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Após os últimos atritos entre Jair Bolsonaro e o STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente da República - com o reforço de figuras nebulosas do seu entorno - voltou a flertar com medidas autoritárias e o rompimento com a democracia. Em live nessa quinta-feira, Bolsonaro de uma indireta, ao dizer que não quer "brigar com poder nenhum, mas a recíproca tem de ser verdadeira" - ele falava sobre a consulta do ministro Celso de Mello, do STF, à PGR (Procuradoria-Geral da República) acerca da possibilidade de confisco do celular presidencial. Já Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente, não foi tão comedido. Foi direto. Na quarta-feira, disse que vê "momento de ruptura" e afirmou que "quando chegar ao ponto em que o presidente não tiver mais saída e for necessária uma medida enérgica, ele é que será taxado como ditador". Nessa quinta-feira, Eduardo foi além. Propôs o uso das Forças Armadas para "restabelecer harmonia de Poderes". "Eles [Forças Armadas] vêm, põem um pano quente, zeram o jogo e, depois, volta o jogo democrático. É simplesmente isso". Foi com essa 'desculpa' que os militares deram o golpe em 1964. E a história mostra: o que era para ser uma intervenção rápida se transformou em 21 anos de ditadura, com cassação de direitos, supressão de liberdades individuais e perseguição, com tortura e morte, de quem ousasse pensar diferente. A nova ameaça de ruptura democrática foi a forma encontrada pelo clã Bolsonaro e seus asseclas para reagir à operação da Polícia Federal, autorizada pelo STF, que fechou o cerco contra aliados do presidente suspeitos de comandar uma rede de disseminação de notícias falsas. A resposta do núcleo mais próximo ao presidente mostra que existe grande temor do que poderá vir à tona com a investigação. Como tudo que envolve a família Bolsonaro, é difícil saber se a ameaça de rompimento da democracia é verdadeira ou apenas um jogo de cena, para agradar o eleitorado mais fiel. É nesse grupo, que representa um terço do eleitorado brasileiro (33%, segundo a última pesquisa Datafolha), que o presidente se escora para convencer o Centrão que ele ainda tem condições políticas de continuar no cargo. Outra prova de que Bolsonaro está acuado, desesperado, foi a declaração dada nessa quinta-feira a respeito do procurador-geral da República, Augusto Aras. O presidente afirmou que Aras é um nome forte que pode ser indicado por ele para disputar uma possível terceira vaga no STF. Um aceno para lá de suspeito ao homem que é responsável por investigações com potencial de atingir em cheio o chefe do Executivo. Nesse ponto, vale lembrar que Aras foi escolhido para a PGR após Bolsonaro desprezar a lista tríplice e tem adotado posicionamentos favoráveis ao presidente. Apenas nessa semana, ele pediu a suspensão do inquérito das fake news e criticou a ordem do ministro Alexandre de Moraes sobre a operação contra aliados bolsonaristas. Verdade ou bravata, tanto faz. O fato é que as ameaças de Bolsonaro contra a democracia não podem ser toleradas. Por enquanto, a bola está com o STF. Espera-se que o Supremo adote postura firme contra os arroubos autoritários do clã. Mas essa guerra não cabe apenas ao Supremo. Qualquer 'medida enérgica' contra a democracia deve ser repelida com outra medida igualmente enérgica. Bolsonaro segue a mostrar, dia após dia, que é uma ameaça ao Brasil.
“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Jair Bolsonaro costuma repetir à exaustão essa passagem bíblica, mas não citou o versículo nessa quarta-feira, dia em que uma operação da Polícia Federal, autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), atingiu deputados da base e apoiadores do presidente, em um inquérito que investiga suspeitos de financiar grupos de disseminação de fake news e ataques a instituições nas redes sociais. Pelo que foi apurado até agora no inquérito comandado pelo ministro Alexandre de Moraes, cinco empresários atuam como financiadores de um suposto esquema de impulsionamento de informações falsas. Quatro deles terão os sigilos fiscal e banes que pedem a cassação do mandato de Bolsonaro e do vice, Hamilton Mourão, justamente por supostas irregularidades na campanha. Se alguma prova contundente for descoberta na quebra de sigilo, poderá ser compartilhada com a Justiça Eleitoral. Outro fator que deixa Bolsonaro tenso: a investigação pode comprovar a existência do já famoso 'gabinete do ódio', um aparato que seria operado pelos filhos do presidente, com verbas públicas, com o objetivo de atacar inimigos políticos. O temor no Palácio é tamanho que, já nessa quarta, Bolsonaro convocou uma reunião às pressas para discutir uma estratégia de reação ao Supremo. Nas redes, os bolsonaristas passaram o dia criticando o STF, acusando o Supremo de tomar medidas ditatoriais e alegando que a operação foi um atentado contra a liberdade de expressão. A realidade, porém, é diferente. Liberdade de expressão é o direito de manifestar, livremente, opiniões. Já as fake news não têm relação com opiniões. São um estratagema para atribuir informações falsas, imputando crimes inexistentes, caluniando indivíduos, assassinando reputações. Isso, por si só, já torna as fake news um crime. E, caso elas sejam impulsionadas com direito público ou empregadas para fraudar uma eleição, o crime é ainda mais grave. O que se espera é que a verdade liberte o Brasil de quem usa a mentira para atrapalhar o país.
