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Eleições pandêmicas. Na maior eleição de sua história, 1,91 milhão de eleitores da Região Metropolitana do Vale do Paraíba estão aptos a ir às urnas em novembro para eleger prefeitos e vereadores nas eleições municipais mais conturbadas e desafiadoras dos últimos tempos, sem dúvida. A pandemia do novo coronavírus alterou regras eleitorais, adiou a votação de outubro para novembro --dias 15 e 29, se houver segundo turno-- e trouxe desafios extras aos postulantes aos cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador. No Vale, 6.881 pessoas se inscreveram para concorrer nas eleições de 2020, um aumento de 7,4% na comparação com 2016, de acordo com dados oficiais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). São 202 candidatos a prefeito e 6.499 a vereador, com 415 vagas para serem preenchidas nas Câmaras da região. A taxa é de 15,66 candidato por vaga, também uma das maiores dos últimos tempos, principalmente em razão de mudanças nas regras das eleições proporcionais. Até 2016, os partidos coligados podiam lançar um número de candidatos correspondente a 150% das cadeiras disponíveis na Câmara. A partir deste ano, cada partido poderá lançar, individualmente, esse número de candidaturas, o que gerou aumento na quantidade de postulantes ao Legislativo. Os homens são maioria absoluta nas eleições deste ano, mesmo sendo a menor fatia do eleitorado no Vale. De acordo com as estatísticas do TSE, 66,23% dos candidatos na região são homens e apenas 33,77% são mulheres. Elas são minoria entre os postulantes a cargos políticos mesmo sendo 52,3% do eleitorado na região, com 997,7 mil mulheres. Os eleitores homens são 911,7 mil, 47,7% do total. RESTRIÇÕES. Números à parte, as restrições causadas pela pandemia do coronavírus afetarão as eleições municipais de 2020. As regras permitem, por exemplo, que os candidatos façam comícios, carreatas ou passeatas, mas estes instrumentos de campanha serão mal vistos se provocarem aglomerações em meio aos casos e mortes por Covid-19 no Vale, que ainda estão aumentando, apesar em ritmo mais lento. “Acredito que a Covid-19 terá influência de maneira bem forte e com vários desdobramentos nas eleições deste ano, seja na forma de fazer campanha como na condução do governo de quem for eleito. Teremos em 2021 um ano ainda bem impactado”, disse a consultora política Gil Castillo, ex-presidente da Alacop (Asociación Latinoamericana de Consultores Políticos). VIRTUAL. Para o desembargador Waldir Sebastião de Nuevo Campos Junior, presidente do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo), as restrições reforçarão as campanhas na internet, que vêm ganhando impulso desde as eleições presidenciais de 2018. “Sendo possível fazer a campanha preferencialmente de forma virtual, creio que é o momento. Tanto que praticamente todas as instituições públicas e privadas estão se socorrendo desse recurso para poder continuar trabalhando.” E completou: “Nos últimos tempos, por conta do novo formato de comunicação, principalmente das redes sociais que chegam às pessoas pelo telefone, essa propaganda migrou para as redes sociais, e isso vai minimizar o problema das aglomerações. Se acontecer, tem que ser feito com responsabilidade”. Candidato que aglomerar onde não puder, em razão da pandemia, pode responder até mesmo criminalmente. “A responsabilidade pelas aglomerações é de quem promove o ato de campanha. E se essa aglomeração causar prejuízo a alguém, dependendo do tipo de prejuízo, por ter até uma responsabilização civil ou criminal”, explicou o presidente do TRE. “Agora, se houver uma determinação por parte da Justiça Eleitoral no sentido de que não haja essa aglomeração, por conta da situação excepcional, tem que ser cumprida sob pena de desobediência.” A pandemia também alterou a dinâmica da votação, que será feita de modo a evitar aglomerações e com protocolos sanitários. Os eleitores poderão comparecer às urnas de 7h às 17h.
