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O governo do presidente Jair Bolsonaro não tem credenciais democráticas. Inepto para a Presidência da República, incapaz de entender os princípios basilares de uma democracia, o capitão flerta constantemente com o sombrio autoritarismo, com o objetivo vil de impor uma ditadura de seu pensamento obtuso. “Eu sou a Constituição”, vociferou o encastelado ocupante momentâneo do Palácio do Planalto, em 20 de abril, em uma versão tosca, rudimentar e semiletrada de Luís 14. Embriagado pela sede de poder, Bolsonaro ataca a democracia, a imprensa livre, a ciência, a saúde pública, a liberdade das instituições e a verdade. Em 694 dias de desgoverno, ele deu 1938 declarações falsas ou distorcidas, torturadas por sua narrativa irresponsável e fictícia. É o que aponta o levantamento do site Aos Fatos, uma das referências de checagem de dados no Brasil. A média supera duas inverdades por dia. A última delas, dita na live de quinta-feira à noite, ultrapassa qualquer limite. O presidente afirmou que "não existe vídeo ou áudio" em que tenha chamado a Covid-19 de "gripezinha". Bolsonaro, que chegou a dizer que a doença mataria “umas 700 pessoas” no país, no entanto, usou o termo ao menos duas vezes ao longo da pandemia que já matou mais de 171 mil pessoas no Brasil. "No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado com o vírus não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como disse aquele famoso médico daquela famosa televisão", disse o mandatário em 24 de março. Bolsonaro ataca a imprensa como quem culpa o carteiro pelo teor da mensagem. E pior. Ele busca, inclusive usando-se da destinação sem critério de verba publicitária, minar a credibilidade da imprensa livre para poder, assim, impor sua distorcida versão dos fatos. Nesta sexta-feira, OVALE, principal veículo de imprensa da RMVale, líder no impresso e nas plataformas digitais, foi impedido de acompanhar a visita de Bolsonaro a Guaratinguetá. Desde o final de 2018, ainda antes da posse de Bolsonaro, OVALE tem acompanhado as visitas do presidente à Escola de Especialistas. A credencial não foi negada em nenhuma delas. Na véspera do evento desta sexta, no entanto, a credencial foi reprovada pela Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) da Presidência da República. A justificativa é que a documentação do repórter Xandu Alves cadastrada no sistema do governo federal está desatualizada. A Presidência não informou, contudo, qual documento está desatualizado, haja vista exigir seis diferentes documentos para o cadastro, como RG, CPF e registro profissional. Todos os documentos de OVALE estão devidamente inscritos no sistema federal sem qualquer restrição ou mensagem de desatualização. Também não há qualquer item invalidado. Questionada sobre a reprovação da credencial, a Presidência da República não informou ontem quais documentos deveriam ser atualizados. A medida é uma afronta à imprensa livre e à democracia. OVALE mantém o compromisso de imprimir, em todas as plataformas, o seu DNA editorial e ético, baseado em um jornalismo livre, independente, crítico, plural e apartidário. Estamos credenciados para isso, presidente.