A corrupção é endêmica no Brasil. Como em uma indigesta sopa de letrinhas, siglas partidárias diversas  envolveram-se em sucessivos escândalos ao longo das últimas décadas, como, por exemplo, Mensalão petista e tucano, Petrolão, Propinoduto, Anões do Orçamento, Máfia dos Vampiros, entre outros inúmeros casos. A lista, infelizmente, é longa e envolve dezenas de partidos. Agindo como sanguessugas dos cofres públicos, corruptos assaltam sem  pudor os cofres públicos, parasitando o país, matando indiretamente,  condenando brasileiros ao vácuo do Estado, deixando-os sem educação, saúde, saneamento básico, comida e outras necessidades básicas. Toda e qualquer denúncia de corrupção, portanto, deve ser apurada e, comprovado o ilícito, a punição precisa ser exemplar. É o que clama, brada e exige a sociedade brasileira. Diferentemente da lógica binária do Fla-Flu político, que transforma o debate em um empobrecido ringue ideológico, a guerra anticorrupção deve ser ambidestra, atingindo todas as cores partidárias. Não é sobre direita ou esquerda. É sobre certo e errado. Falando em corrupção, o noticiário político foi invadido nesta terça pela Operação Placebo, que aponta graves indícios de irregularidades milionárias no Rio de Janeiro, envolvendo o governador Wilson Witzel (PSC) e o suposto desvio de dinheiro investido contra a Covid-19. A população do Rio, que já tem se acostumado a ver seus governadores sob suspeita e atrás das grades, exige que o caso seja apurado. Esse é um ponto, que não se discute. Agora, caro leitor, é preciso abordar o outro aspecto desse episódio que ganhou as manchetes. Witzel, eleito na onda bolsonarista de 2018, acusou o agora desafeto Jair Bolsonaro (sem partido) de utilizar a Polícia Federal como arma de perseguição política. "A interferência anunciada pelo presidente está oficializada", disse o governador no Twitter, em uma referência à acusação do ex-ministro Sergio Moro, que deixou a pasta alegando que o presidente buscou, de forma indevida, intervir na PF do Rio para proteger a família. A ação de Bolsonaro, que fica clara no vídeo da reunião ministerial, em trocas de mensagens com Moro e também nas ações tomadas logo após a saída do símbolo maior da Lava Jato, é alvo de investigação. Inepto, estaria Bolsonaro querendo deturpar o papel da corporação? A PF é um órgão de Estado, não serve a uma família ou a um grupo. Não é milícia. Bolsonaro quer a PF como polícia política? Um dia antes da ação contra Witzel,em entrevista a uma rádio gaúcha, a deputada federal Carla Zambell (PSL-SP) disse que agentes federais iriam deflagrar operações contra governadores. Houve vazamento?Também na segunda, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) fez postagem, no Instagram, atacando Witzel e os gastos contra a Covid-19. É inegável, ainda mais em meio à crise provocada pelas acusações que foram feitas por Moro, que tais coincidências são inquietantes. É válido lembrar que a ministra Damares Alves, na reunião do governo federal no dia 22 de abril, disse que governadores e prefeitos iriam para a cadeia. Espera-se que a PF apure com todo o rigor as graves denúncias no Rio de Janeiro, assim como outras. Exemplo? O TCU (Tribunal de Contas da União) investiga a dispensa de licitação na aquisição de aventais no valor de R$ 912 milhões pelo governo Bolsonaro. Apure a 'rachadinha' do Fabrício Queiroz, as suspeitas sobre Flávio e qualquer outro. O combate à corrupção deve ser implacável. E é preciso que a PF, cumprindo o seu papel de Estado, cumpra o seu papel, sem interferência política.