Pantanal arde. Depois da Amazônia, cujas queimadas em agosto atingiram os piores índices da última década, o inferno ambiental transformou em cinza e vermelho fogo a paisagem do Pantanal, uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. Setembro de 2020 é o pior mês da história do Pantanal em focos de incêndio, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Foram mais de 6.048 focos de incêndio no mês. Até então, agosto de 2005 era o pior mês da história, com 5.993 focos. Já são mais de 16.200 focos de incêndio no Pantanal em 2020, também o maior índice de terra queimada da história. O Inpe monitora o bioma por meio de satélites desde 1998. Também de acordo com dados do Inpe, o recorde anterior em um ano se deu em 2005, com 12.536 focos, número bem distante dos mais de 16 mil atuais. CATÁSTROFE. Com uma semana para o fim da medição em setembro, o mês já chegou a registrar mais de 1.000 novos focos de incêndio em apenas um dia. No último dia 12, as medições por satélite registraram 1.093 focos em 24 horas. O Pantanal tem mais de 150 mil km² e ocupa 1,76% da área total do território brasileiro. O bioma é uma planície aluvial e influenciado por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai. É considerado fundamental para o equilíbrio ecológico. Estima-se que os incêndios já tenham destruído 19% do bioma, o que se transforma numa perda irreparável para a região do Pantanal e o meio ambiente em geral. Segundo autoridades, a área afetada já passa de 2 milhões de hectares e destruiu refúgios de animais em extinção, como as araras azuis, e tem ameaçado espécies típicas da região, como a onça-pintada. “Fugiu completamente do controle, muito por conta da negação, mas agora viram que é algo sem precedentes. Pagaremos um preço muito alto, porque não vai recuperar tudo que perdeu e vai levar um bom tempo para recuperar parte do que foi perdido”, apontou o climatologista Rodrigo Marques, professor da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). Ele classifica os incêndios de 2020 como uma “catástrofe para a natureza”. Para piorar a situação, Marques informou que a região do Pantanal tem índice de chuva ao nível do clima semiárido nordestino. Após cinco perícias no Pantanal, o governo de Mato Grosso informou que ações humanas teriam causado as queimadas na região. Na sexta-feira (25), a Polícia Federal informou que tem provas de que ao menos quatro fazendeiros teriam iniciado as queimadas na região da Serra do Amolar, no Pantanal. O Ministério Público Federal vai analisar o caso e poderá denunciá-los à Justiça Federal. 'Queimadas no Pantanal destroem um patrimônio que se perde para sempre' Para o geólogo Paulo Roberto Martini, pesquisador do Inpe, as queimadas no Pantanal destroem o patrimônio vegetal para sempre. "No Pantanal, é outro tipo de cobertura, como as matas de várzea. Uma vez que queima e derruba não volta. Patrimônio que se perde para sempre". E completa: "Não é só questão de tirar o mato, mas toda a biodiversidade agregada e o serviço ambiental. As temperaturas estão aumentando em função da retirada da vegetação". Em nota, o Ministério da Defesa informou que 182 militares e 139 brigadistas estão combatendo os incêndios no Pantanal, sob coordenação do ICMBio e dos bombeiros estaduais..
Quando a notícia é boa e confiável, OVALE assina embaixo. Líder absoluto na produção de conteúdo jornalístico na RMVale, seja nas plataformas impressas ou nas digitais, o jornal disponibilizará aos seus assinantes esta semana uma cortesia muito especial: uma edição histórica da revista 'Piauí', uma das principais publicações do país. Com direito a uma embalagem especial, os assinantes de OVALE receberão em casa a superedição do jornal, uma carta sobre a parceria inédita e o exemplar da Piauí -- a revista, que na banca custa R$ 25, será disponibilizada gratuitamente aos assinantes de OVALE nesta semana. Trata-se de uma ação inédita e exclusiva. A Piauí é uma revista mensal, idealizada por João Moreira Salles, referência de qualidade gráfica e editorial no tratamento diferenciado de fatos do dia a dia do Brasil. Com seguidos recordes, OVALE já superou em 2020 a marca de 113 milhões de visualizações, contando só as plataformas digitais, e intensificou a cobertura regional, pautando a concorrência, e também ampliando o leque de notícias nacionais e internacionais, com a contratação da 'Agência OGlobo' -- são mais de 3.000 notícias a mais a cada mês, com acesso ilimitado para os assinantes. OVALE nunca foi tão lido, curtido, visto, comentado e compartilhado em toda a história. "Num mundo em que transborda desinformação, o jornalismo profissional, alicerçado na força objetiva da verdade factual, muitas vezes camuflada atrás de uma verdade aparente, é indispensável no processo de conscientização popular. Não há mais a informação hegemônica, unidirecional. O acesso a um leque tão variado quanto possível de opiniões, artigos e análises tem importância vital para ajudar o leitor a formar a sua opinião sobre os fatos", disse o diretor-presidente de OVALE, Fernando Salerno. PIAUÍ. O assinante de OVALE receberá esta semana um exemplar histórico da Piauí, lançado em agosto, com o destaque "A Sexta-feira do Golpe", reportagem assinada por Monica Gugliano. A revista revela, com exclusividade, que em 22 de maio o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ordenou uma intervenção no STF (Supremo Tribunal Federal), mas foi convencido a não levar seu plano adiante -- pelo menos naquele momento. "Nesse contexto, a revista Piauí aporta um conteúdo editorial relevante à circulação de OVALE, reunindo temas dos bastidores da política iraniana aos bastidores da Palácio do Planalto, no caso desta edição específica retratando uma articulação bizarra do governo de turno na tentativa de intervir no STF. Enfim, a revista traz temas interessantes que variam da economia à arquitetura, do cinema ao futebol, da literatura à televisão, humor etc", destacou Salerno. ASSINANTES. Além de receber edições impressas, suplementos e revistas especiais, o assinante do jornal tem acesso ao Clube OVALE -- são descontos exclusivos de até 50% em 380 parceiros regionais e nacionais, com grandes marcas como Amazon, Lenovo, Casas Bahia, Extra, Magazine Luiza, entre outros.
