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O Brasil completa neste sábado a semana mais letal da pandemia, com mais de 10 mil mortos pela doença nos últimos sete dias — foram 10.183 vítimas. Também neste sábado o país bateu, pelo oitavo dia consecutivo, o recorde de média móvel de mortes: 1.455. O cálculo é 40% maior do que o registrado duas semanas atrás. Nas últimas 24h, o país contabilizou 1.498 óbitos, elevando para 264.446 o total de vidas perdidas para o novo coronavírus. Os dez dias com maior média móvel de mortes por Covid-19 no Brasil: 06/03/2021 com média de 1.455 mortes 05/03/2021 com média de 1.423 mortes 04/03/2021 com média de 1.361 mortes 03/03/2021 com média de 1.332 mortes 02/03/2021 com média de 1.274 mortes 01/03/2021 com média de 1.223 mortes 28/02/2021 com média de 1.208 mortes 27/02/2021 com média de 1.180 mortes 25/02/2021 com média de 1.150 mortes 26/02/2021 com média de 1.148 mortes Desde as 20h de sexta-feira, foram 67.477 novos contágios notificados pelas secretarias de saúde, totalizando 10.939.320 infectados pelo Sars-CoV-2. A média móvel foi de 61.527 diagnósticos positivos, 29% maior do que o cálculo de 14 dias atrás. A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão. Vinte estados atualizaram seus dados sobre vacinação contra a Covid-19 neste sábado, totalizando 8.135.403 imunizados coma primeira dose, o equivalente a 3,84% da população brasileira. A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 2.686.585 pessoas, ou 1,27% da população nacional. Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.
À frente de uma prefeitura com sérios problemas de caixa, Eduardo Paes (DEM-RJ) chega ao terceiro mês de governo se equilibrando para manter um bom relacionamento com o presidente Jair Bolsonaro, mas sem abandonar pautas como medidas restritivas para conter o avanço da Covid-19. O tema tem irritado a família do titular do Palácio do Planalto. A fim de equalizar essa relação, Paes conta com o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), articulador político da família, como principal aliado. Foi numa ligação por vídeo com o parlamentar que o prefeito do Rio falou com o presidente pela primeira vez após ser eleito. No início deste mês, Paes reencontrou Flávio durante cerimônia de aniversário de 456 anos da cidade, no Cristo Redentor. Segundo uma fonte que acompanha de perto a relação, o encontro serviu para o prefeito mandar um recado ao presidente e fazer um pedido ao senador. De acordo com o interlocutor, Paes pediu a Flávio que não acreditasse em supostas críticas feitas por ele à família Bolsonaro. O prefeito ainda teria sugerido que a mensagem chegasse até o presidente. Divergência nas redes Mas se com Flávio a relação é amistosa, o mesmo não acontece em relação ao seu irmão, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Por meio das redes sociais, Carlos tem feito ataques à gestão de Paes e à sua equipe de trabalho. O prefeito do Rio rebate as críticas, mas procura evitar grandes embates. Uma briga com a família poderia respingar na relação com o Palácio do Planalto, o que não seria bom para a prefeitura do Rio. "Prefeito Eduardo Paes, é desta maneira que quer manter boas relações para reconstruir nossa cidade? Com nomeações em cargo na estrutura da sua Prefeitura apoiando abertamente o ódio ao Presidente da República?", escreveu recentemente no Twitter Carlos Bolsonaro, sobre o ator Marcelo Serrado no cargo de diretor artístico da Fundação Cidade de Artes. O ator desejou numa rede social "energias ruins" para o presidente, numa alusão à sua saída do Planalto. Em outra postagem crítica a Paes, Carlos afirmou: "(...) assessor especial da Presidência da Cidade ‘Elefante Branco Milionário’ da Música e funcionário de Paes promete obras ‘melhorias’! As mesmas obras ignoradas pela atual gestão nos 8 anos anteriores." Ao se defender do primeiro ataque de Carlos, Paes publicou nas redes sociais: "Opa. Tô precisando de uma ajudinha lá em Brasília: derrubada do veto ao art. 26 da LC178/21. Permite refinanciar parcelas da dívida