Em média, a cada 15 minutos as forças de segurança pública recebem uma queixa de fluxo nas ruas de São José dos Campos. O número é assustador. Entre os meses de janeiro e novembro, foram 29.637 recebidos chamados, de acordo com a Polícia Militar. Além do som alto, há denúncias a respeito do uso de drogas e consumo de álcool por adolescentes, além de vídeos mostrando até criminosos armados, em cenas que lembram o Rio de Janeiro. O problema, infelizmente, não é novo e se agravou durante a pandemia, acrescendo então outro fator preocupante, o desrespeito às regras de isolamento social, imprescindível contra a disseminação da Covid-19. Em reportagem publicada em 1º de agosto, OVALE revelou que o número de reclamações e denúncias de fluxos tiveram aumento de 427% entre 24 de março e 29 de julho, comparado ao mesmo período de 2019. O bailes de rua são focos de violência, como se viu recentemente em São José e Taubaté -- na zona sul joseense, um homem de 24 anos foi morto a tiros após tirar satisfação sobre um fluxo que ocorria em frente da sua casa no Campo dos Alemães; em setembro, também no Campo, um jovem de 19 anos já havia sido assassinado durante um fluxo; em Taubaté, dois jovens foram mortos no último dia 15 na praça Santa Terezinha, após confusão durante um ‘fluxo’ (uma vítima foi morta a facadas e garrafadas e a outra por linchamento). É preciso restabelecer a ordem. Nesta terça-feira, o prefeito Felicio Ramuth (PSDB) anunciou uma ofensiva contra fluxos em conjunto com as forças de segurança da cidade. A operação inclui o fechamento antecipado de adegas e o reforço de guardas na região oeste. Pelo projeto, as adegas passam a fechar às 20h. Mercados que atuem como adegas e estejam a um raio de proximidade de fluxos, devem ser fiscalizados e, possivelmente, autuados da mesma forma. Até aqui, a força-tarefa criada pelo Poder Público tem apenas enxugado gelo. Inibe um fluxo aqui, outro acontece ali. Para o combate ao problema, é preciso agir a curto, médio e longo prazo. A inteligência policial, mapeando os pontos e monitorado os grupos, é fundamental, assim como a presença ostensiva da segurança pública nas áreas. A ação administrativa é importante, com multas e outras sanções, como fechamento de estabelecimentos. A longo prazo, paralelamente a essas medidas, é preciso criar melhores condições de lazer nas periferias, com alternativas à balbúrdia dos fluxos.
Histórica. A eleição de 2020 entra para a história da política de Taubaté. Pela primeira vez desde 1982, a segunda maior cidade da RMVale não será governada por um membro da família Ortiz ou alguém indicado ao cargo por ela. Neste longo período, durante os 38 anos que separam a primeira eleição de Bernardo Ortiz e a derrota de Eduardo Cursino (PSDB) em 2020, indicado à sucessão por Ortiz Junior (PSDB), o clã só havia perdido uma vez, no pleito de 2008, vencido por Roberto Peixoto, que buscava a reeleição -- Peixoto, porém, vale lembrar, foi vice-prefeito de Bernardo (entre os anos 2001 e 2004) e apoiado pela família em 2004, ano em que foi conduzido a primeira vez ao Palácio do Bom Conselho. Bernardo governou a cidade entre 1983 e 1988, quando indicou Salvador Khuriyeh como o seu sucessor -- Salvador, que em 2020 foi candidato a prefeito pelo PT, administrou de 1989 até 1992, rompendo com o antecessor. Na eleição seguinte, Bernardo venceu, realizando o seu segundo mandato entre 1993 e 1996. Na sequência, Antonio Mário Ortiz elegeu-se com o apoio de Bernardo, com quem se desentendeu. Bernardo voltou a governar, agora entre o ano de 2001 e 2004, fazendo Peixoto