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O grupo de hackers Anonymous Brasil expôs na noite desta segunda-feira dados pessoais do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A publicação das informações ocorreu no Twitter por meio de links para páginas com os documentos. Foram compartilhados os CPFs de Bolsonaro e de seus filhos, além de telefones, endereços e dados sobre imóveis da família do presidente. Parte dos dados, como as declarações de bens imobiliários, já era pública e estava disponível na plataforma de divulgação da Justiça Eleitoral destinada a informações sobre patrimônios de candidatos. Os números de telefone, no entanto, eram dados privados. Poucos minutos após a publicação das informações, as postagens foram retiradas do ar. "Apagamos os documentos com as informações pessoais do Carlos Bolsonaro e do Jair, todos conseguiram salvar? O twitter é automático, esse tira do ar esse tipo de arquivo, por isso retiramos. Vocês podem compartilhar o link pela DM. Quem tiver comenta, quem quiser também", afirmou o perfil. Também foram divulgadas informações pessoais do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP). O deputado confirmou pelo Twitter a veracidade dos dados compartilhados pelo grupo hacker e informou que fará um boletim de ocorrência. Procurado para comentar a divulgação de dados, o Palácio do Planalto ainda não se manifestou.
Em seu primeiro pronunciamento ao público desde que começaram os protestos contra a morte de George Floyd por um policial, há sete dias, Donald Trump se autointitulou o "presidente da lei e da ordem" e anunciou que usará o Exército para conter as manifestações na capital do país. Trump ameaçou enviar militares aos estados caso os governadores não consigam controlar o que chamou de "criminosos", "anarquistas" e "terroristas internos". — Os prefeitos e governadores devem estabelecer uma presença abrumadora das forças de segurança até que a violência tenha sido sufocada — disse Trump na Casa Branca, ao som de bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia para conter manifestantes que marchavam próximo à sede do governo. — Se uma cidade ou um estado se nega a tomar as medidas necessárias para defender a vida e e propriedade de seus residentes, então enviarei o Exército e resolverei rapidamente o problema para eles. Não está clara a autoridade legal que Trump tem para levar adiante sua ameaça. De acordo com a emissora CNN, ele recorreria a uma lei de 1807, a Lei da Insurreição, que autoriza o presidente a usar militares dentro dos Estados Unidos para reprimir a ilegalidade, a insurreição e a rebelião. Trump voltou a fazer ataques contra o que chamou de "extrema esquerda" e o movimento Antifa, uma coalizão frouxa de militantes antifascistas, que responsabilizou pelos saques, incêndios e atos de vandalismo ocorridos em geral à noite, depois dos atos pacíficos. Ele prometeu punir com rigor os que forem detidos durante as manifestações. O presidente americano afirmou que está ao lado dos americanos, "devidamente enojado e revoltado com a morte de George Floyd". Mas repetiu várias vezes durante o pronunciamento que é o presidente da "lei e da ordem".
O número de pessoas diagnosticadas com o novo coronavírus no Brasil subiu para 526.447 e o total de mortes chega a 29.937. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Saúde na noite desta segunda-feira. No último balanço do governo, no domingo, o total de infectados chegava a 514.849, com 29.314 mortes confirmadas. Segundo o novo balanço, foram registrados 12.247 novos casos nas últimas 24 horas, além de 623 óbitos, dos quais 220 ocorreram nos últimos 3 dias. Há ainda 4.412 mortes em investigação. São Paulo continua como o estado com mais casos da doença: são 111.296 até o momento. Em seguida vem Rio de Janeiro (54.530) e Ceará, que ultrapassou a marca de 50 mil casos nesta segunda, chegando a 50.504. Depois vem Amazonas (41.774) e Pará (38.046). Já em relação às mortes, São Paulo também aparece na frente, com 7.667. Seguido por Rio de Janeiro (5.462), Ceará (3.188), Pará (2.925) e Pernambuco (2.875). País é o 4º em mortes no mundo. Após ultrapassar a Espanha e a França no fim da semana passada, o Brasil continua na 4ª posição em número de mortes pelo novo coronavíirus, segundo dados da universidade norte-americana Johns Hopkins. O país perde apenas para Estados Unidos (104.702), Reino Unido (39.127) e Itália (33.475). Já em número de casos da doença, o Brasil permanece em 2º lugar, atrás somente dos EUA, que registra 1.799.742 infectados até o momento.