externa do Rio em R$ 500 mi esse ano. Estamos precisando. O antecessor (lembra dele?) [o ex-prefeito Marcelo Crivella] deixou um rombo enorme. Já solicitei ao presidente, com quem estive ontem, aliás tendo sido muito bem recebido. Quanto a cercear a opinião dos outros na minha administração, não vai rolar. Não concordo com tudo que todos dizem, mas faz tempo que já aprendi a respeitar opiniões diferentes. Abs". Enquanto impõe medidas restritivas para conter a pandemia, o prefeito coloca em discussão o projeto para armar a Guarda Municipal da capital. Ao apresentar a proposta a vereadores durante um almoço, Paes mostrou empenho e interesse em levar à frente a ideia, que agrada aos bolsonaristas. O projeto para armar a GM não foi uma das principais promessas da campanha eleitoral de Paes. Aliás, durante o pleito, o então candidato evitou polarizar com a família Bolsonaro — que apoiou a reeleição de Crivella — e pregou um entendimento com a União
UPAs funcionando como hospitais. Parentes recorrendo à Justiça para conseguir internação. Enfermeiros e médicos trabalhando no limite, sem férias há dois anos e sem o reconhecimento das "palmas nas janelas". Envio de pacientes a outros estados por falta de vagas em UTIs. Corpos alocados em contêineres por ausência de espaço em necrotérios. Falta de covas para enterrar quem perdeu a batalha para a Covid-19. Esses são os retratos da fase mais crítica da pandemia no Brasil. Histórias que se repetem de norte a sul, expondo dramas que vão além dos números dos recordes de mortos e da angústia da espera por leitos hospitalares, que atingia ao menos 2.173 pessoas em todo o país na noite de sexta-feira. Realidade causada, segundo especialistas, pela negligência do governo federal e pelo descaso da população, agravada por variantes mais contagiosas do vírus. Um país que tenta silenciosamente salvar vidas, sem tempo sequer para reclamações ou "mimimis", como afirmou o presidente Jair Bolsonaro. Poupado na primeira onda da pandemia, Santa Catarina tinha 291 pacientes na fila da UTI anteontem — ao menos 36 pessoas morreram na espera. O estado, que tem o sexto maior PIB do Brasil, chegou a pedir ao governo federal remessas extras de relaxantes musculares usados na intubação de pacientes. Ricardo Vieira, clínico geral em Florianópolis, sofre com isso: — Hoje (sexta-feira) uma colega me disse que pela primeira vez que teve que escolher quem ia pra UTI. Eu mesmo já experimentei e tenho experimentado isso. É o tipo da coisa que a gente não está preparado para enfrentar. A gente sai do trabalho, mas não consegue tirar essa situação da cabeça. Em Porto Alegre, onde a ocupação dos leitos de UTI chegou a 100%, a chamada "escolha de Sofia" também se tornou realidade entre médicos. Alexandre Zavascki, infectologista do Hospital Moinhos de Vento — que alugou um contêiner para dar conta da armazenagem dos corpos após faltar espaço no necrotério — e do Hospital de Clínicas, chega a embargar a voz ao descrever o que tem enfrentado: — Comecei a semana dizendo para a família do paciente que ele não poderia ir para a UTI e que faleceria na enfermaria. É uma decisão muito difícil — diz o médico. — A gente se acostumou a dar notícia da morte dos pais e avós com Covid para filhos e netos. Mas agora estamos falando com as mães e os pais: "Olha, o seu filho não está respondendo." A tempestade perfeita do colapso nacional ocorre quando situações como essas são vividas em estados tão diferentes como o Paraná, com 811 pessoas na fila por leitos, ou em Tocantins, com 90% da ocupação hospitalar. Na última terça-feira, a Central de Regulação de Vagas do estado de São Paulo recebeu, em apenas um dia, 901 pedidos de internações, um a cada dois minutos. Postos de saúde para atendimento básico, como UPAs, funcionam, na prática, como hospitais: — Pacientes que deveriam apenas receber o tratamento de emergência em UPAs ficam dois, três dias internados, esperando vaga em São Paulo — afirma Gerson Salvador, infectologista do Hospital Universitário da USP. Para tentar evitar que pacientes com suspeita