seu sucessor. Após brigarem, Peixoto se reelegeu em 2008, derrotando Padre Afonso Lobato (PV) e Ortiz Junior (PSDB) -- este último, seria eleito em 2012 e depois 2016. E agora? Quem comandará a cidade? Agora, em 2020, a boa avaliação do governo de Ortiz Junior (50%) não foi suficiente para garantir a ida do Cursino nem para o segundo turno. José Saud (MDB) e Loreny (Cidadania) disputam quem será o próximo ocupante do Bom Conselho. Saud obteve 28,81% dos votos válidos (41.201 votos) e Loreny ficou com 25,40% (36.333 votos). Cursino ficou em terceiro, com 23,74% (33.960 votos). Na sequência ficaram: Capitão Souza (PRTB), com 13,35%; Salvador Khuriyeh (PT), com 6,48%, Fabiano Vanone (Podemos), com 0,88%; Professor Ronaldo (PSOL), com 0,58%; Professor Fernando Borges (PCdoB), com 0,31%; Dodô (PTC), com 0,29%; e Chico Oiring (PSC), com 0,14%. De acordo com pesquisa Ibope, divulgada pela TV Vanguarda na noite da última sexta-feira, Saud teria 40% dos votos contra 38% de Loreny no segundo turno -- empate técnico, já que o levantamento tem margem de erro de 4 pontos para mais ou para menos. O cenário, portanto, mostra-se ainda indefinido. Como dizem 10 entre 10 especialistas em política, segundo turno é uma nova eleição. Na reta final da corrida ao Bom Conselho, até a votação no próximo dia 29, a vitória vai ser conquistada pelo candidato que tiver construído mais pontes do que muros. É hora de conquistar eleitores que no primeiro turno optaram por outros nomes, construir apoios e alianças. Saud busca a construção da narrativa, usada nos dias que antecederam a votação, de que é o candidato capaz de “derrotar a esquerda”. Mesmo sem acenar para Ortiz, para não reforçar o comentário de que teria entrado na briga como linha alternativa do atual prefeito, Saud poderá herdar fatia considerável do eleitorado tucano -- há mais semelhanças entre Saud e Cursino do que entre Cursino e Loreny. Capitão Souza, com seus 13,35%, representa um eleitor de direita. Apesar de ser elogiado nos bastidores até por adversários, Salvador sofreu o impacto do derretimento do PT, com a rejeição ao partido. O eventual apoio do PT fará mais bem ou mal para Loreny, que tem sido taxada de “esquerda” pelo adversário? Loreny diz não ser de direita e nem de esquerda, e sim “para frente”. A candidata aposta na confronto das propostas, mostrando a desenvoltura da postulante à prefeitura em debates e sabatinas, comparando-a com Saud. Que ela tem mais facilidade para se expressar, é fato, é notório. Mas isso já era assim no primeiro turno, não? Mesmo assim, o emedebista obteve mais votos. Isso vai ser suficiente para ela conquistar os outros nichos eleitorais, inclusive aqueles mais conservadores, e vencer no dia 29? O debate na TV Band Vale, realizado em parceria com OVALE, vai ser o primeiro embate no segundo turno e uma boa oportunidade para que o eleitor compare os dois. Ele acontece na noite desta quinta-feira, às 22h45, com a transmissão ao vivo também no site e nas páginas sociais do jornal. Saud ou Loreny? Quem ocupará o Palácio do Bom Conselho a partir de 1º de janeiro?