A Justiça da Comarca de Búzios, na Região dos Lagos, suspendeu os decretos municipais que autorizaram o retorno regular do comércio, a realização de cultos religiosos e o acesso às praias, até que a prefeitura apresente laudos técnicos que comprovem que as iniciativas de relaxamento da quarentena não coloquem em risco a saúde pública. A decisão é do juiz Raphael de Queiroz Campos, da 2ª. Vara Cível da cidade. Na decisão, o magistrado também determinou que a prefeitura adote uma série de medidas de combate e prevenção à pandemia do novo coronavírus (covid-19). Os prazos para implementação das providências é diversificado e atende a ação formulada pela Defensoria Pública estadual. O juiz Raphael Campos escreveu na decisão que “ainda que o proponente desta Ação Civil Pública, na busca da proteção do direito difuso/coletivo, tenha escolhido iniciar pela cobrança da adequação/alinhamento de um programa de implantação de política pública a certos padrões, certo é que constatada que essa medida isolada não seria suficiente para alcançar os resultados desejados de combate à ´covid-19´, é dever adaptar-se, sair da ´moldura´, sempre na busca do bem-estar dos indivíduos beneficiados pela iniciativa da Defensoria Pública, ora autora". A Justiça também determinou a compra de equipamentos de proteção individual (EPI), o fornecimento de alojamento em hotel para evitar o risco contágio de familiares e outras pessoas por causa do deslocamento e contratações emergenciais de agentes de saúde. Além disso, a prefeitura terá ainda que disponibilizar testes rápidos e alojamentos para profissionais da área de segurança, servidores públicos municipais que não estejam trabalhando de casa, taxistas e motoristas de vans. Funcionários do comércio e de serviços privados essenciais também deverão ser testados nos ambientes de trabalho dos serviços autorizados ao funcionamento, a fim de possibilitar a ampliação da lista de abertura progressiva. Para ampliar a estrutura do atendimento à população, a decisão estabelece que o município aumente o número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal Rodolpho Perisse, destinados e equipados especificamente para casos da covid-19; a transformação em hospital de pronto-socorro no bairro da Rasa e a criação de centros de triagem nos quatros bairros mais populosos da cidade. Como forma de aprimorar o controle sanitário e o sistema de informações, o juiz Raphael Campos também determinou a implementação de testes em barreiras sanitárias montadas nas entradas da cidade e em domicílios de pessoas dos chamados grupos de riscos, como idosos e portadores de doenças crônicas, e nas casas de gestantes e menores em idade escolar. Na decisão, o magistrado destaca, ainda, que há incertezas sobre o estágio da doença no município de Búzios, já que poucos testes foram realizados e a prefeitura não acatou diversas recomendações sanitárias propostas pela Defensoria e pelo Ministério Público estadual. A Agência Brasil entrou em contato com a prefeitura de Búzios e aguarda retorno.
Pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela APM (Associação Paulista de Medicina), mostra que 84,5% dos médicos entende que o pior ainda está por vir em relação à pandemia do novo coronavírus no Brasil. Perguntados se "na sua percepção, já atravessamos a pior onda da Covid19?", apenas 15,5% disseram que sim. No total, foram 2.808 médicos pesquisados, no país inteiro, entre os dias 15 e 25 de maio. Ainda na mesma pesquisa, indagados sobre a percepção que têm do isolamento social, 75,3% respondeu que é bom e importante para combater o vírus. Para 96,6% dos médicos, existe a possibilidade de faltar profissionais da área durante o período. De acordo com o levantamento, 64% dos médicos da linha de frente não foram testados para Covid-19. A população também sofre neste quesito: 39,4% dos médicos da linha de frente pontuam que só há testes para os pacientes com sintomas graves e 9,1% relatam não existir testes em seus locais de trabalho. Outros dados preocupantes dizem respeito à integridade dos médicos: 58,5% já presenciaram ou souberam de casos de violência contra médicos e outros profissionais da Saúde por conta da pandemia. O mais grave é que 17% desses episódios são de agressão física. No período da pesquisa, 75,3% dos profissionais atendiam até cinco pacientes com suspeita e/ou confirmação diariamente. Outros 24,7% respondiam à desumana e arriscada carga de atender entre 6 até mais de 20 infectados por dia, em média. Destes profissionais da linha de frente do combate à pandemia, 33,7% tiveram pacientes assistidos que vieram a falecer com suspeita e/ou confirmação da doença. Cerca de 7,3% já viram morrer entre seis até mais de 20 pessoas. CAPACITAÇÃO. Entre os médicos que estão atuando no combate à pandemia, 22,3% dizem estar plenamente capacitados para atender os enfermos em qualquer fase da doença, inclusive quando graves, sob tratamento intensivo.
Pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela APM (Associação Paulista de Medicina), mostra que 84,5% dos médicos entende que o pior ainda está por vir em relação à pandemia do novo coronavírus no Brasil. Perguntados se "na sua percepção, já atravessamos a pior onda da Covid19?", apenas 15,5% disseram que sim. No total, foram 2.808 médicos pesquisados, no país inteiro, entre os dias 15 e 25 de maio. Ainda na mesma pesquisa,  indagados sobre a percepção que têm do isolamento social, 75,3% respondeu que é bom e importante para combater o vírus. Para 96,6% dos médicos, existe a possibilidade de faltar profissionais da área durante o período. De acordo com o levantamento,  64% dos médicos da linha de frente não foram testados para Covid-19.  A população também sofre neste quesito: 39,4% dos médicos da linha de frente pontuam que só há testes para os pacientes com sintomas graves e 9,1% relatam não existir testes em seus locais de trabalho. Outros dados preocupantes dizem respeito à integridade dos médicos: 58,5% já presenciaram ou souberam de casos de violência contra médicos e outros profissionais da Saúde por conta da pandemia. O mais grave é que 17% desses episódios são de agressão física. No período da pesquisa, 75,3% dos profissionais atendiam até cinco pacientes com suspeita e/ou confirmação diariamente. Outros 24,7% respondiam à desumana e arriscada carga de atender entre 6 até mais de 20 infectados por dia, em média. Destes profissionais da linha de frente do combate à pandemia, 33,7% tiveram pacientes assistidos que vieram a falecer com suspeita e/ou confirmação da doença. Cerca de 7,3% já viram morrer entre seis até mais de 20 pessoas. CAPACITAÇÃO. Entre os médicos que estão atuando no combate à pandemia, 22,3% dizem estar plenamente capacitados para atender os enfermos em qualquer fase da doença, inclusive quando graves, sob tratamento intensivo.
As compras pela União de insumos de saúde ligados ao enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (covid-19) totalizaram R$ 1,907 bilhão em quase cinco meses, revelou levantamento divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Ministério da Economia. Desde 7 de fevereiro, quando foi publicada a Lei 13.979, que trata das medidas emergenciais de saúde pública, o governo federal promoveu 3.865 processos para a aquisição de 11,5 mil equipamentos e de 847 serviços. Quase a totalidade das compras especiais ocorreu com dispensa de licitação, mecanismo previsto na lei emergencial. A aquisição por meio dessa modalidade somou R$ 1,806 bilhão. O governo comprou R$ 78,27 milhões por meio de pregões eletrônicos e R$ 23,49 milhões por meio da inexigibilidade de licitações, quando a contratação direta é autorizada por falta de competidores. Os insumos de saúde mais adquiridos foram álcool etílico, luvas e máscaras. Os órgãos que mais compraram insumos no período da pandemia foram a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com mais de R$ 667,5 milhões; seguido do Ministério da Saúde, com R$ 243,5 milhões. NOVO PAINEL. A evolução das contratações especiais relacionadas à covid-19 podem ser acompanhadas pelo Painel de Compras, elaborado pelo Ministério da Economia. Os dados são atualizados diariamente. Nesta segunda (1º), a pasta lançou uma nova versão do painel, que unificou o acompanhamento de todas as modalidades de aquisição – dispensa de licitação, pregão e inexigibilidade – realizadas no Comprasnet (Sistema de Compras do Governo Federal). Até agora, o volume de compras em cada categoria era divulgado em painéis separados. Com tabelas e gráficos interativos, o painel permite o cruzamento de dados e a análise detalhada de itens como valores gastos num intervalo de tempo, quantidade de fornecedores e detalhamento de cada aquisição ou serviço prestado. É possível analisar, também, quais fornecedores realizaram mais vendas e filtrar lista de empresa ativas por item de compra ou unidade federativa. Segundo a Secretaria de Gestão do Ministério da Economia, o painel tem como objetivo facilitar a fiscalização por parte da população das compras para o enfrentamento da pandemia. Caso o cidadão constate alguma irregularidade e tenha interesse em fazer uma denúncia, basta entrar na Ouvidoria da CGU (Controladoria-Geral da União) por meio do portal Fala.br.