de Covid tenham contato com outros pacientes, a prefeitura de Salvador criou seis "gripários", salas segregadas nas UPAs para atendimento exclusivo de pacientes com síndromes gripas. — Conseguimos dobrar o número de leitos que tínhamos. Se não fosse isso já teríamos chegado ao colapso, algo que quase aconteceu na quinta-feira, o pior dia da minha vida — afirma o secretário de saúde soteropolitano, Léo Prates. Quando a Justiça demora Muitos familiares tentam recorrer à Justiça para um parente ser internado. Mas nem sempre a resposta chega a tempo. Cassia Lopes Rodrigues, de 31 anos, morreu no dia 26, grávida de 21 semanas, horas após conseguir a decisão por um leito em Itacoatiara (AM). Em Bauru, no interior de São Paulo, o GLOBO encontrou dez processos com sentenças obrigando o governo a disponibilizar ou pagar por um leito na rede privada. Uma delas é da diabética Lais Regina, que estava com saturação de oxigênio de 45%, contra 95% do normal. Seu marido, Marcelo Queiroz, corria contra o tempo: — É desesperador. Tivemos que buscar um advogado para correr atrás dessa vaga, mas o que ouço é que não tem mais leito em lugar nenhum — diz Marcelo. No Pará, não há nem tempo para a Justiça atuar. Na quarta-feira, centenas de pessoas aguardavam atendimento diante do Hospital de Campanha do Hangar, em Belém. Dentro da unidade, falta de especialistas, medicamentos e equipamentos. Um drama extra aos profissionais de saúde: — Vieram para cá dois grandes amigos. Uma delas trouxe a mãe dela e a irmã, ambas com Covid. E meu outro colega trouxe o sogro e a sogra com Covid. É uma situação complicada com pouquíssimos leitos — diz a infectologista Helena Brígido, professora da Universidade Federal do Pará. Em um grupo de Whatsapp de médicos de Pernambuco, o clima é de terror, com um toque de déjà-vu. "Os nefro (nefrologistas) vão mandando o que acontece de hora em hora. Na última hora foram três óbitos", diz um médico em um dos grupos ao qual o GLOBO teve acesso. "Hoje chorei. Tudo voltando. Passou um ano e não saímos do lugar", responde outro . No grupo, havia também o lamento da suspensão, por tempo indeterminado, das férias de médicos e enfermeiros. A medida já havia sido adotada ano passado, ou seja, afetou agora novamente profissionais de saúde que, sobrecarregados, estão há mais de dois anos trabalhando sem parar. Desde o início da pandemia, 1.199 médicos e enfermeiros morreram de Covid-19. — Parece que ninguém pensa nos profissionais de saúde. No começo tinha aquele lance de bater palma, de nos homenagear. Hoje não tem nada disso, estamos trabalhando no limite, físico e psicológico — afirma Bruno Ishigami, infectologista na Clínica do Homem, no Recife. Cemitérios cheios Porto Velho, em Rondônia, viu o número de sepultamentos crescer 80% entre janeiro e fevereiro e, por isso, negocia compra de 1.800 gavetas em cemitérios particulares para enterrar os mortos vítimas da doença. O impacto da piora da situação chegou até às UTIs aéreas. Algumas empresas viram um aumento de até 600% no serviço de remoção de pacientes: — Houve um momento em que todas as empresas do setor de UTI aérea estavam saturadas, com disponibilidade para contratação de voos somente para sete, dez dias à frente — diz Phelipe Augusto, Piloto-Chefe da Brasil Vida Táxi Aéreo. Na Líder Taxi Aéreo, onde o crescimento foi de 400%, só não há agora saturação de aviões porque, com os hospitais lotados, não há para onde levar os pacientes, segundo a diretora da empresa, Bruna Assumpção. Nada disso explica ou conforta dramas pessoais que se acumulam. Às 22h23 de quinta-feira, a bancária Daiane Varella, de 32 anos, enviou ao namorado Thales Barreto, de 34, um recado pelo WhatsApp: "Amor, vou intubar. Não sei quanto tempo". Quando ele pediu detalhes, Daiane conseguiu enviar mais uma mensagem. Foi a última antes de entrar na UTI do hospital Mãe de Deus, na capital gaúcha. — Minha mulher não está intubada porque foi em festa clandestina — diz Barreto. — Ela está intubada porque foi trabalhar e porque o presidente diz que é mimimi. Não é mimimi, não.