“Política é como uma nuvem. Você olha, ela está de um jeito, olha de novo e ela já mudou”. Clássica, a frase lapidar de Magalhães Pinto (1909-1996), ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente do Senado entre as décadas de 1960 e 1970, é ainda mais atual e verdadeira hoje, com a velocidade vertiginosa da informação. E o que são as pesquisas eleitorais? São a fotografia deste firmamento político, o retrato de um momento. E o que revelam os últimos levantamento sobre a corrida eleitoral em São José dos Campos e Taubaté? As pesquisas Ibope divulgadas na noite de sexta-feira, contratadas pela TV Vanguarda, dão o panorama da reta final da briga pelo voto nos maiores colégios eleitorais da região. Em São José, como sinalizaram já nos meses de junho (período pré-eleitoral) e outubro (já durante a campanha, em parceria com a TV Band Vale) os dois levantamentos de OVALE, realizados pelo instituto Paraná Pesquisas, o candidato Felicio Ramuth (PSDB) é favorito ao Paço Municipal e tem chances reais de se reeleger em primeiro turno. O tucano tem 49% das intenções de voto. Nos votos válidos -- excluídos os brancos, nulos e indecisos --, ele teria 54%. Para ser eleito no primeiro turno, ele precisa atingir 50% mais um dos votos válidos. Considerando só os votos válidos, Coronel Eliane Nikoluk (PL) ficaria com 13%, Wagner Balieiro (PT) com 10%, Renata Paiva (PSD) com 8%, Anderson Senna (PSL) com 7%, Dr. Cury (PSB) com 3%, Marina Sassi (PSOL) com 2%, Professor Agliberto (Novo) também com 2% e João Bosco (PC do B) com 2%. Raquel de Paula e Luiz Carlos de Oliveira, respectivamente do PSTU e PTC, têm com 0%. A margem de erro é de quatro pontos para mais ou para menos. Outro ponto a ser destacado no levantamento é o aumento na aprovação da gestão Felicio, que de outubro para novembro saiu de 64 para 69%; já o índice de desaprovação teve uma queda, indo de 31 para 26%. Em Taubaté, cidade que vive um cenário semelhante ao da eleição de 2008, quando os três primeiros colocados disputando a vitória voto a voto (Roberto Peixoto foi reeleito com 33% e deixou para trás Padre Afonso Lobato e Ortiz Junior, com 32% e 30%), a avaliação foi para o caminho contrário. A administração do tucano Ortiz Junior, que tenta emplacar Eduardo Cursino como sucessor, tem aprovação de 50% -- em outubro eram 56%. E a desaprovação cresceu, passando de 39% para 43%. Isso ajuda a explicar o fato da candidatura de Cursino não ter decolado faltando só 48 horas para o início da votação, desafiando a tradição e hegemonia da família Ortiz. De acordo com o Ibope, os três primeiros colocados na corrida ao Bom Conseho -- Loreny (Cidadania), José Saud (MDB) e Eduardo Cursino (PSDB) -- estão em empate técnico. Loreny tem 27% de intenções de votos válidos, seguida por Saud (MDB), com 23%, e por Eduardo, com 22%. A margem de erro da pesquisa é de 4% para mais ou para menos, o trio aparece tecnicamente empatado. A pesquisa ainda mostra Capitão Souza (PRTB), com 12%; e Salvador Khuriyeh (PT), com 11%, empatados na quarta colocação. Fabiano Vanone (Podemos), Professor Fernando Borges (PCdoB), Professor Ronaldo (PSOL) e Dodô (PTC) tiveram 1% das intenções de voto. Chico Oiring (PSC) não chegou a 1%. Traduzindo: está tudo em aberto. A velocidade da informação e a rapidez da mobilização via redes sociais, inclusive com uso de WhatsApp para compartilhamento de ataques, não permitem a cristalização do resultado da pesquisa. Agora é hora do esforço final. Após a divulgação do resultado, o PSDB, que esperava ter Eduardo já na dianteira, fez uma reunião de emergência no Quiririm, para discutir a estratégia final. Saud tem ido aos bairros, além de explorar nas redes sociais outro ponto do levantamento Ibope, de que derrotaria os dois concorrentes diretos em um eventual segundo turno. Para Loreny, caso a tendência de segundo turno se confirme, é hora de pensar na construção de pontes, derrubando muros e projetando apoios para o segundo round. Certamente, haverá segundo turno. Isso é o que dizem os números. Agora, resta ouvirmos a voz das urnas.
