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Recuo Pré-candidato à Prefeitura de Taubaté, Capitão Souza (PRTB) surpreendeu outros dois postulantes ao cargo – Chico Oiring (PSC) e Gabriel Pinelli (Avante) – ao encerrar de forma abrupta as conversas sobre a formação de uma ‘frente de direita’ para disputar o Palácio do Bom Conselho. Mudou de ideia As conversas, que tiveram início há algumas semanas, foram encerradas por Souza após o jornal noticiar as negociações na última terça-feira (11). Primeira versão Ao ser procurado pelo jornal na segunda-feira (10), Souza havia reconhecido tanto as conversas com os outros partidos quanto a possibilidade de uma eventual coligação. “Tivemos sim uma conversa, mas não está nada definido. Por ora, caminhamos sozinhos”, disse o pré-candidato naquele dia. Segunda versão Na terça-feira, após a publicação da reportagem, Souza divulgou uma nota para negar a própria declaração dada no dia anterior. Na nota, disse que não existia nenhuma “possibilidade de acordo a ser firmado para a escolha dos possíveis candidatos a prefeito ou vice, na suposta frente”. Indignação A divulgação da nota causou contrariedade nos pré-candidatos do Avante e do PSC, já que, para eles, Souza ainda não havia manifestado interesse de encerrar as conversas. Pelo contrário, o entendimento era de que a negociação estava avançada. Soberba Para Chico Oiring, houve “soberba” por parte de Souza. “Ele está se sentindo um Bolsonaro de Taubaté”. Agressivo “Nós, do Avante, não entendemos a nota que ele publicou. O tempo inteiro fomos extremamente cordiais, respeitosos, e tentando construir um diálogo. Eles encerraram o diálogo. Eu e o Avante, a gente segue conversando com o PSC, que também tem um posicionamento de direita”, afirmou Gabriel Pinelli. “Avante e PSC têm seguido firme nessa posição mais direita conservadora, a gente segue conversando bastante. O capitão se fechou, foi agressivo, não sei o porquê”, completou.
Audiência Com votação decisiva da base aliada ao governo Ortiz Junior (PSDB), a Câmara de Taubaté rejeitou na sessão de terça-feira (11) um requerimento em que a vereadora Loreny (Cidadania) pedia a realização de uma audiência pública para debater a aplicação da Lei Aldir Blanc no município. Requerimento No requerimento, Loreny pedia que a audiência fosse realizada no próximo dia 19. Com a rejeição pelo plenário, o evento não será realizado. Desconhecimento Durante a discussão do requerimento, alguns vereadores da base aliada, como Nunes Coelho (Republicanos) e Gorete Toledo (DEM) manifestaram desconhecimento sobre o tema – a lei federal estabeleceu um auxílio emergencial para artistas, além de disponibilizar verba para espaços culturais. Reação “Eu gosto muito de fazer educação política, mas não vou ensinar vereador a fazer o trabalho dele”, disse Loreny após o requerimento ser rejeitado, fazendo referência aos colegas que afirmaram desconhecer o teor do texto. “Não consigo imaginar qual a justificativa da maioria dos vereadores de votar contrário”, completou. Setor Segundo Loreny, a realização da audiência pública havia sido solicitada por pessoas ligadas ao setor cultural. “Não consigo imaginar motivo nenhum para negar audiência pública. Que pena, perdem os artistas da cidade”. Manobra Líder do governo na Câmara, o vereador Douglas Carbonne (DEM) disse que Loreny havia pedido a audiência como uma forma de travar a aprovação do projeto de Ortiz que altera as regras do FMC (Fundo Municipal de Cultura). Projeto “A audiência pública pedida pela vereadora Loreny nada mais é, como oposição, para impedir a aprovação desse projeto [do FMC]”, disse Carbonne. “O mais importante a aprovar é o Fundo. É o Fundo que vai fazer a transferência para os artistas”, completou. Não pode Já o vereador Dentinho (PSL) alegou que a audiência pública solicitada por Loreny não poderia ser realizada por causa da pandemia de coronavírus. “Não está liberada nenhuma audiência pública nessa Casa. Colocou o requerimento da audiência para fazer palanque”.
