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“Quando o muro separa uma ponte une”. Os versos de Paulo César Pinheiro dão a importância de erguer pontes, como a cidade de São José dos Campos resolveu fazer com o inédito projeto do Arco da Inovação. Mas o título da canção é tão curiosamente premonitório --para o caso de São José--, que chega a assustar. A música se chama “Pesadelo”. A história do Arco da Inovação ou da Ponte Estaiada, embora ainda curta para um projeto dessa magnitude (tem pouco mais de um ano), já teve de tudo um pouco. Lançamento festivo, críticas, embates com Defensoria Pública e Ministério Público, questionamentos da viabilidade, paralisações, informações erradas, polêmicas e muita reclamação. Jogando tudo no liquidificador, nasce uma ponte que cresce a cada dia, por cima do mais congestionado cruzamento da cidade: 180 mil veículos diariamente, com 13 mil automóveis nos horários de pico. Ainda circulam por lá 18 linhas de ônibus para 60 mil passageiros, em 1.246 viagens. A ideia da prefeitura é construir dois viadutos na rotatória do Colinas Shopping, ligando as avenidas Jorge Zarur (sentido bairro) e Cassiano Ricardo. Os acessos fi carão em formato de “X”. O viaduto inferior terá 267 metros de comprimento e o superior, 349 metros. O mastro central será construído com 100 metros de altura. O complexo viário terá ainda uma ciclovia de 3,6 quilômetros de extensão, que ligará a avenida Linneu de Moura à passarela da Via Dutra. Sustentada por cabos, daí o nome “estaiada”, a ponte vai custar R$ 48,5 milhões de recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), dos quais R$ 15,7 milhões já foram empenhados até 13 de julho, com 32,52% das obras encaminhadas. Segundo a prefeitura, a obra é “única no Brasil em arco e curva” e conta com “método de construção mais eficaz e econômico, além de ser menos agressivo ao meio ambiente”. Atualmente, 228 trabalhadores atuam na obra. A expectativa da prefeitura é de entregar a ponte em dezembro deste ano, como um presente de Natal para a cidade. “Não tenho dúvidas de que essa é uma obra que vai impactar na vida de muita gente. Ela vai ter um impacto social muito grande”, disse o prefeito de São José, Felicio Ramuth (PSDB), quando do lançamento do projeto, em abril de 2018. VIA CRUCIS Aposta do governo municipal para desafogar o trânsito, a obra ficou suspensa por 11 dias em fevereiro, por decisão judicial. No final daquele mês, a Justiça revogou a paralisação, concedida de forma liminar a pedido do Ministério Público. A liberação ocorreu depois de um “mea-culpa” do prefeito. O juiz Silvio José Pinheiro dos Santos aceitou os argumentos da prefeitura, de que os dados apresentados anteriormente pelo próprio governo Felicio Ramuth, e que levaram “à medida extrema” de paralisar a obra, estavam equivocados. Isso mesmo. Dados no projeto da maior ponte da cidade estavam errados. As primeiras informações repassadas pela prefeitura ao MP apontavam que, com a construção da ponte, já em 2020, o nível de serviço das vias, em três dos quatro sentidos, estaria pior do que hoje, sem o “Arco da Inovação”. Ou seja, o desafogo do trânsito duraria menos de um ano. No entanto, a prefeitura contrainformou que os dados de 2020 não eram referentes a um cenário com a ponte, mas sim de um problema que seria enfrentado se a obra não fosse realizada. Põe a ponte no cenário, tira a ponte do cenário. Além disso, e ao lado de muitas reclamações de moradores e ambientalistas, o engenheiro civil Ronaldo Garcia defende um projeto alternativo ao Arco da Inovação. Gerente do projeto do Anel Viário de São José e ex-diretor técnico da Urbam (Urbanizadora Municipal), Garcia sustenta o projeto de Felício não resolve o problema de tráfego no principal ponto de congestionamento da cidade. Segundo ele, a obra “não permitirá todos os movimentos no tráfego” e que a manutenção dos semáforos no cruzamento “impedirá o fluxo livre do trânsito, não eliminando os congestionamentos”. “No meu modo de ver o projeto tem dois problemas: não elimina o semáforo e trava qualquer ampliação posterior, reduzindo as opções para o futuro”, disse Garcia. A prefeitura não deu muita bola aos questionamentos do engenheiro e disse que o projeto resolveria, sim, o problema do trânsito. Vida que segue. Mas a construção da ponte pode ser paralisada de novo. Em junho, o Ministério Público pediu a suspensão da obra enquanto não é realizada uma perícia para avaliar a capacidade funcional da ponte. MP e Defensoria Pública contestam a efetividade do projeto. O pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça, em caráter liminar, mas o mérito ainda não foi analisado pela 7ª Câmara do Direito Público. Como um pesadelo inacabado, a construção da ponte segue enquanto as surpresas vão aparecendo pelo caminho.