Em meio às ondas tsunâmicas de fake news, que ameaçam a democracia, a informação de qualidade conquistou ainda mais relevância. Tornou-se ainda mais imprescindível. Isso pode ser constatado claramente no processo eleitoral deste ano, tão modificado graças à pandemia do novo coronavírus. Com as restrições às campanhas de rua, a eleição deste ano está sendo a mais digital da história. OVALE, maior veículo de comunicação da RMVale e líder absoluto de alcance e engajamento, combate a desinformação com mais conteúdo, imprimindo seu DNA, seja nas plataformas impressas ou digitais, com a tradição renovada de jornalismo livre, independente, crítico, plural e apartidário. Na maior cobertura de sua história, capaz de cobrir a maior eleição já realizada nas cidades do Vale do Paraíba, OVALE promoveu oito debates em parceria com a TV Band Vale, mais de 30 entrevistas gravadas com os candidatos a prefeito de São José dos Campos, Taubaté e Jacareí, sabatinas, além de conteúdos exclusivos, como os vídeos do ‘De olho no voto’ e ‘Propostômetro’ -- uma ferramenta que informa ao leitor, de maneira prática e rápida, quais são as propostas dos postulantes ao Poder Executivo. Além da cobertura diária, que esquadrinha o xadrez eleitoral, OVALE manteve a tradição de trazer aos leitores informações de pesquisas eleitorais confiáveis. Em 2020, foram duas, em junho e outubro, ambas com o Instituto Paraná Pesquisas, sendo a última em parceria com a TV Band Vale. A primeira foi decisiva para redefinição do grid de largada para a prefeitura de São José e a segunda, confirmada dias depois pelo levantamento Ibope/TV Vanguarda, mostrou o cenário na corrida pelo Paço Municipal, sendo definitiva para mudança de rumos e estratégias de campanha. Nesta reta final da eleição, com primeiro turno previsto para o próximo dia 15, OVALE vai ao campo de jogo com o melhor jornalismo da RMVale, preparando um guia do voto na região, além de acompanhar, em tempo real, a apuração e a repercussão da voz das urnas. Que triunfe a democracia, tão atacada nos últimos tempos. Este é o nosso voto.
Desgovernado, personificando uma mistura incendiária entre Incitatus e Nero, o presidente Jair Bolsonaro é -- inapelavelmente -- o maior aliado da Covid-19 na pandemia que já matou mais de 162 mil brasileiros e contaminou 5,7 milhões de pessoas no Brasil. Diante do maior desafio sanitário dos últimos 100 anos, o país está à deriva, caminhando na direção de um futuro incerto. Não há capitão e muito menos presidente. Bolsonaro é incapaz de liderar a nação, fazendo questão de agredir a democracia, os fatos, a ciência, a liberdade, a imprensa, o bom senso, a lógica e a inteligência dos brasileiros. Negacionista contumaz, inimigo do conhecimento e apaixonado pela ignorância, Bolsonaro, que chegou a demitir dois ministros da saúde em um mês porque eles queriam respeitar a ciência, tem responsabilidade direta na tragédia da Covid-19. Inicialmente, minimizou o risco, dizendo que o novo coronavírus representava uma espécie de “gripezinha”, um “resfriadinho”, que mataria “umas 800 pessoas”. Depois, quando viu que governadores haviam assumido o protagonismo do combate à pandemia, frente à inércia do Palácio do Planalto, passou a atacar o isolamento social, incutindo em parcela considerável da população uma falsa dicotomia entre saúde e economia -- na prática, fazendo um cálculo político, o capitão à deriva buscava apenas responsabilizar rivais pela crise. Como efeito, ele provocou o derretimento do isolamento social. De olho em 2022, como mostra desde 1º de janeiro de 2019, Bolsonaro tem uma meta clara e egoísta: a própria reeleição. E por isso, acenando à sua barulhenta militância digital, que ignora toda e qualquer evidência de que o “mito” trata-se de uma falácia, o presidente ataca a OMS (Organização Mundial de Saúde), irresponsavelmente torna-se garoto-propaganda de remédio com eficácia não comprovada e politiza o desenvolvimento de vacinas. Nesta terça-feira, em um dia infame para a história do Brasil, Bolsonaro voltou a afirmar que a pandemia foi “superdimensionada” no país. E mais: desrespeito, de novo, as vítimas. "Tudo agora é pandemia, tem que acabar com esse negócio. Lamento os mortos, lamento. Todos nós vamos morrer um dia, aqui todo mundo vai morrer. Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas", afirmou no Palácio do Planalto. Na mesma cerimônia, o presidente insinuou usar pólvora -- aliás, uma invenção chinesa -- contra os Estados Unidos, caso Joe Biden cumpra o seu compromisso de campanha e faça pressão contra o crime ambiental em curso na Amazônia e no Pantanal. “Apenas a diplomacia não dá, não é, Ernesto [Araújo, ministro das Relações Exteriores]? Quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, senão, não funciona. Não precisa nem usar pólvora, mas tem que saber que tem. Esse é o mundo”, proferiu o Nero do Planalto. É fato. O Brasil precisa vacinar-se. Contra a Covid-19, assim que uma vacina, seja ela qual for, estiver aprovada pelos órgãos reguladores. E precisa vacinar-se contra Bolsonaro. O capitão à deriva prega o autoritarismo, tortura os fatos, nega a ciência e o conhecimento, arvorando-se na ignorância absoluta e em preconceitos inaceitáveis. A vacina contra Bolsonaro chama-se democracia.
