notícias

Após a letargia dos últimos anos, as instituições brasileiras parecem ter, enfim, acordado de um sono profundo para, enfim (2), começar a defender a democracia. As reações do STF (Supremo Tribunal Federal), em primeiro, e da Câmara dos Deputados, posteriormente, no caso do parlamentar Daniel Silveira, que fez ameaças a ministros do STF e ao Estado Democrático de Direito, foram corretas, mas também tardias. Silveira não foi o primeiro (mau) exemplo de alguém que usa o direito à liberdade de expressão, que é um dos principais pilares de uma sociedade democrática, para fazer apologia a instrumentos abomináveis da ditadura militar, como o AI-5, e para defender a destituição de ministros do Supremo, o que é inconstitucional. Na famosa reunião ministerial de abril de 2020, por exemplo, o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse: "Por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF". Também foi absurda a frase de Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, que afirmou em julho de 2018, ainda antes de o pai ser eleito, que "se quiser fechar o STF", é só mandar "um soldado e um cabo". Esses e outros casos já graves o suficiente para uma resposta das instituições, que não ocorreu às épocas. Agora, mesmo que tardiamente, o Supremo parece buscar estabelecer um limite, dando um sinal de que não aceitará mais o que, ora, sempre foi inaceitável. E ilegal. E criminoso. A prisão de Silveira, que foi confirmada pela Câmara na sexta-feira, com a expressiva votação de 364 a 130, precisa virar um marco. O Brasil não pode mais tolerar quem flerta abertamente com o golpismo..