Jovens na linha de tiro. A morte de jovens de até 30 anos em decorrência de intervenção policial na RMVale, de janeiro a julho de 2020, aumentou 62,5% na comparação com igual período de 2019, segundo dados oficiais da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) compilados por OVALE. A polícia estadual matou 13 pessoas nessa faixa etária contra oito, no ano passado. Das 13 mortes deste ano, 12 ocorreram durante período de serviço de policiais militares e uma durante o serviço de um policial civil. No ano passado, todas as mortes de pessoas até 30 anos ocorreram em confronto com policiais militares, sendo uma delas durante o período de folga do agente público. No geral, de acordo com dados da Transparência SSP, portal que disponibiliza os boletins de ocorrência das mortes em confronto com a polícia, a região registrou 29 vítimas em decorrência de intervenção policial neste ano, de janeiro a julho, contra 17 no ano passado, em igual intervalo. O aumento foi de 70,5%. PARDOS E PRETOS. Na faixa etária até 30 anos, a maior parte das vítimas em confronto com a polícia é composta por homens identificados como pardos ou pretos e com baixa escolaridade. Das 13 vítimas em 2020, sete (54%) foram registradas como pardas ou pretas e seis (46%) como brancas. No ano passado, a relação entre as etnias ficou equilibrada com quatro mortes cada uma. Além disso, a morte de jovens pardos e pretos em confronto com a polícia cresceu 75% entre os dois anos, de quatro para sete óbitos, e a de brancos aumentou 50%, de quatro para seis. No total, quase 70% das mortes em confronto ocorreram em vias públicas, com 20% em residências e 10% em comércios e serviços. A escolaridade do grupo de jovens pardos e pretos mortos em confronto com a polícia também é mais baixa, com apenas uma vítima tendo conseguido passar do ensino fundamental, mas ainda assim sem concluir o ensino médio. Uma das vítimas registrada como branca tinha o segundo grau completo, a única entre os jovens mortos em confronto com a polícia. A maior parte das mortes é de pessoas com instrução abaixo do nível básico completo. Na maior parte dos registros (72%), no entanto, não há menção à escolaridade da vítima. A cientista Social e Política Dora Soares aponta a educação como fator fundamental para tirar os jovens da mira da violência. “O Brasil é extremamente desigual e as polícias tendem a ser mais violentas com jovens pobres e negros. Essa violência acaba sendo aceita com naturalidade. Precisamos investir nos valores estruturantes da sociedade, como a educação e a cultura”. Opinião semelhante tem José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel aposentado da Polícia Militar: “O Estado tem que ocupar as periferias, levando opções para os jovens. Se não for assim, o crime pode recrutá-los”. RECORDE. Analisando as estatísticas trimestrais da SSP, o Vale teve os seis primeiros meses de 2020 como os mais violentos da série histórica da pasta para o total de mortes em confronto com a polícia. A série com dados regionais começa em 2005. De acordo com as estatísticas oficiais do Estado, 25 pessoas morreram em decorrência de intervenção policial neste ano contra 16, no ano passado, também de janeiro a junho. O aumento foi de 56%. O primeiro semestre de 2020 supera até mesmo os seis meses de 2006, até então os mais violentos da série histórica da SSP, com 19 mortes em confronto com a polícia. A diferença é que 2006 ficou marcado como o ano dos atentados da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) contra forças de segurança pública, sendo considerado um ano atípico nos registros estatísticos. Doria ameniza discurso de campanha e prega tolerância zero com desvios da PM Durante a campanha ao governo de São Paulo, em 2018, o então candidato João Doria (PSDB) causou polêmica ao dizer que "se bandido reagir, vai para o cemitério". Na época, ele foi criticado por se alinhar a Jair Bolsonaro, que concorria à presidência e pregava o conceito de 'bandido bom é bandido morto'. Após um ano e nove meses de mandato, Doria tem dito que o governo não compactua com desvios de conduta dos policiais. Dados da SSP mostram que 510 policiais foram presos, demitidos ou expulsos em 2019. "O governo não aceita ilegalidades. Policial que age fora das regras e da lei vai ser punido", disse o general João Camilo Pires de Campos, secretário estadual da Segurança Pública.. Íntegra da nota oficial da SSP A SSP, desde o início dessa gestão, tem trabalhado para reduzir os casos de morte decorrente de intervenção policial. Tanto que julho foi o segundo mês consecutivo de queda