Máscara. Capaz de reduzir em 40% o número de casos de Covid-19, doença que já matou 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo, o uso de máscara foi definido pelo democrata Joe Biden, presidente eleito dos Estados Unidos, como o símbolo da batalha pela reunificação do país, a maior potência do mundo -- e, graças à péssima gestão de Donald Trump, que recusou-se inclusive a usar o item de proteção inúmeras vezes, país com maior número de vítimas pelo novo coronavírus (10,1 milhão de casos e 238 mil mortes). Trump, que recusa-se a aceitar a derrota nas urnas, tem responsabilidade direta na tragédia que assola os EUA. O republicano, diante da maior crise sanitária dos últimos 100 anos, foi o maior aliado do vírus em solo norte-americano. No começo, tendo informações sobre a letalidade da doença, Trump minimizou a Covid-19, adotou um discurso negacionista. “O coronavírus está sob controle nos EUA”, disse Trump no dia 24 de fevereiro. “Temos um número muito pequeno de pessoas infectadas neste país. E nós somos um país grande”, afirmou em 4 de março. “Não, não estou nada preocupado”, declarou ainda naquele mês. E, nem mesmo com o agravamento da crise, o atual ocupante do Salão Oval da Casa Branca mudou o tom falacioso de combate à pandemia. “Talvez as máscaras não sejam assim tão boas”, proferiu o presidente derrotado em agosto. Máscara. Defesa de medicamentos sem comprovação científica, cruzada contra o isolamento social e o uso de máscara, conflitos com a OMS (Organização Mundial da Saúde), desrespeito total à ciência. Seria a descrição da face de Trump ou da máscara de Jair Bolsonaro, presidente brasileiro que, mesmo tendo sido criticado pelo norte-americano no combate à pandemia, adota uma posição servil em relação à Casa Branca? Cara de um, focinho de outro. Negacionista contumaz, Bolsonaro tem responsabilidade direta pela tragédia do coronavírus no Brasil -- o país já perdeu 162 mil vidas e acumula 5,6 milhões de casos confirmados. Tal como Trump, o brasileiro vestiu a máscara da ignorância, do negacionismo, do combate à ciência e à medicina, de olho em seu projeto de poder. Desde a posse, Bolsonaro governa de olho em 2022. Com a falsa dicotomia entre saúde e economia, o presidente, que chegou a projetar que a pandemia mataria “umas 800 pessoas” no Brasil, fez derreter o isolamento social e omitiu-se da responsabilidade de guiar o país no enfrentamento à crise. Agora, trata a vacina como política. Via Facebook, Bolsonaro compartilhou as razões que justificariam a suspensão dos testes da vacina Coronavac pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Nas redes sociais, ele compartilhou a decisão que interrompeu testes do imunizante contra a Covid-19, criada pelo Instituto Butantan, do governo de São Paulo, em uma parceria com o laboratório chinês Sinovac. Em uma resposta a um internauta, Bolsonaro afirmou que "ganhou" do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), virtual adversário em 2022. "Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha", escreveu o presidente. O Instituto nega problemas com a vacina, dizendo que a morte de um voluntário não possui relação com o medicamento, criticando o uso político da questão. Como pode um presidente celebrar um suposto revés na corrida por uma vacina que poderá salvar vidas? A resposta é simples: Bolsonaro só pensa na corrida de 2022.