A balança comercial de maio registrou superávit de US$ 4,5 bilhões, o pior resultado desde 2015. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, que registrou superávit de US$ 5,6 bilhões, o resultado foi 11,1% inferior. O resultado da balança comercial é o saldo entre as exportações e as importações. O resultado inferior decorre de uma queda nas importações e outra mais acentuada nas exportações no período. Na comparação da média diária - total dividido pelo número de dias do mês - com maio de 2019, a queda nas exportações foi de 4,2 %, enquanto as importações caíram 1,6%. A pandemia do coronavírus tem diminuído o comércio entre os países, o que explica a queda tanto nas exportações quanto nas importações. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, a exportação registrou queda por conta da redução dos preços internacionais. O volume exportado, como exemplo registrou crescimento de 5,6% na comparação com maio de 2019. "A queda do valor exportado foi resultado direto do forte recuo dos preços internacionais - função do enfraquecimento da demanda global - reduzindo em 15,6% os preços dos bens exportados pelo Brasil, em relação ao mesmo mês do ano anterior". Com preços mais baixos em dólar, o produto fica mais competitivo no mercado internacional e mais atraente, o que aumenta as exportações em volume. Por outro lado, a queda nos preços faz com que o superávit caia. De acordo com a secretaria, as exportações de soja, petróleo bruto, açúcares e melaço, farelo de soja, óleos combustíveis, alumina, carna de aves e bovina e café tiveram recorde histórico de vendas. As exportações para o mercado asiático subiram 27,7% em relação ao mesmo mês de 2019. Para China, Hong Kong e Macau, o aumento foi de 25%. "O bom desempenho do volume de exportação no mês de maio foi determinado pela alta expressiva de 36,1% no volume das exportações do setor agropecuário, medido pelo índice de quantum, dada a forte competitividade do país nas exportações desta categoria de bens, somada à elevada demanda mundial, sobretudo a asiática". IMPORTAÇÕES. O recuo nas importações não foi maior porque duas plataformas de petróleo, no valor de US$ 2,7 bilhões foram nacionalizadas devido ao regime do repetro. Se não fosse por isso, o recuo das importações seria de 21,7%. "O novo regime, implementado em 2018, determina que equipamentos admitidos temporariamente na importação, com pagamentos de afretamentos e aluguéis, sejam nacionalizados". A Secretaria de Comércio Exterior manteve a projeção para o resultado da balança comercial em 2020. A expectativa é que as exportações somem US$ 199,8 bilhões em 2020, queda de 11,4% em relação a 2019. Já as importações tiveram redução de 13,6% e acabar o ano em US$ 153,2 bilhões. O secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, espera que a agricultura continue com resultados positivos na próxima revisão da projeção, que será feita em junho. "De forma geral, esperamos a continuidade do bom desempenho das exportações do agronegócio brasileiro, sobretudo com destino a Ásia, e um recuo mais acentuado das importações industriais do país, que já vem ocorrendo de forma generalizada".