“Só não esquece a cabeça porque está grudada no pescoço!”. Tem gente que já ouviu tanto essa frase que virou “mantra”. A vendedora Tamires Adrielle dos Santos Lima, 29 anos, que o diga! A jovem de São José conseguiu perder no ônibus a sacola de lingerie novinhas que comprou para a sua avó. Virou, claro, piada entre amigos e familiares. “Minha avó estava com as lingeries já bem velhinhas, então resolvi sair com ela para presenteá-la com peças novas. Fomos ao Centro, compramos algumas calcinhas e uns três sutiãs. A compra, aliás, ficou cara. Aproveitamos o passeio para passar no Mercadão, comemos um pastel e depois seguimos para a Rodoviária Velha para pegar o ônibus e voltar para casa”, contou. “Acho que naquele dia estava com sono, desci ‘meio dormindo’ do transporte, sei que esqueci as roupas íntimas no banco”, ri. “Cheguei a ligar na companhia de ônibus, mas me informaram que não encontraram a tal sacola”. Moral da história? “Nunca mais carreguei sacolas de presentes da família”, diverte-se. Perder uma sacola de lingerie é fichinha diante das pérolas encontradas nas centrais de Achados e Perdidos de São José. O shopping Vale Sul lidera o ranking, com cerca de 415 itens recolhidos por mês. O Centervale vem na sequência, com média de 310 itens por mês. Fechando o ranking, o Colinas, com média de 180 por mês, e a Rodoviária Intermunicipal, com média de 60 objetos perdidos por mês. Cafeteiras, carrinho de entrega de mercadorias, aparelho dentário móvel e, (pasmem!) cadeira de rodas estão entre os inusitados itens encontrados. O Vale Sul registrou em sua central até um vaso sanitário, esquecido no corredor do centro de compras. Por lá, até o mês de maio foram achados 2.075 objetos. No CenterVale, uma cafeteira antiga, tripé de câmera fotográfica e um saco de feijão já foram encontrados. Mas os itens mais comuns são cartões de banco, celulares, documentos, óculos, guarda-chuva, chaves, fraldas de pano e chupetas. Neste ano, até o final de maio, 1.549 objetos foram encontrados, destes, 581 devolvidos. Já no Colinas, até o mês de junho foram registrados 1.078 itens perdidos, 436 devolvidos aos seus donos. Entre as “pérolas” estão marmitex, salgados congelados, retrovisor de caminhão, documento judicial de liberdade provisória, cachaça e até uma sacola com preservativos e lubrificantes. DEVOLUÇÃO Normalmente, os itens ficam disponíveis por 90 dias. Depois, com exceção dos documentos, são descartados ou doados a entidades assistenciais. É assim no Terminal Municipal, segundo Daniel Esteves, coordenador operacional da empresa Sinart (Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico Ltda.), que gerencia o espaço. “Quando os itens chegam à central, passam por uma triagem, em que são separados objetos, valores e documentos que podem indicar formas de contato com o proprietário por telefone, e-mail ou carta. Depois, os objetos são cadastrados e guardados”, afirmou ele. “Ao longo dos 90 dias, os funcionários atuam para achar o dono e, quando estes não são localizados, os objetos são encaminhados para o Fundo Social de Solidariedade dos municípios ou é realizado o descarte”, continuou. Em nota, o Vale Sul Shopping informou que antes de os objetos serem retirados é seguido um procedimento. “Sempre solicitamos um detalhamento de cada item e, caso esteja no SAC, o cliente deve apresentar um documento com foto, assinar um livro para comprovar que retirou o objeto e deixar um telefone para contato”. No Colinas, depois dos 90 dias, documentos e cartões são triturados e descartados e os demais itens doados a entidades assistenciais. Esse é o mesmo prazo de armazenamento utilizado pelo CenterVale. “Após o período os itens são doados à creche Anália Franco”, afirmou Julio César Ferreira, gerente de operações do centro de compras.  DOCUMENTOS Os Correios também oferecem o “Achados e Perdidos”. Em São José dos Campos, o serviço está disponível na agência central, localizada na av. Dr. Nelson D’Ávila, 90, Centro. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Atualmente, a unidade tem à disposição para retirada 279 documentos. A procura pelos itens é baixa. Em 2019, de janeiro a maio, foram retirados ao todo apenas nove deles pelos seus titulares. A agência informa que aqueles que encontrarem documentos de terceiros podem depositá-los no guichê de qualquer posto dos Correios ou em caixas de coleta. Uma vez recebidos, os itens são acondicionados em envelopes e guardados, ficando disponíveis para retirada durante 60 dias.