Em tempos de crise, os tolos erguem muros. Os sábios constroem pontes. Os Estados Unidos, como evidenciam as urnas, em uma das eleições mais acirradas e polêmicas da história, são hoje um país desunido. Ou melhor, dividido. E essa divisão não refere-se apenas a azuis e vermelhos, democratas e republicanos. Não à toa, esse foi o tom do discurso de Joe Biden, presidente eleito da maior potência global após a vitória sobre Donald Trump. O democrata, que obteve a maior votação da história dos EUA, afirmou que é tempo de curar o país, uni-la. “Eu garanto que vou ser um presidente que não quer dividir, mas unificar. Que não vê estados vermelhos ou azuis, mas que vê os Estados Unidos”, declarou. Em seu discurso, que indica ao planeta as coordenadas de seu governo, Biden lembrou que é preciso construir pontes e não muros para a reconstrução da América. “É hora de baixar a temperatura, de ouvir um ao outro e de fazer progressos para tratar os oponentes não mais como nossos inimigos. Não são nossos inimigos. São americanos. A Bíblia nos diz que para tudo há um tempo, para construir, plantar, colher, curar. E este é o tempo de curar na América. Nossa campanha acabou e os americanos nos chamaram para que marchemos juntos com a força da Justiça, da ciência e as forças da esperança", disse Biden, que prometeu governar para todos os norte-americanos. Se as palavras tornarão-se realidade, só o tempo dirá. No entanto, o democrata discursa contra a estratégia adotada por Trump, e compartilhada por outros líderes populistas de extrema-direita, como o brasileiro Jair Bolsonaro, de manter a temperatura alta, apostando na crescente polarização e no confronto. Na construção de muros. Outros pontos importantes nas falas de Biden foram as referências à ciência e à Justiça, em um momento de crescente negacionismo e da imposição de narrativas falsas. "Esta noite o mundo inteiro está olhando para a América. Eu acredito no nosso melhor. A América é um farol para o mundo com o seu melhor. Nós vamos liderar não apenas pelo exemplo do nosso poder, mas também pelo poder do nosso exemplo", afirmou Biden. Que o mundo livre troque os muros pelas pontes, o ódio pelo diálogo e o farol, antes repleto de escuridão, retome sua tradição iluminista, com respeito ao meio ambiente, à justiça e à ciência.
O ano é 1907. Durante a 2ª Conferência da Paz, na Holanda, Rui Barbosa (1849-1923) é aclamado após discursar a favor da defesa da igualdade e da soberania dos países. Representante de uma nação periférica, que buscava posicionar-se globalmente, em meio à Doutrina Monroe, com o lema expansionista “América para os americanos” pregado pelos emergentes EUA, e ao imperialismo europeu, o diplomata teve atuação destacada ao defender a paridade. No discurso, que rendeu-lhe o apelido “Águia de Haia”, em referência à cidade holandesa em que a conferência ocorreu, o intelectual brasileiro declarou: “A soberania é o direito elementar por excelência dos Estados independentes e constituídos. Ora, soberania significa igualdade. Tanto na ideia, como na prática a soberania é absoluta. Ela não sofre gradação. Mas a distribuição jurisdicional do direito é um ramo da soberania. Portanto, se parece necessário existir entre os Estados um órgão comum de justiça, obrigatoriamente, todos deverão ter uma representação equivalente”. A conferência foi decisiva para a criação do conceito do multilateralismo, marca histórica da diplomacia do Brasil desde então… até a posse de Jair Bolsonaro na Presidência. O presidente é uma ruptura histórica na diplomacia brasileira, transformando Brasil em pária internacional, graças à tragédia ambiental sem precedentes, ao fracasso no enfrentamento à Covid-19, à