A Terra é redonda? Acredite, mesmo em 2020, há quem creia que o planeta é plano. Esses são os terraplanistas, que tornaram-se símbolo do movimento negacionista. O que é o negacionismo? É a negação da ciência, tendo como base absurdas teorias da conspiração sem qualquer fundamento lógico, desconectadas da realidade. Hoje, o planeta -- que, acredite, é uma esfera achatada nos polos, como já se sabe desde Pitágoras (571-490 a.C), Platão (428-348 a.C.) -- vive em guerra. Não se trata apenas de uma batalha contra a Covid-19, que já infectou mais de 5 milhões de pessoas. Há uma dura luta travada entre o conhecimento e a ignorância. Ciência versus negacionismo. Luz contra sombra. E o Brasil, segundo país do mundo com mais casos do novo coronavírus, é terra fértil para esse campo de batalha. Eleito por renomados jornais estrangeiros como o pior líder global nesse esforço de combate à pandemia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido ou capacidade para o cargo) é um garoto-propaganda do negacionismo. É inimigo da ciência, ignora a medicina, ataca a imprensa, mente (temos mais de mil declarações falsas em pouco mais de 500 dias de mandato) e, sem o menor pudor, leva irresponsavelmente o Brasil à beira do abismo. O portão do Palácio da Alvorada, onde o capitão para diariamente para a adulação da claque, é um microcosmo do país. Um governo tosco que mira, única e exclusivamente, alimentar a sanha de seu hoje diminuto grupo de apoio, enquanto ofende e dá as costas à imprensa, que representa ali no teatro do absurdo o papel da democracia. "A imprensa internacional é de esquerda", respondeu o presidente ontem, na bolha ideológica armada diante do Alvorada, quando questionado sobre a imagem negativa que ele tem no exterior.  De esquerda? Será que Donald Trump, que barrou a entrada de brasileiros nos EUA, é comunista também, Bolsonaro?   Defensor da cloroquina, mesmo admitindo não haver dados científicos que atestem a eficácia do medicamento contra a Covid-19, o inepto Bolsonaro viu nesta segunda a OMS (Organização Mundial de Saúde) suspender até os ensaios clínicos a respeito da medicação, após estudos indicarem que há elevação no risco de morte. Lembra? Ciência versus negacionismo?   'Codiv', presidente? Gripezinha? Resfriadinho? Bolsonaro, que não sabe nem o nome da doença, demitiu dois ministros da Saúde diante da maior crise sanitária dos últimos 100 anos. O motivo? A dupla de médicos ousou respeitar a ciência. A Universidade de Washington revelou projeção de 125 mil mortes em solo brasileiro pelo novo coronavírus até o início de agosto. E daí?  O presidente não afirmou em abril que o vírus estava indo embora? Na época, eram 1.223 óbitos. E hoje? São 23.473 mortes, além de 375 mil contaminados -- isso mesmo com a subnotificação gritante. Como se vê, à luz da verdade, Bolsonaro é o desgoverno. O planeta inteiro sabe: ele está redondamente enganado.
Pornô-político. O vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, liberado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), poderia ser classificado no gênero pornô-político, tal a quantidade de baixaria contida ali naquelas duas horas. A gravação, que seguirá repercutindo da semana, é uma fratura exposta que revela uma triste radiografia de um desgoverno tosco, alucinado, perdido, aprisionado em uma delirante e fantasiosa bolha ideológica. A reunião no Palácio do Planalto, ocorrida no dia do descobrimento, ajuda agora o Brasil a descobrir a dantesca face do governo Jair Bolsonaro (sem partido, defensor do caos e de um país partido). Um monstruoso teatro do absurdo encenado nos mais alto escalão do Brasil, em meio à mais grave crise sanitária dos últimos 100 anos. Mas a 'Codiv' (sim, o presidente referiu-se à Covid-19 como Codiv durante a reunião, por mais de uma vez), que já tirou a vida de mais de 22 mil no Brasil, não tinha espaço no encontro palaciano, reservado para baboseiras e ataques à democracia perpetrados por Abraham Weintraub, Damares Alves e Ricardo Salles, entre outras figuras deploráveis. Pandemia não importa a um desgoverno que demitiu dois ministros da Saúde, mesmo diante do cenário caótico do novo coronavírus, em uma semana. Havia apenas um tema: o projeto político de um presidente que interferiu, nítida e indevidamente, na Polícia Federal para proteger a família e seus amigos. Bolsonaro é tão pouco inteligente que admite isso nas entrevistas e ainda revela outras irregularidades, como ter um serviço particular (ou clandestino) de informações. Bolsonaro mente, mente compulsivamente. Seus argumentos, de tão primitivos, são risíveis.  Nada surpreendente, vindo de um presidente que acumulou 1.062 declarações falsas ou torturadas em 506 dias. Alardeado como 'vitória' pelo Palácio, por reforçar a imagem de Bolsonaro e suas bandeiras, o vídeo só agrada o eleitorado cativo do mandatário, um eleitorado cada vez menor. As pesquisas indicam que representa até 25%. Para essa turma, que ignora os fatos e parece seduzida pelas teorias delirantes de Bolsonaro, o vídeo foi épico. Para o restante do Brasil, o pornô-político palaciano é um drama. As instituições já têm elementos para trocar de canal.