Às 10h, faça chuva ou sol, as pessoas vão se aglomerando e tomando seu lugar na fila. Ela é longa, se estende pela rua Rubião Jr. e corta a praça João Mendes, no centro de São José dos Campos. A porta do restaurante popular Bom Prato abre pontualmente às 10h30 para o almoço. O preço da refeição: R$1. 110 kg de Arroz, 43 kg de feijão, 20 dúzias de verduras, 140 kg de legumes, 6 kg de farinha de mandioca, 140 kg de algum tipo de carne, 1.250 unidades de pãozinho, 250 litros de suco e 1.250 unidades de sobremesa são preparados diariamente para saciar a fome dos clientes. Além de saborosa, a refeição é balanceada. São, precisamente, 1.200 calorias, média diária necessária para manter um organismo adulto. Antes, às 7h, tem o cafezinho. Achocolatado, leite com café ou iogurte, pão com margarina, requeijão ou frios e uma fruta da estação. Esse é o cardápio que atende cerca de 300 pessoas todas as manhãs. O desjejum também é equilibrado: são 400 calorias e custa apenas R$ 0,50 centavos. Dar conta deste serviço em um curto espaço de tempo não é tarefa fácil. A cozinheira Adriana Santos Ferreira, 38 anos, sabe bem disso. Às 6 horas ela já está no restaurante “pegando no batente”. “Nosso trabalho começa muito antes do preparo da comida. Chego, coloco o uniforme e realizo a higienização das mãos e braços. Só depois que vou para cozinha fazer a verificação da temperatura da água para o arroz, cozinhar o feijão e fazer a mistura”, contou. Apesar da árdua jornada, a cozinheira não consegue disfarçar a felicidade e o orgulho de fazer parte da equipe. “Este lugar foi um recomeço na minha vida. Eu agradeço muito a Deus por este emprego e os colegas de trabalhos que são maravilhosos. Tirei o bilhete premiado”, emocionou-se. BOM HUMOR Entre os 16 funcionários do restaurante, se destaca o sorriso de João Paulo Xavier Ribeiro Balbino, de 19 anos. Este é o primeiro emprego do rapaz. “No meio de tantos currículos, o meu foi escolhido e estou aproveitando bem a oportunidade. O ambiente aqui é bacana, trabalhamos sempre com muito bom humor. Sinto-me feliz servindo as pessoas! O bacana é que conseguimos fazer um bom atendimento com agilidade”, orgulha-se. A auxiliar de cozinha, Viviane aparecida de Andrade Santos, de 37 anos, que está há um mês no restaurante concorda com o jovem e garante que o atendimento é especial. “Não fazemos diferenciação entre as pessoas. Acolhemos todos igualmente. Isso é o que mais gosto daqui!”. “Tenho a oportunidade de ter bastante contato com os clientes e essa troca é muito interessante. Quando vou servi -los, recebo elogios como: ‘você é nossa querida’, ‘você nos trata muito bem’”, continuou ela. “Às vezes, algumas pessoas chegam com uma expressão mais fechada. Mas, aí, é só a gente chegar com um ‘bom dia’ carinhoso que tudo muda”, diverte-se. O aposentado José Pires de Faria, 88 anos, que o diga. Ele afirma sentir o carinho da equipe e garante: a comida é mesmo uma delícia. “Fui na minha consulta médica de rotina e aproveitei para almoçar. Sempre que possível faço minhas refeições aqui, pois além de ser uma comida gostosa, os funcionários são prestativos. Dá para matar ‘beeem’ a fome!”, brincou José. Dona Maria Granado, de 76 anos, aproveita a ida ao Bom Prato para fazer novas amizades. “Fico sozinha em casa. Então, quando venho almoçar, aproveito para bater-papo. Já na fi la, converso com um aqui, outro ali”, disse. “E quando minha neta sai de férias da faculdade e vem para cá, eu também a trago. Assim como eu, ela gosta da comida”, contou a aposentada. Visitando a cidade, Maria Luiza, de 55 anos, que mora em Guarulhos (SP), parou para tomar um café no restaurante. “Toda vez que estou em São José venho aqui. Eu não posso comer sal por conta da saúde, então tenho que escolher um lugar que