nos casos de morte decorrente de intervenção policial militar em serviço, com redução de 25% em relação a igual mês do ano passado. As técnicas, protocolos e procedimentos de atuação da PM são estudados e aprimorados de acordo com os indicadores criminais e inovações inseridas na área de segurança pública em todo o mundo, como as câmeras corporais utilizadas pelos policiais de São Paulo desde o início de agosto. Além de reforçar as atividades de treinamento técnico-operacional, incluindo temas como Polícia Comunitária, Direitos Humanos e Cidadania, a PM trabalha na atualização de seus protocolos de abordagem e participa de um grupo de trabalho acadêmico com outras oito instituições, ente elas a Faculdade Zumbi dos Palmares, sobre a questão da violência. Dos casos no Vale do Paraíba, de janeiro a junho, 15 são investigados por meio de inquéritos policiais, quatro foram relatados à Justiça e um arquivado pelo Poder Judiciário. A PM também apura todos os casos por meio de IPM (Inquérito Policial Militar), com acompanhamento do Ministério Público.
Bala que mata bandido também mata policial. A polícia paulista matou 514 pessoas em confronto no primeiro semestre de 2020, a maior quantidade para o período de toda a série histórica da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), que começa em 1996. Trata-se de alta de 20% na comparação com o mesmo período do ano passado. O segundo ano da série histórica com mais mortes em confronto, no primeiro semestre, foi 2003, com 487, e depois 2017, com 460. O primeiro semestre da gestão de João Doria (PSDB) foi o quarto com mais mortes em confronto, 426 em 2019. Criticada por especialistas, a chamada "política de enfrentamento" do governo estadual parece que também fez aumentar a quantidade de policiais mortos, com 28 óbitos no primeiro semestre de 2020, 75% a mais do que no mesmo período de 2019, que registrou 16 óbitos de policiais. MORTES. Em 2020, foram quatro policiais civis mortos (dois em serviço) e 24 policiais militares mortos, metade deles durante o período de trabalho. Na linha histórica, as 28 mortes de policiais no primeiro semestre de 2020 são o quarto pior período de seis meses desde 1996, perdendo para 1999 (38 mortes no semestre), 2017 (30) e 1998 (30). No entanto, a comparação fica comprometida em razão de os registros a partir de 2017 contarem com dados de policiais mortos também no período de folga, o que não era compilado até 2016. POLÍTICA. "Não existe explicação plausível para número tão elevado de mortes [em confronto], sobretudo se levarmos em conta que foi um período [2020] marcado pela restrição da circulação [pela pandemia]", disse o sociólogo Benedito Mariano, ex-ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo. "Em parte, isso se deve ao discurso beligerante de Jair Bolsonaro e do governador João Doria. Eles têm as suas diferenças políticas, mas ambos fazem campanha em favor de uma polícia mais repressiva e aplaudem operações que resultam em mortes." Segundo Mariano, que não foi reconduzido ao cargo de ouvidor por decisão do governo estadual, apenas 3% dos homicídios causados por policiais são investigados pela Corregedoria. "Os demais são apurados pelos batalhões de origem dos policiais militares envolvidos nas ocorrências. Tem que ser tudo investigado pela Corregedoria", disse.. Íntegra da nota oficial da SSP A SSP, desde o início dessa gestão, tem trabalhado para reduzir os casos de morte decorrente de intervenção policial. Tanto que julho foi o segundo mês consecutivo de queda nos casos de morte decorrente de intervenção policial militar em serviço, com redução de 25% em relação a igual mês do ano passado. As técnicas, protocolos e procedimentos de atuação da PM são estudados e aprimorados de acordo com os indicadores criminais e inovações inseridas na área de segurança pública em todo o mundo, como as câmeras corporais utilizadas pelos policiais de São Paulo desde o início de agosto. Além de reforçar as atividades de treinamento técnico-operacional, incluindo temas como Polícia Comunitária, Direitos Humanos e Cidadania, a PM trabalha na atualização de seus protocolos de abordagem e participa de um grupo de trabalho acadêmico com outras oito instituições, ente elas a Faculdade Zumbi dos Palmares, sobre a questão da violência. Dos casos no Vale do Paraíba, de janeiro a junho, 15 são investigados por meio de inquéritos policiais, quatro foram relatados à Justiça e um arquivado pelo Poder Judiciário. A PM também apura todos os casos por meio de IPM (Inquérito Policial Militar), com acompanhamento do Ministério Público.
