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As duas próximas semanas serão vitais para o enfrentamento do novo coronavírus no Vale do Paraíba e no estado de São Paulo. O motivo é que se espera um pico de doentes pela Covid-19 a partir da segunda quinzena de abril. Esse novo contingente de pessoas começaria a se contaminar nas próximas semanas. Portanto, reduzir a propagação do vírus é fundamental para evitar o colapso do sistema público de saúde, que não suportaria a demanda de atendimento a pacientes graves, que precisam dos recursos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), como respiradores mecânicos. Também não haveria leitos suficientes para atender, ao mesmo tempo, número alto de doentes procurando o sistema de saúde. O Estado admite que as próximas duas semanas serão um período crítico para a disseminação da virose e que o "tamanho" da epidemia será conhecido. Coordenador da rede de laboratórios para diagnóstico da doença e diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas falou sobre o assunto em entrevista coletiva. "Temos que olhar as projeções e ver o que vem pela frente. É importantíssimo esse momento. Estamos no começo da epidemia. Nas duas e três próximas semanas vamos conhecer o tamanho da epidemia, se encontraremos um Everest ou um monte mais suave", declarou. AÇÕES. Em resposta ao questionamento feito por OVALE sobre a preparação do Estado para enfrentar o pico da doença, com um período crítico de infecção nas próximas semanas, o governador João Doria (PSDB) afirmou que o governo já vem tomando as medidas. "Além de medidas preventivas de saúde, preparação do sistema hospitalar, de atendimento, de equipamentos de proteção individual, de compra e aquisição de respiradores e mobilização de prefeituras municipais, a melhor medida agora é fique em casa". O secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, disse que a vacinação contra a gripe Influenza, que segue até maio, foi planejada para desafogar o sistema de saúde de eventuais doentes por gripe que poderiam ter "sintomatologia parecida com coronavírus". Além disso, ele citou medidas como "estoques de EPI [Equipamento de Proteção Individual] em ordem e rede preparada para atendimento" para enfrentar o período crítico. "Enfim, tudo isso vai no sentido de prevenir a incidência da doença, proteger os positivos e evitar a morte". 'Sigam as autoridades de saúde e fiquem em casa', diz Doria O governador João Doria (PSDB) vem pedindo diariamente, em suas coletivas com a imprensa, para que a população de São Paulo siga as orientações de saúde e sanitárias e fique em casa. Segundo ele, qualquer recomendação em outro sentido é prejudicial ao combate da pandemia. "As pessoas devem seguir as recomendações das autoridades de saúde, aqueles que orientam corretamente, como o Ministério da Saúde e o governo de São Paulo, a nossa Secretaria de Saúde. O mais importante é ficar em casa".  
Eles deixarão saudades. "Foi um homem bom e admirável, dedicado à família, aos amigos. Fez a diferença no mundo. Fez o bem", escreveu um familiar sobre o homem de 64 anos que morreu vítima do coronavírus no Vale do Paraíba. Ele é uma das vítimas confirmadas. A história dele se soma a de tantos outros que perderam a vida para o Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus e que desafia a medicina, na região, Brasil e no mundo. Um rapaz sonhava em ser chef de cozinha. Um professor ajudava estudantes a pagar custos com a educação sem que ninguém soubesse. A mulher era apaixonada por música, a ponto de dedicar a vida a ela. Outra mulher cuidava da segurança nas ruas. Eles não se conheciam, mas um traço em comum uniu suas histórias de vida. São vítimas da epidemia do coronavírus e morreram em decorrência de complicações causadas pela doença. A história do gastrólogo Matheus Aciole, 23 anos, repercutiu no Brasil por ser ele, até o momento, a mais jovem vítima da covid-19. Ele morreu na terça-feira (31) em um hospital de Natal, no Rio Grande do Norte. Com sintomas de coronavírus, ele havia procurado uma unidade de saúde uma semana antes e foi diagnosticado como positivo. Criado em uma família de confeiteiros, ele cresceu dentro de uma fábrica de bolos artesanais e sonhava em ser chef, além de abrir um bistrô. Segundo parentes, ele tinha uma pequena empresa de bolos e doces, cursava a faculdade de nutrição e, em paralelo, uma pós-graduação em gastronomia. O professor Luiz Di Souza, 61 anos, foi descrito pelos familiares e amigos com "um homem inteligente e cientista nato" e "muito bondoso". Depois que ele morreu por causa da covid-19, descobriu-se que ajudava seus alunos pagando do próprio bolso cursos e eventos. Ele foi homenageado pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, onde lecionou por mais de 20 anos. A 1ª sargento Magali Garcia tinha 46 anos e trabalhava no Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) em São Paulo. Ela foi a primeira policial militar a morrer em razão da doença no estado. Ela foi internada com sintomas do coronavírus, como pneumonia. Nas redes sociais, amigos e familiares divulgaram fotos e escreverem textos em homenagem à policial. "Pessoas maravilhosa, apaixonada