tenha alimentos balanceados. Além disso, como não estou trabalhando, o preço é atrativo”, afirmou. Ela também brinca dizendo que entra na fi la mais de uma vez: “É uma delícia. Eu provo duas até quatro vezes a refeição”, riu. CONTROLE DE QUALIDADE Segundo a gerente nutricionista da unidade, Taís Tamires dos Santos Moreira Santana, 25 anos, para atender a necessidade de cada um e não haver desperdícios, as bandejas são separadas em duas cores. “Na de cor bege, a quantidade de arroz e feijão é um pouco menor do que na bandeja laranja”, explicou. A estagiária de nutrição Camila Machado Xavier, 23 anos, é a responsável pela parte administrativa: faz contato com os fornecedores, verificação do estoque, cuida do controle de temperatura dos equipamentos como geladeira, fogão, balcão térmico e da esterilização dos utensílios. “Diariamente retiramos uma amostra de todos os alimentos servidos. Ela fica armazenada por um período de 30 dias para ser analisada em laboratório, caso exista algum tipo de reclamação por parte do cliente”, revelou ela. “Tudo aqui é feito com muito cuidado, até a água do banheiro é filtrada. Não paramos um minuto para garantir que tudo saia corretamente! É muito satisfatório ver as coisas funcionando”. A equipe recebe treinamento mensalmente. “A responsabilidade é muito grande porque trabalhamos com o resgate da cidadania”, disse Fernando Oliveira de Jesus, supervisor da unidade. “Vemos pessoas que não tem condições financeiras, alegres por conseguir pagar pelo seu alimento. Tudo isso é muito gratificante. Fazemos com muito amor”, concluiu.
Ao menos 15 mil histórias se cruzam todos os dias nos corredores do Terminal Rodoviário Intermunicipal Frederico Ozanam ou “rodoviária nova”, como o espaço é conhecido pelos joseenses. São pessoas que levam na bagagem muito mais do que roupas. No entanto, na caminhada silenciosa entre o embarque e o desembarque, sonhos, experiências e projetos pessoais permanecem em segredo. Até que alguém pergunte: quem é você? O que você está fazendo aqui? Essas foram as perguntas que OVALE fez àqueles que circulavam pela rodoviária durante duas manhãs em que a reportagem esteve no local. Entre idas e vindas, conhecemos a professora aposentada Alice Tatai, natural de Caçapava, moradora de São José dos Campos há 25 anos e que afirma ser apaixonada pela cidade. “Quando me mudei para cá, achei a cidade muito boa. Aqui tem muita opção de trabalho”, contou ela. “Tem Chegadas e partidas: histórias cruzadas também muita atividade cultural e esportiva. Você não ‘vence’ fazer tudo o que é oferecido. Faço hidroginástica, natação, tênis, caminhada, curso de inglês, espanhol, francês… Até japonês aprendi a falar um pouco”, conta ela, que estava indo para São Paulo fazer um exame médico. A aposentada boa de papo os contou que adora aprender coisas novas, se divertir com amigos e viajar. “Já conheci a França, a Inglaterra, os Estados Unidos e a Tailândia. Amo os países asiáticos”, disse. Da carreira na área da educação, lembra que a maior dificuldade que enfrentou foi lidar com os pais dos alunos, que muitas vezes não aceitavam que os filhos estivessem ido mal na escola. “Alguns acham que nós perseguimos os seus fi lhos e não aceitam que fiquem para recuperação, mesmo sendo necessário. Nós professores só queremos o bem para o aluno. Todo professor quer ajudar”, dividiu Alice. Obrigada pela conversa, professora, boa viagem! A segunda pessoa que conhecemos na nossa jornada foi a também professora Lilian Cristina Pires Silva, que veio participar de um congresso de educação em São José dos Campos. Mineira, com residência em Salvador, ela aproveitou a estadia na cidade para conhecê-la melhor. “Fui aos museus Municipal, de Artes Sacras, do folclore e no Parque da Cidade. No Museu