Na primeira madrugada de vigência da nova classificação do Plano São Paulo, que recuou todo o estado à fase vermelha, a Vigilância Sanitária autuou 43 estabelecimentos por descumprimento das regras do plano. Todos esses estabelecimentos, segundo a Vigilância Sanitária, são da capital paulista. Desse total, sete foram autuados por aglomerações e funcionamento além do horário permitido. Desde a meia-noite deste sábado (6), todo o estado de São Paulo entrou na fase 1-vermelha do Plano São Paulo, onde somente serviços considerados essenciais podem funcionar. Comércio de rua, bares, restaurantes, museus, cinemas, parques e shoppings estarão fechados. Somente podem funcionar serviços de delivery e drive-thru. A medida vale até o dia 19 de março. “Nossas ações [de fiscalização] visam sobretudo à mudança de comportamento e ao respeito às normas sanitárias para proteção coletiva, e não miram a punição, embora isso possa ser realizado se a lei for descumprida. Estes bares estavam abertos após o horário permitido e mantendo o atendimento presencial. Encontramos aglomerações e dezenas de pessoas sem máscaras, então agimos para evitar que esse tipo de situação se repita”, disse Cristina Megid, diretora do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo. Cidadãos que quiserem denunciar estabelecimentos por descumprimento das regras do Plano São Paulo podem fazer suas denúncias pelo telefone 0800 771 3541 ou pelo e-mail [email protected] Os estabelecimentos que descumprirem as regras do Plano São Paulo podem ser autuados com base no Código Sanitário, que prevê multa de até R$ 290 mil. Pela falta do uso de máscara, que é obrigatória, a multa é de R$ 5.278 por estabelecimento, por cada infrator. Pessoas que estiverem em espaços coletivos sem máscara também podem ser multados em R$ 551,00. Fase vermelha Na fase vermelha, a mais restritiva do Plano São Paulo, somente serviços considerados essenciais, como indústria, farmácias, padarias, postos de combustíveis, transporte, bancos, hotéis e supermercados, podem funcionar. Também podem funcionar estabelecimentos religiosos, que foram recentemente incluídos como atividade essencial pelo governador de São Paulo, João Doria. As aulas presenciais nas escolas da rede pública ou privada não serão suspensas nesse período. A frequência dos alunos, no entanto, não é obrigatória e a capacidade é limitada a 35%. Segundo o governo paulista, as aulas serão permitidas principalmente para atender aos alunos de maior vulnerabilidade. O Plano São Paulo é dividido em cinco fases que vão do nível máximo de restrição de atividades não essenciais (vermelho) a etapas identificadas como controle (laranja), flexibilização (amarelo), abertura parcial (verde) e normal controlado (azul). O plano divide o estado em 17 regiões e cada uma delas é classificada em uma fase do plano, dependendo de fatores como capacidade do sistema de saúde e a evolução da epidemia.