pelo trabalho, vai fazer muita falta". ADEUS. "Cleuza Fernandes da Silva, presente!". A frase é acompanhada de fotos da ambulante de 32 anos que morreu na região metropolitana do Rio de Janeiro, vítima de covid-19. Ela trabalhava na rodoviária de Rio Bonito e era conhecida pelo bordão "toda hora sai", em referência à venda de bananadas. Sentiu os sintomas da doença em 8 de março e foi internada dois dias depois, com insuficiência respiratória e parada cardíaca. De acordo com a prefeitura, a vítima era portadora de doença crônica. A ambulante não era casada e deixou três filhos que eram cuidados por sua mãe. Exame para confirmar a morte por suspeita de coronavírus atrasam e parentes enterram seus entes queridos sem um adeus Famílias do Vale do Paraíba têm passado por uma situação angustiante nos últimos dias: não poder se despedir adequadamente de seus entes queridos que morreram. A situação está relacionada à pandemia do coronavírus, que modificou procedimentos e protocolos em quase todas as áreas da saúde pública. Devido ao quadro clínico verificado antes da morte, essas pessoas entraram na lista dos casos suspeitos para o novo coronavírus. O diagnóstico desses casos com suspeita de covid-19 demora mais do que o normal por também estar na fila de exames represados em laboratórios e institutos públicos do Estado. Eram 16 mil exames na fila na última semana, com 200 de pessoas que morreram por suspeita de Covid-19. EXAMES. José Henrique Germann, secretário estadual de Saúde, declarou em coletiva que 180 exames de pessoas mortas haviam sido feitos até a sexta-feira, e que o restante estava em processo final de análise. A taxa de positividade nestes casos girava em torno de 20%. Sem ter a certeza de que o parente morreu em decorrência da Covid-19, o enterro dessas pessoas, seguindo protocolos sanitários, passou a ser realizado com cuidados extras e restrições. A principal é a de evitar contato com o corpo, o que impediu famílias de se despedirem de seus entes com o caixão aberto, por exemplo, prática comum em velórios da região. OVALE conversou com três famílias que vivenciaram essa situação no Vale nos último dias. Elas pediram para não ser identificadas e que o nome do familiar morto não fosse revelado. ANGÚSTIA. O sentimento é de total angústia e de revolta, em alguns casos. “Nem ao menos o corpo vimos. E se não foi ele no caixão?”, questionou uma parente de um dos mortos que entrou na lista de suspeitos do coronavírus na região. Com doença anterior, a família disse que tem certeza de que ele não morreu de Covid-19. Os familiares também dizem que não foram orientados a manter quarentena. Outra família passou pela mesma situação e reclama da demora em sair o exame do coronavírus. “Enterramos sem olhar uma última vez para o rosto dele. Foi cruel para todos nós. É como se estivesse desfigurado”, contou um familiar. O irmão de uma das vítimas disse que a família esperou até o último momento a chegada do exame sobre o coronavírus, que constaria no atestado de morte. Sem o documento, o sepultamento foi feito com o caixão fechado. “Minha mãe ficou muito chateada e triste. Ela não via meu irmão com frequência e isso a deixou muito consternada”, contou. DEMORA. OVALE questionou prefeituras e a resposta é que o teste é feito pelo Estado e que o resultado demora a sair. O governo estadual vem dizendo que está tomando medidas para zerar a fila de exames, com prioridade aos casos graves e as pessoas que morreram. 'Toda crise tem que servir para que a gente evolua como pessoa', diz psicóloga De quarentena em um sítio a 300 km de São José dos Campos, a psicóloga Fabiana Luckemeyer acredita que a pandemia do coronavírus vai provocar mudanças profundas em muitas pessoas. Na maioria dos casos, para melhor. "Num momento desses, não tem como não mudar. Com essa adversidade tão radical não tem como as pessoas não se modificarem. Mas algumas pessoas, por pessimismo, traumas passados ou histórico de vida, não conseguem enxergar o lado bom de uma situação ruim". Aos que conseguirem, ela espera que façam mudanças substanciais em seu modo de viver. Fabiana vê na obrigatoriedade de ficar em casa e de preservar os idosos elementos para alterar comportamentos. "Momento de muita humanização, generosidade, paciência, tolerância".. Pacientes graves, profissionais de saúde e óbitos são prioridade em exames Coordenador da rede de laboratórios para diagnóstico da covid-19 e diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas aposta em mutirões para zerar a fila para exames de coronavírus, que chega a 16 mil testes represados. Na sexta-feira (3), Covas disse que mais três laboratórios foram habilitados a participar da rede de 13 órgãos que estão fazendo testes para coronavírus no estado. Há ainda três laboratórios privados que ofereceram instalações para exames do governo estadual. O Estado também acertou com a Coreia do Sul a importação de 1,3 milhão de testes que devem chegar até 15 de abril. “Estamos discutindo a melhor maneira desse material vir para o estado”. Com a chegada de insumos, o diretor disse que a fila deve ser zerada. “Prioridade são pacientes graves, profissionais de saúde e óbitos.”