do Folclore, por exemplo, vi muitas peças interessantes e, no dia estava tendo o projeto ‘Museu Vivo’, com música e culinária. Achei bacana”, contou. A conversa foi rápida, o ônibus logo chegou. Lilian encararia 24 horas de viagem. Antes de partir, a professora comentou: achou os joseenses hospitaleiros. “Com certeza voltarei em outra ocasião”. Opa! Volte sempre! PERCEPÇÕES O estudante Lucas Azevedo da Conceição, carioca da gema, veio para São José em 2014 fazer curso pré-vestibular. Seu sonho: ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Permaneceu na cidade e cursa engenharia civil na desejada instituição. O que fazia na rodoviária? Estava indo para Guarulhos, onde pegaria um vôo para o Chile. Para ele, se comparado ao Rio de Janeiro, o custo de vida de São José é mais barato. “Gosto muito da calmaria daqui. Sem contar que é tudo muito perto. É fácil ir para São Paulo e para o Rio, por exemplo”, afirmou. Lucas contou ainda sua experiência com uma iguaria valeparaibana: o bolinho caipira. “Todo o mundo fala bastante do bolinho, mas quando experimentei não achei nada demais. É só um croquete de carne com nome diferente!”, brincou. Que isso, menino, não fale assim! Bom passeio!  HISTÓRIAS No prédio, inaugurado em 1976, são atualmente realizados 3.263 embarques e 3.213 desembarques por semana. Os principais destinos são São Paulo, Rio de Janeiro, as cidades do Litoral Norte, municípios do sul de Minas Gerais e Estados das regiões Norte e Nordeste. Segundo, Daniel Esteves, coordenador operacional da empresa Sinart (Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico Ltda.), a Rodoviária Nova guarda muitos episódios inusitados, atrapalhados e, alguns, muito tristes. “Nesses três anos gerenciando o terminal, presenciei muitas situações. Mas uma experiência que me marcou: foi quando um homem sofreu infarto fulminante. Prestamos os primeiros socorros, acionamos os bombeiros e tentamos reanimá-lo, mas infelizmente não adiantou e a pessoa morreu”, lamentou. Outro caso triste vivenciado pelo coordenador foi quando encontraram um feto em um dos banheiros. Mas ele ressalta que o lugar reserva mais histórias felizes do que tristes, uma vez que a rodoviária é ponto de encontros de namorados e reencontro de familiares e amigos, e são inúmeros os momentos divertidos. “Aqui acontece até pedidos de casamento!”, diverte-se. “E também conseguimos identificar algumas pessoas desaparecidas, uma alegria para a família. Sem contar os objetos hilários que são esquecidos de vez enquanto, como muletas, animal de estimação e até cadeira de rodas”, ri o gestor das lembranças. ÚLTIMA PARADA Se muitos vêm e vão, há aqueles que resolvem permanecer. É o caso de Claudinha, senhora que mora no local há mais de 20 anos. “Ela é uma pessoa muito amorosa e prestativa. Recolhe o lixo que vê no chão, junta as bandejas na praça de alimentação e entrega nos estabelecimentos… Quando vê alguém carregando malas pesadas ela se oferece para ajudar”, contou a representante de vendas do Terminal Rodoviário, Claudia Lamoia Neto Silva. Claudia conta que sua xará é seu xodó. “Todo o mundo aqui gosta da Claudinha e sempre estamos cuidando dela de alguma forma”, contou. “Ela gosta muito de macarrão. Então, quando posso, eu a levo para comer”, completou a funcionaria. A representante de vendas conta que a senhora já passou por momentos difíceis. “Ela engravidou duas vezes. Nessas ocasiões, Claudinha foi encaminhada ao hospital, passava um tempo por lá e depois voltava para o terminal. Como ela tem problemas de memória, não sabemos o que aconteceu com os bebês. Provavelmente foi dado para adoção”, emociona-se. De acordo com Daniel Esteves, já foram realizadas inúmeras tentativas de encontrar a família da Claudinha, mas não houve sucesso.