Sábado, dia 17 de junho de 1972, 2h30. O arrombamento do Comitê Democrata em Washington, localizado no edifício Watergate, na capital dos Estados Unidos, vai mudar a história. Cinco homens são presos e, com eles, são apreendidos equipamentos de espionagem e dinheiro. O fato, inicialmente tratado como um episódio menor, marcou o início do caso Watergate, que desencadeou a renúncia de Richard Nixon dois anos depois, em grande medida graças ao trabalho investigativo da imprensa. "Sigam o dinheiro", foi a dica de 'Garganta Profunda', uma fonte mantida anônima por 33 anos, aos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, dupla do jornal "The Washington Post" que desvendou o esquema ilegal comandado pelo homem mais poderoso do mundo, direto do Salão Oval da Casa Branca. Mas o que foi Watergate, caso que foi citado recentemente em uma reunião no Palácio da Alvorada, em Brasília, quando se discutia se a gravação do encontro ministerial do dia 22 de abril deveria ser entregue ou não para o STF (Supremo Tribunal Federal)? Obstrução de Justiça, interferência em investigação, conspiração e perseguição política permeiam o caso. Isso lembra alguma coisa? O arrombamento no edifício Watergate, com ex-agentes da CIA, representou o fio de um novelo que, puxado pela imprensa, revelou a existência de um clandestino esquema de espionagem financiado pelo comitê de reeleição de Nixon -- o republicano, mesmo após o início das denúncias, foi reeleito, com uma votação esmagadora ainda em 72, vencendo em 49 dos 50 estados. A vitória nas urnas, no entanto, não interrompeu a marcha da história e, com tinta e papel jornal, a investigação avançou. Com conhecimento do presidente, o fundo secreto do comitê financiava uma série de atos de espionagem e sabotagem de agentes políticos, usando FBI (a Polícia Federal dos EUA) e a CIA como armas. Irrefreável, o caso chega ao Congresso em 1973, com uma CPI. Nas investigações, a Casa Branca entrega gravações feitas no Salão Oval, mas com trechos removidos. A defesa argumentou que o presidente teria -- em razão das prerrogativas do cargo -- direito de preservar informações, declarações confidenciais. Em 24 de julho de 1974, Nixon é julgado pela Suprema Corte, que obriga o homem mais poderoso do mundo a entregar a íntegra das gravações. Nenhum homem está acima da lei. Para fugir do impeachment, Nixon renuncia ao cargo em 9 de agosto -- uma situação inédita até hoje na democracia norte-americana, desde 1776. Como se vê, há paralelos entre 1972 e 2020, Washington e Brasília. Por aqui, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entregou a gravação, uma espécie de vídeo pornô-político tamanha a baixaria, ao STF. Ao lado de outros elementos e dos fatos, é evidente que interferiu junto ao Ministério da Justiça para proteger 'sua família e amigos'. Tão grave quanto. Admite ter um esquema paralelo, ilegal e particular de informações, que inclui vazamento de dados sobre operações policiais. Os operadores do esquema Watergate foram apelidados de 'encanadores'. Já por aqui, em um país em que o presidente acredita que é a Constituição e não compreende que é subordinado a ela, atuando como um "Luís 14 de meia tigela", Bolsonaro crê que está acima da lei. O nosso encanamento está cheio de ratos.