O aiatolá Ali al-Sistani afirmou ao papa Francisco, em reunião portas fechadas em Najaf, que os cristãos no Iraque deveriam viver em paz e com todos os direitos, durante encontro histórico entre o Vaticano e o Islã. Al-Sistani, de 90 anos, manifestou ao papa o desejo de que os cidadãos cristãos vivam, como todos os iraquianos, em segurança e paz, e com todos os seus direitos constitucionais", de acordo com um comunicado do gabinete de Al Sistani. O gabinete do aiatolá divulgou fotos do encontro entre os dois líderes religiosos, que ocorreu sem a presença da imprensa. Nas fotos, Francisco, vestido de branco, e Al-Sistani, de preto, são vistos em dois sofás da modesta casa do líder xiita, num gesto considerado histórico para as relações entre o Vaticano e o Islã. Al-Sistani destacou o papel que a autoridade religiosa tem desempenhado em "proteger todos aqueles que sofreram injustiças e danos nos últimos anos, especialmente durante os quais terroristas tomaram grandes áreas em várias províncias iraquianas, onde cometeram atos criminosos". O líder xiita fez alusão ao período, entre 2014 e 2017, em que o grupo sunita jihadista Estado Islâmico (EI) ocupou grande parte do Iraque e estava prestes a chegar à capital Bagdá. Durante o encontro, segundo o comunicado, os dois líderes abordaram "os grandes desafios que a humanidade enfrenta neste momento e o papel da fé" e fizeram referência específica às "injustiças, assédios econômicos e deslocamentos sofridos por muitos povos" da região, "especialmente o povo palestino nos territórios ocupados" por Israel. Al-Sistani destacou o "papel que os grandes líderes religiosos e espirituais devem desempenhar para conter todas essas tragédias". Este é o primeiro ato do dia do papa, que nessa sexta-feira (5) chegou ao Iraque para uma visita de quatro dias e se tornou o primeiro pontífice a visitar o Iraque. Francisco viajou para a cidade sagrada, ao sul de Bagdá, o principal centro religioso desse ramo do Islã e um destino de peregrinação para xiitas de todo o mundo. No entanto, durante o encontro, não houve um documento comum como o assinado em Abu Dhabi, há dois anos, pelo papa e o xeque egípcio Ahmad al-Tayyeb, Grande Imã de Al-Azhar, a maior instituição sunita, no Cairo, e que foi um dos principais passos nas relações entre o Islã e o catolicismo. O aiatolá é uma das figuras mais poderosas do Islã e os seus decretos religiosos (fatwa) levaram muitos muçulmanos a se mobilizar em 2014 contra o Estado Islâmico, com a criação da Forças de Mobilização Popular, em janeiro de 2019. Ali al-Sistani pediu ainda para investigar os crimes hediondos, "perpetrados por jihadistas" sunitas contra algumas minorias na sociedade iraquiana, como os yazidis, em Sinjar, os cristãos em Mossul e os turcomanos em Tel Afar. A agenda papal inclui encontros com a comunidade católica, composta por 590 mil pessoas, cerca de 1,5% da população iraquiana, além de cristãos de outras Igrejas e confissões religiosas e líderes políticos. Além de Bagdá, o papa vai a Najaf, Ur, Erbil, capital do Curdistão iraquiano, Mossul e Qaraqosh.
Após sofrer por cerca de 34 anos com cólicas e outras dores que se intensificaram ao longo do tempo, a jornalista Andrea Mello Diniz, 46 anos, está prestes a passar por uma cirurgia para retirada do útero e do colo do útero, comprometidos pela endometriose. Somente em 2019, 11.790 brasileiras precisaram de internação por causa da doença. A endometriose afeta cerca de 10% da população feminina brasileira, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sendo mais frequente entre mulheres de 25 a 35 anos de idade. A doença é causada por uma infecção ou lesão decorrente do acúmulo, em outras partes do corpo, das células que recobrem a parte interna do útero (o endométrio) e que são eliminadas com a menstruação. Como as chamadas células endometriais são regularmente expelidas junto com o fluxo menstrual, seguem se acumulando fora da cavidade uterina, principalmente nas regiões da bexiga, ovários, tubas uterinas e intestino. Nos casos mais graves, como o de Andrea, podem formar nódulos que, se não forem tratados a tempo, tendem a afetar o funcionamento de outros órgãos. “A