No mesmo dia em que o grupo bolsonarista "Os 300 do Brasil" fez um protesto com tochas e máscaras em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal), a Justiça do Distrito Federal voltou a negar um pedido do Ministério Público para que o acampamento dos apoiadores seja desmontado, para que os integrantes sejam revistados em razão da suposta posse de armas de fogo ilegais e para que sejam proibidos de protestar durante a pandemia. Desta vez, a decisão foi da segunda instância da Justiça, assinada pelo desembargador Diaulas Costa Ribeiro. A decisão que permite a continuidade dos "300" foi assinada na noite deste domingo. Horas antes, na madrugada do mesmo dia, menos de 30 manifestantes do grupo, munidos de máscaras, tochas e roupas pretas, foram para a frente do STF protestar contra a Corte. O gesto, apesar de minúsculo em termos de tamanho, causou indignação de historiadores, estudiosos, defensores dos direitos humanos e dos próprios ministros do STF, em razão da associação a elementos simbólicos da Ku Klux Klan. O grupo tem como principal porta-voz a ativista Sara Fernanda Giromini, de 27 anos, que se autodenomina Sara Winter. Ela já atuou no grupo feminista ucraniano Femen e hoje se diz ex-feminista, bandeira com a qual ganha dinheiro em palestras. Sara ocupou um cargo de confiança no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, a convite da ministra Damares Alves. A porta-voz dos "300" é investigada no inquérito instaurado pelo STF para apurar uma rede de divulgação de fake news e campanhas de ódio. Na semana passada, ela foi um dos alvos dos pedidos de busca e apreensão determinados pelo ministro Alexandre de Moraes. Depois disso, Sara fez ameaças públicas ao ministro, o que levou Moraes a encaminhar um pedido de investigação sobre as falas à PGR (Procuradoria-Geral da República). A PGR, então, remeteu o caso à primeira instância do MPF (Ministério Público Federal) no DF. Já na Justiça local, a líder dos "300" é ré em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do DF e Territórios. Os promotores de Justiça Flávio Augusto Milhomem e Nísio Tostes Filho pediram o fim do acampamento, mantido em local secreto; uma revista dos integrantes do grupo, diante da informação de que parte deles anda armada; e a proibição de aglomeração de pessoas para a realização de protestos, em cumprimento a decretos do governo do DF editados em razão da pandemia do novo coronavírus. O pedido dos promotores foi por uma liminar que vedasse as atividades de imediato, em caráter de urgência. No dia seguinte, houve a primeira negativa: o juiz Paulo Afonso Carmona afirmou que o grupo bolsonarista pode estar, sim, cometendo o crime de constituição de milícia privada, mas que a esfera cível não trata de crimes. Já a proibição de manifestações, segundo o magistrado, afrontaria a Constituição Federal. O MP, então, recorreu contra a decisão. Na segunda instância, o desembargador Diaulas Ribeiro voltou a negar o pedido, em decisão assinada no mesmo dia do protesto com elementos da Ku Klux Klan em frente ao STF. "O pedido para que o DF proíba totalmente, ainda que por período determinado, as manifestações públicas, com a aglomeração de pessoas, vai de encontro ao direito à livre expressão do pensamento e da liberdade de locomoção e de reunião, também protegidos constitucionalmente", afirmou na decisão. Segundo o desembargador, não há omissão por parte do governo do DF na fiscalização sobre o cumprimento das medidas de isolamento social, e "não há necessidade de intervenção judicial com esse objetivo". O magistrado cita um relatório de inteligência que mostraria que "os integrantes do grupo não estariam acampados ostensivamente nos locais mencionados no recurso, sendo registrada a informação de que o número de participantes é bem menor do que o identificado em datas anteriores". O relatório, porém, não trata do acampamento sigiloso montado pelos "300", mas da presença deles, dez dias atrás, sob lona nas imediações do Ministério da Justiça e Segurança Pública. No local, havia até um banheiro químico para uso dos manifestantes. Policiais militares acompanhavam a movimentação, segundo o relatório usado pelo desembargador. Sobre acabar com o acampamento e fazer busca e apreensão por armas de fogo, o desembargador disse que isto "não carece de interferência do Poder Judiciário". "As providências inerentes ao acompanhamento de seus integrantes para preservar a incolumidade pública já estão sendo adotadas pelo DF." Ele citou que Sara Giromini já havia sido alvo de busca e apreensão por parte da Polícia Federal, por determinação do STF. Consultada no processo, a Procuradoria de Justiça Cível - a segunda instância do MPDFT - deu parecer contrário ao pedido formulado pela primeira instância, como consta na decisão judicial.