A Justiça determinou a liberação do cartão de gratuidade para idosos em São José dos Campos. A decisão acata pedido do Ministério Público, que ingressou com a ação após a prefeitura bloquear o cartão dos idosos para incentivar a adoção da quarentena do grupo de risco do novo coronavírus. No pedido, o Ministério Público justifica que a medida iria na contramão da orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde) de não se restringir o transporte público, e sim, ser feita uma conscientização da população sobre o serviço ser utilizado somente para casos essenciais. A decisão, assinada pela juíza Laís Helena de Carvalho Scamilla Jardim, estabelece multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento. OUTRO LADO. Em nota, a Secretaria de Mobilidade Urbana informou que acredita que a decisão contraria a orientação das autoridades mundiais da saúde e se faz como um estímulo aos idosos deixarem suas casas, "expondo-os à grave risco de saúde e morte". "Vale ressaltar que o transporte dos idosos para fins de atendimento a saúde e acesso a programas sociais já estava garantido pela Prefeitura no sistema de transporte urbano do município, ficando restrito apenas para aquelas viagens consideradas não essenciais. Agora, com essa decisão todo o acesso ao transporte público fica liberado integralmente para os idosos", diz trecho de nota. "A Prefeitura mantém a sua posição de recomendar às pessoas pertencentes ao grupo de risco, em especial os idosos, que permaneçam em suas casas praticando o distanciamento social, mas que irá acatar a determinação da Juíza apesar de discordar veementemente de tal decisão", continua o município.
A cidade de São José dos Campos, local com mais casos confirmados do novo coronavírus na região, registrou nesta semana as primeiras 12 recuperações da doença. Segundo a prefeitura, são oito homens e quatro mulheres que já não estão mais com os sintomas da doença. Alguns chegaram a ser hospitalizados, outros ficaram em isolamento domiciliar. Agora todos estão se sentindo bem por estar recuperados. O município divulgou a conversa que teve com três pacientes recuperados, identificados pelas iniciais de nome e sobrenome. Confira: PM foi um dos primeiros joseenses a contrair o vírus. Logo que voltou de uma viagem à Europa, no dia 16, ele entrou no período de quarentena. Com tosse seca, foi ao médico e fez o exame. Uma semana depois, o resultado deu positivo. Ele começou a sentir perda do olfato e paladar. Isolado em casa, seguiu as orientações para o tratamento. Nesta semana, voltou a sentir aroma e sabor. “Hoje minha vida voltou ao normal.” Quando teve alta, depois de ficar internada 9 dias – 2 deles na UTI – em um hospital particular, AN não esquece da dedicação da equipe que a atendeu. Ela conta que demorou para procurar ajuda médica, só indo buscar socorro quando o quadro se agravou. “Sou extremamente grata e devo minha vida a eles. Todo mundo se doando e me animando.” Depois de recuperada, a profissional de saúde aconselha as pessoas a seguir as recomendações. “Senti muita angústia nos primeiros sintomas, mas esse período passou.” Acostumado a cuidar dos outros, o médico AM conseguiu se manter calmo durante os dias em que esteve com o quadro de covid-19. “Passei bem pior nos primeiro dias. O mal-estar foi muito grande, principalmente com as notícias alarmantes.” Depois do drama inicial, AM lembra que do 8º ao 14º dia o quadro estava assintomático. “Me recuperei bem, estou ótimo. Não se sabe muito sobre a doença. A manifestação em cada paciente é diferente. O principal é ser bastante consciente e adotar as medidas de contenção determinadas pelas autoridades para que evitar os riscos de transmissão.”