Adquirir um imóvel ainda na planta pode ser um bom negócio. É o que garante Paulo Porto, professor do MBA de Gestão de Negócios Imobiliários e da Construção Civil, da FGV (Fundação Getulio Vargas).“O preço neste tipo de investimento é o grande atrativo, já que o valor pode ser 30% menor do que o cobrado após a obra finalizada” avalia o especialista. O motivo, segundo ele, é que quem faz esse tipo de transação está assumindo o risco da construção. “Ao adquirir uma propriedade na planta, a pessoa está comprando uma ‘promessa’. De modo que, para compensar os riscos, as construtoras costumam estabelecer um valor mais baixo do que seria cobrado pela mesma unidade pronta”, continuou.  Se comprar imóvel na planta é um bom investimento, ficar atento a tudo o que envolve essa compra, por outro lado, é essencial para não cair em armadilhas. “É importante averiguar a idoneidade da construtora, os materiais que serão utilizados na construção, se a empresa costuma atrasar as obras e, claro, ler o contrato”, alertou Paulo Porto, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas). A assistente de recursos humanos, de São José, Taiza Mariana Martins de Barros Pedroso, conhece bem possíveis “arapucas” desse tipo de negócio. “Comprei um apartamento no projeto que custava entorno de R$ 100 mil reais na época. Depois de uns três anos pagando, a obra foi embargada. Entrei com processo e conseguir reaver o dinheiro, mas a dor de cabeça foi grande”, contou. Já o músico Thiago Medina, 37 anos, também de São José, teve mais sorte. “Na planta, o valor e as formas de pagamento são mais acessíveis. Não tive problemas com a construtora e nem com o prazo de entrega. O prédio ficou pronto antes mesmo do esperado”. A supervisora Ursula Maroh Costa, 30 anos, afirmou estar satisfeita com a escolha de comprar na planta. “Escolhi este tipo de empreendimento por ser mais em conta e também pelo fato de ser um edifício novo. As obras estão adiantadas e estou satisfeita”, ressaltou. INVESTIMENTOS Odir Catanhede Guarnieri, coordenador do Núcleo de Pesquisa Econômico-Sociais da Unitau (Universidade de Taubaté), esclarece que quando o assunto é a compra do imóvel, além da questão financeira, outros aspectos são interessante no negócio. “Há ainda a possibilidade de personalização do imóvel”, lembrou. “O comprador pode, por exemplo, modificar algum cômodo sem ter gastos com pedreiros. Essa é ainda uma residência que nunca teve morador antes; sua estrutura é toda nova; e as fiações e os encanamentos estão intactos. Com isso, o imóvel tende a valorizar”, avaliou. Veja ao lado, orientações do Procon-SP para a aquisição do imóvel de forma segura. Nove cuidados necessários na compra do imóvel:
Quem nunca passou um “perrengue” com o carro que atire a primeira pedra! É o pneu que fura, o motor que faz barulho estranho, “esquenta”... Mas, para evitar essas sensações de sufoco, algumas observações podem ser feitas antes de encarar a estrada. Confira as dicas de Ricardo Sardagna, superintendente da Allianz Automotive Região Américas. Embreagem e suspensão "A suspensão, por exemplo, pode gerar ruídos e desconfortos aos passageiros, principalmente quando o motorista trafega em locais esburacados ou estradas de terra. Além disso, desgastes na embreagem também podem ocorrer, podendo causar quebra e imobilizar o veículo. Por isso, faça revisões frequentes" Motor "Muitas vezes, a falha está relacionada à qualidade do combustível utilizado ou ao filtro fora da validade. O superaquecimento pode trazer graves consequências causadas por falhas no sistema de refrigeração. Por isso, sempre preste atenção ao nível do líquido