endometriose bloqueou minha tuba uterina direita e meu ovário direito, o que me causava dores horríveis. A doença também atingiu outros pontos e, de acordo com os médicos, poderia ter bloqueado meu intestino”, contou a jornalista que deve se submeter, em breve, a uma histerectomia total. “É a cirurgia para retirada de todo o aparelho reprodutivo feminino. Um procedimento extremo que, segundo outra médica especialista em endometriose com quem conversei, é a melhor coisa a fazer neste ponto a que cheguei. Segundo a médica, se a doença tivesse sido diagnosticada antes, isto talvez não tivesse sido necessário”, acrescentou Andrea, em entrevista à Agência Brasil. Segundo a vice-presidente da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE), Helizabet Salomão Ayrosa Ribeiro, a demora do diagnóstico da doença é comum, mas costuma estar associada ao fato de muitas mulheres, mesmo sofrendo, protelarem a ida ao médico, por acreditarem que as cólicas menstruais são naturais. “Infelizmente, casos assim são frequentes. No mundo todo, a endometriose demora, em média, de sete a dez anos para ser diagnosticada. Principalmente devido à tendência das pessoas naturalizarem a cólica menstrual, o principal sintoma e a principal queixa das pacientes”, afirmou a médica. Ainda segundo ela, há alguns ginecologistas que também subestimam as queixas das pacientes e, assim, deixam de encaminhá-las para realizar exames mais detalhados, como indica o caso de Andrea, que desde os 12 anos vêm passando por diferentes especialistas. A ressonância magnética pélvica e o ultrassom transvaginal são os dois principais meios de identificar a endometriose. Além da cólica intensa que, em muitos casos, se torna debilitante, a doença costuma estar associada a outros sintomas, como uma dor profunda na vagina ou na pelve, durante a relação sexual, ou a uma dor pélvica contínua, mesmo que não relacionada à menstruação. Outros sintomas comuns são a prisão de ventre ou a diarreia durante o período menstrual e a dor ao evacuar ou urinar. Contudo, a maioria dos casos é diagnosticada quando a paciente procura um especialista devido à dificuldade de engravidar – o que pode ser uma das consequências da endometriose. “A infertilidade, assim como a doença, pode ser revertida, mas isso vai depender da situação. Qualquer que seja o caso, é preciso analisá-lo individualmente, pois a eficácia do tratamento depende do local afetado, do grau de comprometimento e do histórico da paciente”, explicou Helizabet. Cólicas podem ser sinal de alerta A vice-presidente da SBE alerta que muitas mulheres que têm endometriose não apresentam qualquer outro sintoma que não uma cólica menstrual moderada. O que reforça a importância de que todas consultem um ginecologista ao menos uma vez por ano e que jamais naturalizem a dor. “A mulher ouve que é normal ter cólica, que basta tomar um remédio, e deixa o tempo passar. De fato, é normal a mulher ter cólicas nos primeiros dias da menstruação, mas não que estas dores, quando fortes, não passem nem tomando medicamentos. Não é natural que as dores atrapalhem atividades; o trabalho. Que impeçam a mulher de praticar atividades físicas. Aí, é o caso de procurar um especialista”, frisou Helizabet. Ansiosa pela cirurgia que promete reduzir seu sofrimento e lhe devolver um mínimo de bem-estar após décadas de dores, privações e desenganos, Andrea sabe que a recuperação não será imediata, mas diz que conhecer a causa de suas dores lhe deu esperanças. E, principalmente, tirou de seus ombros o peso da desconfiança. “Já na adolescência eu me acostumei com meus pais me levando para tomar Buscopan na veia. Ainda assim, a vida toda eu ouvi tias, primas, amigas, colegas de trabalho e até médicos minimizarem minha dor, dizendo que nunca tinham sentido o que eu dizia sentir, que eu estava superestimando a dor ou que, talvez, eu estivesse apenas estressada. Isto fazia com que eu me sentisse pior”, disse Andrea, apontando o “fator psicológico” como um agravante da doença. “Eu ficava de cama por causa das dores. Às vezes não saía de casa por medo de que nenhum absorvente fosse capaz de conter o fluxo de sangue – na escola, cheguei a manchar a