CPI Após o vereador Digão (PP) anunciar na sessão de terça-feira (11) que pediria a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar suposto superfaturamento dos kits de alimentação entregues pelo governo Ortiz Junior (PSDB) para alunos da rede municipal de Taubaté, a base aliada ao prefeito fez uma manobra às pressas. Requerimento 1 Digão protocolou às 17h14 o requerimento para pedir a abertura da CPI dos Kits. “Os valores, de cada item, que foram contratados, empenhados, liquidados e que seriam pagos após as entregas, é assustador e estarrecedor, levando em consideração os preços de cada um deles, praticados no varejo de nossa cidade. Ficando claro a todo cidadão/trabalhador que paga regularmente o seu imposto o superfaturamento dos itens”, alegou o vereador no texto. Os kits, que custaram R$ 2,457 milhões, foram adquiridos pela Prefeitura, com recursos do governo federal. Requerimento 2 Às 17h40, apenas 26 minutos depois, o vereador Dentinho (PSL) protocolou um requerimento para pedir a abertura de uma CPI para apurar a aplicação, por parte da Prefeitura, dos recursos recebidos da União e do Estado para o enfrentamento da pandemia do coronavírus. Regimento Com base no regimento interno da Câmara, a manobra da base governista visa impedir a abertura da CPI pedida por Digão. Embora o vereador do PP tenha protocolado o pedido de CPI minutos antes, o requerimento dele tinha apenas uma assinatura (dele mesmo), o que fará com que o pedido seja submetido ao plenário na próxima sessão. Já o requerimento de Dentinho já está automaticamente aprovado, já que tem oito assinaturas: além de Dentinho, assinaram Jessé Silva (PL), Douglas Carbonne (DEM), Vivi da Rádio (Republicanos), Boanerge dos Santos (PTB), Gorete Toledo (DEM), Bobi (PSDB) e Guará Filho (PSDB). Blindagem Pelo regimento interno, apenas três CPIs podem funcionar ao mesmo tempo. Com a manobra, a base governista impedirá a abertura da comissão solicitada por Digão.
Dinheiro público Apontado pela Promotoria como "líder e mentor" de um "esquema de desvio de dinheiro público", o vereador Guará Filho (PSDB), que desde o segundo semestre de 2019 se autodeclarava pré-candidato a prefeito de Taubaté, tinha como sua principal bandeira a promessa de que não usaria dinheiro público na campanha ao Palácio do Bom Conselho. Inadmissível "O que não dá para aceitar é dinheiro da população brasileira, que carece de investimento, ser gasto com marqueteiro, com bandeira, com panfleto, isso é inadmissível", disse Guará na tribuna da Câmara em setembro de 2019 (veja o vídeo). "Não dá para usar dinheiro público para fazer campanha política", completou o vereador na ocasião. Posicionamento Em outubro, ele voltou a defender essa bandeira na tribuna. "Esse é um posicionamento meu. Em 2016 já não usei, como vereador, e em 2020 - todo mundo sabe aqui que sou pré-candidato a prefeito, a convite do prefeito Ortiz Junior - não vamos usar um centavo do dinheiro público", afirmou (veja o vídeo). Provocação Na ocasião, ainda fez uma "provocação" aos demais pré-candidatos ao Bom Conselho: "eu quero ver presidentes de partidos e pré-candidatos se posicionarem também junto com essa bandeira. Quero ver se manifestarem e dizer: 'eu não vou usar dinheiro público'", disse. "Dinheiro público tem que ser gasto com saúde, educação, com piscinões, com bacia de contenção, com ações sociais". O 'único' Em março de 2020, voltou ao tema. "Eu nunca usei recurso público na campanha eleitoral, não vou usar esse ano. Talvez [eu seja] o único candidato em Taubaté que não vai usar o fundo eleitoral para fazer a campanha" – (veja o vídeo). Investigação Segundo o Ministério Público, uma "organização criminosa" liderada por Guará Filho desviou R$ 2,319 milhões da Prefeitura de Taubaté de 2016 a 2019. Nesse período, o vereador adquiriu ao menos R$ 1,75 milhão em bens. O tucano nega qualquer irregularidade.