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A Embraer negocia com bancos um pacote de resgate de cerca de US$ 600 milhões (cerca de R$ 4 bilhões) que incluirá apenas instrumentos de dívida, sem possibilidade de os credores ficarem com participação acionária na empresa, disseram duas pessoas a par do assunto. A informação foi inicialmente divulgada pelo  portal de notícias UOL. De acordo com a publicação, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fornecerá cerca de 50% do empréstimo, enquanto o restante será financiado por um conjunto de bancos comerciais, incluindo o Banco do Brasil, o Banco Santander Brasil SA e o Banco Bradesco SA, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificados porque as discussões são privadas. A equipe econômica não quer que a Embraer volte às mãos do governo e organiza o empréstimo sindicalizado para ajudar a fabricante de aviões após o fracasso do acordo com a Boeing. O prazo em discussão para a dívida é de dois a três anos, disse uma das pessoas. Os termos ainda não estão definidos e podem incluir um compromisso de preservar empregos. O governo ainda detém a chamada "golden share" na Embraer, mesmo tendo vendeu o controle da empresa em 1994. Em nota, a Embraer afirmou que a empresa, o BNDES e outros bancos, no Brasil e no exterior, "estão discutindo propostas de financiamento, principalmente uma voltada para financiamento ao capital de giro para exportações (BNDES Pré-Embarque), que não altera o atual quadro acionário da Companhia, provendo capital de giro, reforço de capital e possibilitando a melhoria do perfil de endividamento." 
A companhia aérea Azul fechou nesta quarta-feira um acordo com a Embraer para o adiamento da entrega de 59 aeronaves do modelo E2. Com preço avaliado em R$ 24,5 bilhões, a encomenda faz parte de um pedido de 75 aviões feito antes da crise no setor provocada pela pandemia do novo coronavírus. Cinco já foram entregues. As entregas estavam previstas para ocorrer entre 2020 e 2023. Com o adiamento, ficam para depois de 2024. Segundo a empresa, a negociação não exigiu contrapartidas financeiras, mas o compromisso de que as compras serão mantidas após a retomada da economia. "A Embraer é parceira nossa, e a saúde da Azul é importante para a Embraer", afirmou o diretor executivo da Azul, John Rodgerson, em entrevista à Reuters. "Eles querem que a gente seja saudável e estão nos ajudando a passar pela crise." Para conter a disseminação do coronavírus, vários países adotaram medidas de restrição à circulação de pessoas, inclusive com a proibição da entrada de estrangeiros. As restrições, somadas ao temor de contágio dos passageiros, fizeram do setor aéreo um dos mais afetados pela pandemia. Perda global de US$ 314 bi A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) estima que a crise vai gerar uma queda de 55% no faturamento das companhias aéreas este ano, o que representaria uma perda de US$ 314 bilhões. A própria Azul, por exemplo, registrou queda de 90% no tráfego de passageiros em abril, frente ao mesmo mês de 2019. A colombiana Avianca Holdings, segunda maior companhia aérea da América Latina, entrou com pedido de recuperação judicial no último domingo e corre o risco de se tornar a primeira grande empresa do setor a sucumbir à crise provocada pelo coronavírus. Antes da pandemia, a Azul estava recebendo de 15 a 20 aeronaves da Embraer por ano. Com o acordo de adiamento, os jatos serão entregues em 2024, 2025, 2026 e 2027. "Gostamos muito da aeronave, sinto tristeza em fazer isso, mas estamos em tempos difíceis no mundo e precisamos proteger a companhia. É mais uma proteção para a Azul", afirmou Rodgerson. O acordo de adiamento de entregas com a Embraer foi o primeiro fechado pela Azul, que negocia com as fabricantes ATR e Airbus, além de fornecedores de motores. Segundo Rodgerson, a intenção é adiar "o máximo possível". "Todo mundo vai ter que ajudar, porque somos um cliente muito importante", afirmou o executivo. "Estamos negociando para postergar o máximo possível, porque não sabemos como vai ser o mundo lá na frente." Em comunicado, a Embraer ressaltou que "embora as mudanças afetem as entregas projetadas em 2020, não houve nenhum cancelamento". Segundo a fabricante, "alguns clientes solicitaram" a revisão do fluxo de entregas de aeronaves, "como resultado da crise sem precedentes no transporte aéreo em virtude do surto de Covid-19". "A aviação regional tem sido um elemento-chave para manter os serviços essenciais e a malha aérea durante a crise e já é possível observar algumas companhias aéreas retomando gradualmente os voos comerciais usando E-Jets", afirmou a Embraer. "A Embraer continua a apoiar totalmente seus clientes e está confiante de que o E-Jets terão um papel essencial na recuperação do setor aéreo".