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'NÃO DEPENDE SÓ DA MINHA CANETA', DIZ SAUD

Em entrevista sobre os 100 dias de governo, prefeito fala sobre as dificuldades para colocar em prática as promessas de campanha

Da redação@jornalovale
17/04/2021 às 02:00.
Atualizado em 24/07/2021 às 02:26
ASSISTA A rTV CÂMARA (Reprodução)

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O prefeito de Taubaté, José Saud (MDB), completou no dia 10 desse mês 100 dias de governo. Em entrevista ao jornal, o emedebista falou sobre a situação financeira do município, o enfrentamento da pandemia e promessas de campanha. Confira os principais trechos abaixo.

Antes de assumir, o senhor disse que a situação financeira da Prefeitura não estava 'nada bem'. Algo mudou?

Nós conseguimos recuperar. Não foi muito, porque com a pandemia você não consegue ter uma arrecadação adequada, mas nós melhoramos um pouco a arrecadação e conseguimos pagar algumas contas atrasadas. As dívidas que a gente tinha já estamos negociando quase que todas.

A promessa de economizar R$ 30 milhões nos primeiros 100 dias de governo foi cumprida?

Em janeiro e fevereiro de 2020 foi gasto R$ 121,5 milhões aqui. Janeiro e fevereiro de 2021, nós gastamos R$ 98,9 milhões. Então, nós tivemos uma menor despesa de R$ 22,5 milhões. Cortamos os carros, celulares, cargos que só fomos atribuindo mediante necessidade, 'n' coisas que nós fizemos dentro de um contexto. Aquela Flora Taubaté [contrato de jardinagem], por exemplo, demos uma segurada. Eventos, não fizemos também.

O senhor disse que pagaria tudo o que a Prefeitura deve para o IPMT. Quando isso será feito?

O problema todo são os quase R$ 90 milhões do que tinha atrasado [da gestão anterior]. Não se paga assim de uma hora para outra. Estamos vendo a melhor possibilidade: parcelar, trocar por algum terreno. Tudo isso está sendo discutido com o IPMT.

O senhor passou dos 100 dias de governo sem o secretariado completo. Quando fechará a equipe?

Dia 20 [de abril] eu nomeio pelo menos três. No Meio Ambiente deve ter uma bióloga, na Mobilidade deve subir o próprio diretor que está por lá, o Tiago [Oliveira Dias], e na Cultura eu queria fazer o que propus lá atrás, de ver se o Conselho [Municipal] coloca alguém para a pasta. Talvez nomeie o próprio presidente do conselho [Dimas de Oliveira], pois se foi escolhido por todos, é um bom nome.

Em março, mesmo com o aumento do número de casos de Covid-19, a Prefeitura entrou na Justiça para Taubaté avançar de fase no Plano São Paulo. Houve menosprezo ao alerta dos especialistas?

É uma questão de visão. Eu, por exemplo, sou a favor das empresas estarem abertas. Porque aí não tem aglomeração. Estou conseguindo segurar meus funcionários aqui, não estou liberando eles para ir para a praia, parques, praças. Eu enxergo dessa maneira. O que está errado é o governo [estadual] ingerir sobre o município.

Se a situação piorar ainda mais, a Prefeitura tem como ampliar a estrutura de saúde?

Há uma possibilidade de aumentarmos muitos leitos, fazendo uma parceria grande com as cidades de Campos [do Jordão], São Bento [do Sapucaí], Santo Antonio [do Pinhal]. Isso para nós faria toda a diferença, a gente sai dessa faixa crítica.

A promessa de zerar a fila de exames, consultas e cirurgias em até 180 dias vai ser cumprida?

Já está pronto o edital. O problema está no seguinte: algumas dessas filas não vamos conseguir contemplar enquanto estiver com o Covid desse jeito. Nós precisamos de leitos para fazer cirurgia, e não tem. Catarata dá para fazer. Exames de colonoscopia, endoscopia, dá para fazer. Dá para fazer exames de cardiologia. Tudo isso a gente vai diminuir. Vamos abrir o chamamento para as empresas interessadas participarem.

E a promessa de reduzir o ISS de 5% para 2%, e diminuir a taxa de iluminação?

Nem tudo a gente consegue fazer, não depende só da minha caneta. Depende dos secretários, e a gente cobra deles. O projeto precisa ser bem pautado, precisa ter argumento, não é um negócio simples da gente fazer. Tem que provar que isso realmente não vai trazer renúncia de receita. Já está sendo elaborado. Não deve demorar mais do que 30 dias para a gente estar com esse projeto inteiro na Câmara.

Um desafio do senhor era a retomada da economia, mas apenas esse ano tiveram os anúncios do fechamento da Ford e do fim da produção da LG. O que a Prefeitura pode fazer?

O governo estadual aumentar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) não foi fácil. Realmente complicou a vida de muitas empresas. A gente levou isso para o governador [João Doria, do PSDB], para vários secretários, mas disseram que não conseguem mexer nisso por enquanto. Isso é muito grave para nós como cidade. Nós tínhamos um investimento de uma malteria, de quase R$ 2 bilhões, e eles devem fazer no Paraná, por causa do ICMS alto [em São Paulo].

A Reforma Administrativa, que será proposta pelo governo, deve criar cargos?

A Secretaria de Educação tem um diretor só, não dá. Tem que ter mais diretores. No caso da Saúde também, que tem só um diretor e um gerente, não dá também. Precisa ter um para saúde básica, outro para hospitais. Cada secretário está mandando para a gente o que necessita, e estamos organizando. Desenvolvimento Econômico só tem um diretor e um gerente também, e temos que ter um do agronegócio, um do comércio, um de serviços, outro das indústrias. Não quer dizer que a gente vai contratar amanhã, mas tem que estar pronto isso e organizado para o futuro, para a gente entender que é necessário organizar a casa. A gente sabe que tem aquela lei do governo federal [que impede aumento de despesas com pessoal até o fim de 2021]. Nós vamos criar cargos e cortar outros.n

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O prefeito de Taubaté, José Saud (MDB) (Caique Toledo/OVALE)
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