roupa algumas vezes. Imagina o peso disso para uma adolescente. Já adulta, ouvi de uma chefe que menstruação não é doença – como se eu estivesse fazendo corpo mole. E enquanto eu me questionava se ninguém mais sentia o mesmo que eu, passava de médico em médico e tomava remédios cada vez mais fortes para a dor. Até ansiolítico me foi prescrito por ginecologistas”, relembrou a jornalista. “É necessário um olhar mais específico para a saúde da mulher. Um cuidado que vá além do papanicolau e da colposcopia. É preciso que as mulheres conheçam seus corpos. Que a sociedade não nos imponha padrões, porque o fato é que se a endometriose afeta a 10% da população feminina, parte dos outros 90% nos perguntam se não estamos com frescura, porque elas nunca sentiram esta dor. Isto serve também para os homens. Os companheiros precisam ter sensibilidade para compreender que nós, mulheres, passamos por coisas que nos causam dores que eles desconhecem. E não somos doidas ou histéricas por isto. Eu não sou doida. Apenas tenho endometriose”, finalizou Andrea. SUS Consultado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou que o número de casos da doença registrados no ano passado ainda estão sendo apurados – preliminarmente, foram ao menos 6.531 internações devido a problemas relacionados à endometriose. Desde julho de 2016, as secretarias de saúde dos estados, municípios e do Distrito Federal devem oferecer os tratamentos médicos estabelecidos no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Endometriose, publicado pelo ministério, com os critérios de diagnóstico e de tratamento, bem como os mecanismos de regulação, controle e avaliação da doença em todo o país. A pasta também acrescentou que há, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), dois tipos de tratamento. O tratamento clínico visa neutralizar o estímulo hormonal estrogênico nos focos de endometriose, proporcionando melhora nos sintomas da doença, associado a medicamentos para o controle da dor. Em pacientes que não desejam engravidar, contraceptivos hormonais são utilizados. Já o tratamento cirúrgico é indicado quando os sintomas são graves, incapacitantes, quando não houver melhora com tratamento empírico com contraceptivos orais ou progestágenos, em alguns casos de endometriomas, de distorção da anatomia das estruturas pélvicas, de aderências, de obstrução do trato intestinal ou urinário, e para pacientes com infertilidade associada à endometriose. “Nestes casos, a escolha do tratamento deve ser feita pelo médico e compartilhada com a usuária, avaliando sempre a gravidade dos sintomas, a extensão e a localização da doença, a idade da mulher e, principalmente, o desejo de engravidar”, esclarece o ministério.
O presidente Jair Bolsonaro, que no passado afirmou que não tomaria imunizantes contra a Covid-19, agora admite a possibilidade de se vacinar "lá na frente". Embora ainda não se saiba quanto tempo duram os anticorpos no organismo após a contaminação pela doença, Bolsonaro afirmou que está "imunizado" por já ter sido infectado em julho de 2020. Como de praxe, o presidente não usava máscara de proteção durante a conversa com apoiadores, que ocorreu em frente ao Palácio da Alvorada. — No meu caso, o pessoal fica perturbando ‘tome a vacina’. O que é vacina? Não é um vírus morto? Eu já tive o vírus vivo. Então estou imunizado. Deixa outro tomar a vacina no meu lugar. Lá na frente, depois de todo mundo, se eu resolver tomar, porque no que depender de mim é voluntário, não pode obrigar ninguém a tomar vacina, eu tomarei — disse. Bolsonaro também voltou a minimizar os efeitos da pandemia da Covid-19 no país, que tem registrado números recordes de casos e mortes nos últimos dias, e afirmou que é preciso "enfrentar a situação". Segundo ele, "não tem como fugir" do vírus: — A gente lamenta as mortes, mas você tem que enfrentar o problema. Repito, lamento as mortes, mas tem que enfrentar o problema. Não tem como fugir dele, o vírus está aí. O presidente repetiu o discurso contra as medidas de isolamento social que têm sido adotadas nos estados para tentar conter a propagação do novo coronavírus e a superlotação nos hospitais. — Hoje em dia