Após semanas de espera, o Brasil parou nessa sexta-feira para assistir o aguardado vídeo da reunião ministerial do governo Bolsonaro, realizada no dia 22 de abril e que integra o inquérito que investiga suposta interferência do presidente da República na Polícia Federal. E o que mostrou o vídeo? Com relação à investigação, acrescentou pouco. Não que ele não possa ser usado como prova da acusação feita pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Mas os principais trechos sobre o tema já eram conhecidos. Mesmo antes da divulgação do material, já sabíamos que que Bolsonaro havia reclamado que a "PF" não lhe dava "informações" e que havia dito que já tinha tentado "trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro", e que se não pudesse trocar, trocaria "o chefe dele", ou então "o ministro", e que não ia "esperar foder" a "família toda" dele, "ou amigos". Nesse ponto, o vídeo é apenas um dos elementos do caso. Bolsonaro tenta emplacar a inverossímil versão de que falava da equipe que faz a segurança da família dele no Rio. Mas as peças do quebra-cabeça mostram o contrário. Em fevereiro, por exemplo, o presidente já havia feito trocas na equipe que faz a segurança da família dele no Rio, sem nenhuma dificuldade. E, logo após Moro cair, conseguiu concretizar a mudança no comando da PF fluminense. Se tudo isso já era conhecido, por que o vídeo chocou quem o assistiu nessa sexta (com exceção dos bolsonaristas fanáticos)? Por todas as outras declarações. Ou pela falta delas. Por exemplo: em plena pandemia, nenhuma ideia concreta para enfrentar o vírus foi apresentada durante as duas horas de reunião. O vídeo deixou claro que não é apenas o presidente que não tem preparo para o cargo. O mesmo vale para os ministros. O da Educação sugeriu prender ministros do STF. A da Mulher, Família e Direitos Humanos falou em prisão de governadores. O de Meio Ambiente disse que a pandemia era uma oportunidade para "passar boiada" e aprovar novas regras para o setor. Isso sem falar no plano de Bolsonaro de armar a população para impedir que uma ditadura se instale no país. O vídeo explica bem porque, hoje, uma a cada quatro pessoas que morrem por Covid-19 no mundo é do Brasil. Estamos na mão de incompetentes..
Os números, cruéis e diretos, continuam a tentar, dia após dia, abrir os olhos daqueles que ainda insistem em ignorar o perigo do novo coronavírus. Nessa quinta-feira, pela segunda vez em uma semana, o Brasil ultrapassou a marca de mais de mil mortes em 24 horas. Foram 1.188 óbitos, o maior número registrado em um único dia no país. Ao todo, já são 20.047 mortes, ante um total de 310.087 infectados. Os números da evolução da Covid-19 são assustadores. Desde o primeiro caso confirmado, foram precisos 67 dias para o Brasil atingir a marca de 100 mil casos. Isso ocorreu no dia 3 de maio. Depois, foram necessários apenas mais 11 dias para a marca de 200 mil casos, batida em 14 de maio. E agora, uma semana depois, superou-se a marca de 300 mil casos, no dia 21. Dos 5.570 municípios brasileiros, 3.488 já confirmaram casos do novo coronavírus, o que representa 62,6% do total de cidades. Especialistas já preveem ao menos 120 mil mortes em decorrência da doença no país. Outra realidade evidenciada pelos números. O processo de interiorização da Covid-19. A doença, que primeiro assolou capitais, caminha a ritmo frenético rumo ao interior. Nossa região, por exemplo, tem percentual de aumento dos casos confirmados superior ao da Grande São Paulo, epicentro da doença no país. De 18 a 31 de março, a região registrou 42 casos. Em abril foram mais 530 registros, chegando à marca de 572 casos. E apenas nos 21 primeiros dias de maio, foram mais 1.010 casos, atingindo 1.582 registros positivos. Já são 70 mortes por aqui. É a hora de relaxar as regras de isolamento? Óbvio que não. Ignorar os números não é nada inteligente. A boa notícia dessa quinta foi o tom conciliador adotado por Jair Bolsonaro na reunião com governadores. Em nada lembrou o presidente beligerante que atuou desde o início da pandemia. Será que o capitão caiu em si? Será que irá parar de negar a realidade e começar, enfim, a liderar o país diante da maior crise da história recente? Ele nem citou as palavras 'cloroquina' e 'quarentena' durante a reunião. Em se tratando de Bolsonaro, é difícil acreditar que a mudança seja permanente. Talvez, acuado, o presidente tenha dado apenas uma fraquejada. Mas, em tempos sombrios, precisamos ter esperança. Tomara que o capitão aposente a figura do comandante tresloucado. Ou que, ao menos, deixe essa fantasia de lado até o fim da pandemia. O país está cansado de bater tristes recordes.