A ‘Revolta das Vacinas’, parte 2. Parece nome de filme, mas é a pura realidade, só que 116 anos depois. Há mais de um século, o Vale do Paraíba estava no epicentro de uma das maiores revoltas populares no Rio de Janeiro, então a capital do país. Um homem nascido em São Luiz do Paraitinga enfrentava negacionistas e movimentos antivacina para tentar erradicar a varíola no Rio de Janeiro, além da febre amarela. Parece retrato de 2020, também com seus movimentos negacionistas, de fake news e teorias da conspiração contra vacinas em desenvolvimento para combater a pandemia do novo coronavírus, a maior crise sanitária em 100 anos. “A grande quantidade de informações de baixíssima qualidade faz com que coisas muito sérias sejam prejudicadas, como a cobertura vacinal”, disse a médica Stella Zöllner, professora e coordenadora pedagógica do curso de Medicina da Unitau (Universidade de Taubaté), além de mestre e doutora em Patologia. “Também há uma questão de credibilidade das instituições. Há pessoas que acreditam mais no vizinho do que nas instituições”, completou. REVOLTA DAS VACINAS. Aos 32 anos, em 1904, o cientista, médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917), na época diretor-geral da Saúde Pública --equivalente a Ministro da Saúde --, promoveu uma vacinação em massa e obrigatória da população para debelar o surto de varíola. Jornais lançaram campanha contra a medida, o Congresso protestou e foi organizada uma liga contra a vacinação obrigatória. Em 13 de novembro, estourou a rebelião popular e, no dia seguinte, se levantaram militares da Escola Militar da Praia Vermelha. O movimento durou seis dias e ficou conhecido como a ‘Revolta das Vacinas’, tendo sido derrotado pelo governo do então presidente Rodrigues Alves (1848-1919), nascido em Guaratinguetá. A luta de Oswaldo Cruz deu resultado. Em 1908, em uma nova epidemia de varíola no Rio, a própria população procurou os postos de vacinação. 2020. Um novo filme de terror revive a ‘Revolta das Vacinas’ da época de Oswaldo Cruz, desta vez diante de uma pandemia que já matou quase um milhão de pessoas no mundo. Mas ao contrário do então presidente e do ministro da Saúde de 1904, ambos do Vale, que defendiam a vacinação em massa, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”. O que parecia apenas mais uma fala equivocada do presidente virou peça publicitária da Secom (Secretaria Especial de Comunicação da Presidência), para alegria dos movimentos antivacina no país. Um dos principais alvos é a CoronaVac, vacina para a Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech e cuja terceira fase de testes ocorre no Brasil, em parceria com o Instituto Butantan, do governo estadual. A parceria com a empresa chinesa fez a vacina ser taxada de “comunista” e provocando ondas de ataques na internet. “A nossa corrida é para salvar vidas. A vacina CoronaVac tem se demonstrado uma das mais seguras do mundo. Os ataques são absurdos e sem qualquer fundamento científico”, disse Dimas Covas, diretor do Butantan. A vacina pode estar pronta até o final do ano. 'Movimento antivacinação causa queda na cobertura e tem influência política' O Brasil não atingiu a meta para nenhuma das principais vacinas indicadas a crianças de até um ano em 2019, segundo o Programa Nacional de Imunizações. A situação ocorre pela primeira vez em quase 20 anos. Para Miriam Tendler, médica pela UFRJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e doutora em doenças infecciosas e parasitárias, o movimento antivacinação é a razão da queda da cobertura vacinal e tem influência política. "A doença é mais rentável do que a saúde. A vacina é a preservação da saúde e as pessoas vão precisar de menos remédios. E existem forças poderosas nesse movimento antivacina, colocando dogmas e mitos que não tem nenhum fundamento", disse ela em live promovida pela ACI de São José dos Campos, ao responder pergunta de OVALE..