com essa historinha de ‘fique em casa, a economia a gente vê depois’. E aí, alguns governadores mandando os policiais reprimirem usando, em alguns estados, com violência, o cara não tem como ganhar a vida dele. Vai ganhar como? Como é que vai levar o pão para casa? Imagine um cara casado... É comum o pobre ter três, quatro filhos, é comum. Eu sou classe média e tive cinco — declarou. Mais cedo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que "talvez por infelicidade" Bolsonaro não tenha deixado claro em suas falas o "problema" da saúde e da vacinação em massa contra a  Covid-19. Vacinação Após o Ministério da Saúde pedir exclusividade na venda das vacinas para a União, o presidente Jair Bolsonaro reforçou o entendimento ao dizer que os estados podem comprar os imunizantes, mas eles serão encaminhados ao Plano Nacional de Imunização. — Alguns governadores colocaram uma emenda no projeto (do Congresso) para os estados comprarem a vacina. Sem problema nenhum. Mas quem vai pagar a conta? Eu. Se quiserem comprar, pode comprar. Mas a vacina vem pro Plano Nacional de Imunização — afirmou Bolsonaro. Ele ponderou que "ninguém tá contra governador". Bolsonaro, que em abril do ano passado chegou a dizer que a pandemia estava "começando a ir embora", afirmou que "até o final do ano acabou vírus já, com toda certeza": — Falei para esse ano ter o encontrão lá, não tem esse negócio de vírus, não. Até o final do ano acabou vírus já, com toda certeza.
O colapso no sistema público de saúde devido à alta de casos da Covid-19 já faz pacientes enfrentarem filas — há 1.563 pessoas de 11 estados nessa situação, segundo levantamento realizado pelo GLOBO junto às secretarias estaduais de Saúde nesta sexta-feira. Além disso, a taxa de ocupação nas unidades intensivas da rede pública supera os 80% em 17 estados e no Distrito Federal. A maior fila de espera para um leito de UTI se encontra no Paraná, onde 336 pessoas aguardam uma vaga e 811 pacientes esperam leitos em geral. Também na Região Sul, que vem sendo fortemente atingida pela alta de casos da pandemia, o Rio Grande do Sul ultrapassou sua lotação máxima e registra 101% de ocupação dos leitos de tratamento intensivo, com 145 pacientes aguardando um leito. Também possuem filas para UTI os estados do Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Rondônia e Santa Catarina. E este número tende a ser ainda maior, já que 12 estados não retornaram aos pedidos da reportagem, entre eles o Ceará, que apresenta a alta taxa de 93,4% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados. Também não informaram se há filas para leitos em seus hospitais os estados do Tocantins, São Paulo, Rio de Janeiro, Piauí, Pernambuco, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Amapá, Alagoas e Acre. Trabalham sem lista de espera no momento Sergipe, Roraima, Paraíba, Pará e Espírito Santo. Na Bahia a situação vem se agravando nos últimos dias. Com ocupação de 87% das UTIs, o estado já registra uma fila de 328 pacientes. Já o Maranhão conta com com 65,7% das UTIs ocupadas, uma taxa menor do que outras unidades federativas, mas ainda assim há 15 pacientes aguardando uma vaga. De acordo com a Secretaria de Saúde, isso ocorre porque, em alguns municípios, a rede estadual apresenta ocupação de 100% dos leitos clínicos e de UTI — caso, por exemplo, de Imperatriz, o segundo maior do estado. A secretaria ressaltou que tem realizado a transferência diária de pacientes para a capital São Luís e outras regiões através de UTI Aérea, e que na semana que vem abrirá um hospital de campanha com 60 leitos. O estado de Goiás, que tem 96,5% de seus leitos de UTI ocupados, também registra uma longa fila de espera para suas UTIs: 236 pacientes. Nenhum deles está sem atendimento, segundo nota da Secretaria de Saúde, "pois recebem assistência em leitos que não são exclusivos para coronavírus nas unidades de origem do pedido até que sejam transferidas para hospitais dedicados aos casos confirmados de Covid-19". Já o estado de São Paulo bateu seu recorde de ocupação de leitos de UTI nesta sexta-feira, registrando a taxa de 78,5%. O valor supera o recorde anterior, de 77,4%, notificado na véspera.