anos que se banhava na Praia Grande. Os ferimentos de cerca de 25 cm nos membros inferiores foram confirmados pelos pesquisadores e os indícios apontam que foram causados por um tubarão-tigre ou um cabeça-chata, ambos presentes no Litoral Norte.

Cuidados

Segundo o oceanólogo e presidente do Instituto Argonauta, Hugo Gallo Neto, os casos ainda são considerados fenômenos e não um novo padrão, mas podem estar relacionados ao aumento de turistas e também as mudanças climáticas.

“Quando coincide um feriado, pós-pandemia, com um altíssimo número de pessoas na água, uma água que estava turva e até com uma temperatura um pouco mais fria do que o normal, isso pode aumentar a chance destes encontros”, disse.  

O pesquisador afirma que os tubarões são animais que precisam se aproximar de suas presas para reconhecê-las. Nos dois casos, os laudos apontaram que os animais confundiram as vítimas com alimentos, “uma vez que o animal não removeu /engoliu tecidos”.

Visando orientar os banhistas, o Instituto Argonauta elaborou uma cartilha de orientações que as pessoas devem ter ao frequentar o mar. O instituto também pede o registro correto dos casos pelas equipes de socorro.

Veja a cartilha de cuidados ao entrar no mar:

- Ficar sempre em grupo. Os tubarões normalmente atacam banhistas solitários;

- Não se afastar demasiadamente da praia, onde estará isolado e longe de assistência;

- Não avançar para águas muito profundas, não ultrapassando, de preferência, o ponto onde alcança pé;

- Evitar nadar de manhã cedo e ao final da tarde, quando os tubarões são mais ativos;

- Não entrar na água, se estiver sangrando de um ferimento;

- Não usar jóias brilhantes ao entrar na água;

- Não bater constantemente na água e evitar banhar-se com pequenos animais;

- Não nade em meio a cardumes de peixes ou onde as pessoas estão pescando;

- Evite nadar quando a água estiver muito turva;

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