O governador João Doria anunciou nesta sexta-feira (3) o lançamento do Centro de Mídias da Educação de SP, uma plataforma que vai permitir que os estudantes da rede estadual tenham acesso gratuitamente a aulas ao vivo, videoaulas e outros conteúdos pedagógicos durante o período do isolamento social provocado pelo combate ao novo coronavírus. "O Centro de Mídias SP, por meio de plataforma digital e da TV Cultura, vai permitir que os 3,5 milhões de alunos da rede pública tenham acesso ao ensino de qualidade com professores e especialistas da Secretaria da Educação", disse Doria. As aulas na rede estadual de São Paulo estão suspensas desde o dia 23 de março como medida de controle à propagação do coronavírus. Como a Seduc antecipou o período de férias e recesso escolar, neste momento é importante que os estudantes acessem e conheçam as ferramentas para se familiarizarem. As aulas que contarão como dias letivos recomeçam no dia 22 de abril. “Pensado na lógica de uma rede social, o aplicativo permite grande interação entre professores e estudantes. Este app irá auxiliar para que os professores estejam o mais próximos possíveis de cada um dos nossos 3,5 milhões de estudantes. Isso vai acontecer graças à tecnologia, que deve ser cada vez mais uma grande aliada da educação”, afirmou o Secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares. O download do Centro de Mídias SP está disponível para os sistemas Android e IOS. Para ter acesso, estudantes e professores da rede estadual terão de fazer o login com os mesmos dados usados na Secretaria Escolar Digital (SED). O aplicativo foi desenvolvido pela IP.TV e doado à Secretaria de Estado de Educação (Seduc), durante a suspensão das aulas. Além da ferramenta que vai viabilizar o ensino presencial mediado por tecnologia, o Governo de São Paulo também fechou um contrato com a TV Cultura, que vai transmitir as aulas por meio do Canal digital 2.3 - TV Cultura Educação. A Seduc vai patrocinar internet para que alunos e professores da rede tenham acesso aos conteúdos via celular, sem qualquer custo. Para isso, firmará contrato com as quatro maiores operadoras de telefonia: Claro, Vivo, Oi e Tim. Dessa forma, todo estudante da rede poderá desfrutar das atividades do aplicativo sem utilizar o pacote 4G do celular, sinal de internet wi-fi, ou mesmo quando estiver sem créditos.
A Assembleia Legislativa irá destinar R$ 325 milhões para aplicação em ações de combate à pandemia do coronavírus no estado de São Paulo. O montante é fruto de emendas parlamentares de todos os 94 deputados estaduais. A decisão da bancada foi comunicada ao governador João Doria pelo presidente da Assembleia Legislativa, Cauê Macris, juntamente com o líder do Governo, Carlos Pignatari. Doria agradeceu aos parlamentares, ressaltando que os mesmos abriram mão das emendas, independente de questões partidárias e ideológicas. A autorização para liberação do primeiro lote, no valor de R$ 82 milhões, será publicada no Diário Oficial do Estado neste sábado (4). O restante dos recursos, no total de R$ 243 milhões, será liberado no prazo máximo de dez dias. O dinheiro proveniente das emendas será aplicado imediatamente pela Secretaria da Saúde nas ações de enfrentamento da pandemia em todo o Estado. “Os recursos serão utilizados no atendimento às pessoas que estão infectadas, nas ações preventivas e no apoio aos municípios, como temos feito desde o início desta crise”, afirmou o governador. RECURSOS FEDERAIS. O Governador João Doria já havia anunciado, na última segunda-feira (30), a destinação de R$ 219 milhões, fruto de emendas parlamentares do Congresso Nacional, para combate à disseminação do coronavírus e reforço no atendimento de saúde aos pacientes infectados. O recurso foi destinado pela bancada paulista, que é coordenada pelo Deputado Federal Vinicius Poit e composta por 70 deputados e três senadores de vários partidos.