defesa de regimes totalitários e ao comportamento preconceituoso, atingindo indígenas e minorias. Em relação aos EUA, ou mais precisamente ao republicano Donald Trump, o Brasil (ou o governo Bolsonaro, adota a postura de submissão absoluta. Não há uma relação de Estado, é um compadrio, uma camaradagem entre amigos. Obviamente, uma amizade unilateral -- a verdade é que, na prática, Trump tem se aproveitado da bajulação bolsonarista, com pouco ou quase nada sendo dado em troca. De forma bizarra e irresponsável, Bolsonaro manifestou o apoio à reeleição do amigo. Agora, em meio à corrida eleitoral em Washington, no Itamaraty a orientação é de não tecer comentários caso o democrata alcance os 270 votos no colégio eleitoral, número que daria a vitória ao opositor de Trump. De acordo com o jornalista Jamil Chade, do UOL, se Trump acionar a Justiça para, mesmo sem prova alguma, contestar o resultado, o Brasil manterá a “lealdade” ao republicano, evitando reconhecer a vitória do democrata, preferindo esperar a batalha jurídica. Não restam dúvidas. Bolsonaro serve aos interesses de Trump, não aos do Brasil.
Estados Desunidos da América. Independentemente do resultado das urnas, em uma disputa voto a voto que atrai a atenção de todo o planeta, a maior potência global é hoje um Estado dividido. Seccionado política, econômica e socialmente.Ao invés da busca pela união, a tentativa de ruptura. E fica ainda pior. O comportamento errático do republicano Donald Trump, que autoproclamou-se o vencedor do pleito e ameaçou ir à Suprema Corte para interromper a contagem dos votos, é um sopro autoritário e antidemocrático que, infelizmente, poderá vir a ser seguido por outros líderes populistas de extrema-direita mundo afora -- basta lembrar, por exemplo, que Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas em 2018, mesmo tendo vencido a corrida presidencial brasileira. A atitude de Trump, já habituado ao papel de bufão e ao uso de narrativas distorcidas sobre a realidade, é um duro golpe à democracia dos Estados Unidos -- e, por consequência, em todo o planeta. O país, “lar dos bravos” que já foi chamado de líder do mundo livre, acarreta um efeito dominó, tanto com bons quanto com maus exemplos. Isso ocorre desde o século 18, desde a independência dos Estados Unidos, em 1776, tendo como base ideais iluministas, a defesa do livre comércio e das liberdades individuais, até as ondas de avanço de líderes de extrema-direita após a eleição de 2016, em meio ao tsunami de fake news e uso ilegal de dados. Subserviente à Casa Branca, Bolsonaro, que declara sem pudor “torcer” por Trump, afirmou que a disputa em Washington é um laboratório para 2022. "É inegável que as eleições norte-americanas despertam interesses globais, em especial, por influir na geopolítica e na projeção de poder mundiais", escreveu Bolsonaro no Twitter. "Até por isso, no campo das informações, há sempre uma forte suspeita da ingerência de outras potências no resultado final das urnas. No Brasil, em especial pelo seu potencial agropecuário, poderemos sofrer uma decisiva interferência externa, na busca, desde já, de uma política interna simpática a essas potências, visando às eleições de 2022." Assim como Trump, Bolsonaro busca desacreditar a imprensa e a própria democracia, para tentar impor uma narrativa deturpada da realidade, além de alimentar a militância. Espera-se que, independentemente do vencedor, a corrida pelos votos nos Estados Unidos ocorra em absoluto respeito à lei, à verdade, à liberdade e à democracia. “A democracia pode sucumbir em qualquer lugar, até nos EUA”, escreveu em editorial, dois dias antes da eleição, o jornal Financial Times. O mundo está em alerta.