Os números são claros, como 2 + 2 = 4. Os casos do novo coronavírus avançam em marcha acelerada no interior de São Paulo, em um patamar acima do registrado na Grande São Paulo -- epicentro da crise da Covid-19 em nosso país. É matemática, sustentada por pesquisas e estudos científicos sérios. Quer uma amostra? Reportagem publicada por OVALE nesta quinta-feira aponta que o Vale do Paraíba teve, entre 30 de abril e 18 de maio, crescimento de 166% no número de casos confirmados, passando de 572 casos confirmados para 1.522. Na Grande São Paulo, o percentual de casos confirmados registrou 108% de aumento. Ao mesmo tempo, de forma ilógica e irresponsável, os municípios do interior têm apresentado queda na taxa de isolamento -- único 'remédio' conhecido para o achatamento da curva e combate à proliferação do vírus, que já matou cerca de 20 mil brasileiros. Não é 'gripezinha', não é 'resfriadinho' e não é hora de pensar em política, jogar para a torcida de olho nas urnas. “É hora de compreendermos a gravidade das circunstâncias que o Brasil e São Paulo estão enfrentando na pior fase do coronavírus desde a sua chegada”, disse o governador João Doria (PSDB). “É preciso que tenhamos consciência desta gravidade para evitar que mais brasileiros percam as suas vidas”. Na RMVale, que ultrapassou a marca de 1.500 casos confirmados, 9 das 11 cidades monitoradas pelo Simi (Sistema de Monitoramento Inteligente), do governo estadual, não atingiram a média de 55% de taxa de isolamento, índice considerado mínimo para conter a expansão da Covid-19. No Vale, a taxa mínima de 55% não foi alcançada por Caraguatatuba (51%), Cruzeiro (51%), Caçapava (50%), São José dos Campos (49%), Pindamonhangaba (49%), Jacareí (48%), Lorena (48%), Taubaté (47%) e Guaratinguetá (45%). O vírus avança para o interior, enquanto o interior, por conta própria, flexibiliza informalmente a quarentena, registrando quedas no isolamento. Os números são claros, como 2 + 2 = 4. Infelizmente, o saldo será contabilizado em vidas.  
Os tristes recordes não param de ser batidos no Brasil. Pela primeira vez, o país somou nessa terça-feira mais de 1.000 novas mortes por Covid-19. Em apenas 24 horas, foram acrescentados 1.179 óbitos, chegando a um total de 17.971 vítimas do vírus. Para efeito de comparação, apenas três países tiveram números maiores em um só dia: Estados Unidos (2.612), França (1.417) e China (1.290). Dois dos principais estados do Brasil também bateram tristes recordes nessa terça: São Paulo registrou 324 novas mortes em um dia e ultrapassou 5.000 óbitos; Rio de Janeiro somou 227 mortes e ultrapassou a marca de 3.000 óbitos. Os dados são contundentes. Só quem é negacionista não vê. A curva no Brasil continua a subir. Com 265.896 casos diagnosticados, já estamos em terceiro na lista de países como mais registros de Covid-19, atrás apenas de Estados Unidos (1.524.107) e Rússia (299.941). E, diante disso tudo, como se comporta o presidente do Brasil? Jair Bolsonaro continua a atuar de maneira irresponsável. No mesmo dia em que o país bateu esse triste recorde, o capitão disse, em uma de suas tradicionais lives, essa inacreditável frase: "quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda, toma tubaína". Com essa piada inadequada, Bolsonaro anunciou que nessa quarta-feira o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, assinará um novo protocolo para permitir o uso da cloroquina em pacientes em estágio inicial de contágio do coronavírus. Hoje, o protocolo adotado prevê o uso da droga somente por pacientes graves e críticos. Na mesma live, o presidente admitiu que, no futuro, pode-se chegar à conclusão de que o medicamento funcionou somente como uma espécie de placebo. Mas disse que, da mesma forma, a comunidade médica também pode chegar à descoberta de que a substância foi útil para curar os pacientes. Ou seja, mesmo que ainda não existam evidências científicas da eficácia da cloroquina para combater a Covid-19, Bolsonaro toma a irresponsável atitude de arriscar a vida dos brasileiros por puro cálculo político. Ele vê, na droga, um fator para impulsionar a tese de que as atividades econômicas podem ser retomadas. Afinal, na cabeça de Bolsonaro (e só na cabeça dele), a cura já existe. Ou o Brasil descobre uma cura para se livrar do vírus-Bolsonaro ou continuaremos a bater tristes recordes nos próximos dias.