de arrefecimento (a famosa ‘água do motor’), e no indicador de alta temperatura no painel do carro" Interior "A exposição ao sol e a infiltração de água e líquidos é o que causa danos ao painel, banco e tapeçaria dos veículos. Para evitar o problema, o proprietário pode optar por colocar uma proteção no painel. Manter o carro fechado por muito tempo pode causar incômodos como bolor e mau cheiro. Vale deixar uma frestinha da janela aberta, se estiver estacionado em local adequado" Na hora da compra "Antes de decidir pela compra do automóvel, convide um mecânico de confiança (ou alguém com conhecimento automotivo) para ir até a loja com você. Um especialista tem a capacidade de avaliar o carro usado e apontar possíveis defeitos que podem aparecer. Essa atitude vai ajudar o comprador a evitar gastos com manutenção logo após a aquisição do carro"
Vivi Guedes, personagem de Paolla Oliveira na novela “A Dona do Pedaço” (Globo), virou sucesso nas redes sociais (com mais de 700 mil seguidores). A fictícia influenciadora digital acaba de estrelar comercial da Fiat. O modelo Fiat Toro 2020 foi apresentado no capítulo da quinta-feira (8) da novela e quebrou paradigmas: pela primeira vez um comercial foi gravado pela equipe dos estúdios de um folhetim da casa, numa combinação entre comercial e dramaturgia. “Temos investido na integração dos principais ativos da Globo para a construção de ofertas e soluções de comunicação inovadoras e cada vez mais atraentes para o mercado. Trata-se de uma forma de atuação que constrói valor para toda cadeia”, afirmou em nota Eduardo Schaeffer, diretor de Negócios Integrados da Globo. LANÇAMENTO Com tração 4X2 ou 4X4, o Fiat Toro é produzido para utilização familiar em cidades ou estradas asfaltadas, como um SUV de luxo, até para algo mais pesado como uso em estradas de terra e fazendas.  Na linha 2020, destacam-se entre as novidades duas versões de entrada Endurance (uma Flex com câmbio manual e uma Diesel com transmissão automática de nove velocidades). Além dela, há as versões Freedom, Volcano e Ranch, todas com opções de três motores - Flex 1.8 e 2.4 e Turbodiesel 2.0 - combinados com três diferentes câmbios: manual de cinco marchas, automáticos de seis e nove marchas. Com exceção da versão Endurance, todos os veículos vêm com nova central multimídia, com tela de 7 polegadas. A agressiva e moderna frente do automóvel ganhou novo design (o Fiat Toro traz para a América Latina pela primeira vez o conceito italiano S-Design, combinando estilo e conteúdo para um público dinâmico e esportivo). Três novas cores (Prata Billet, Marrom Deep e Azul Jazz) se somam para compor uma palheta de nove cores.  Ainda em 2019, a família reverá novo integrante: a versão Ultra, com motor 2.0 Diesel, 4x4 e câmbio automático de nove marchas. Como diferencial, a proteção do conteúdo na caçamba, com melhor vedação contra infiltração de água e tampa removível.
Memórias do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e perspectivas para o seu futuro estarão no projeto ITA 70 Anos, iniciativa que contará com livro e exposição produzidos em comemoração aos 70 anos do instituto de São José dos Campos. O projeto, que deve ser lançado em 2020, foi aprovado pela LIF (Lei de Incentivo Fiscal) do município pelo valor de R$ 96.936. Ou seja, pessoas físicas e jurídicas poderão ajudar a viabilizá-lo, destinando, ainda neste ano, até 100% do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) ou, no caso das empresas, até 100% do ISS (Imposto Sobre Serviços) devido. A obra, produção do instituto em parceria com a AEITA (Associação dos Engenheiros do ITA), tem como editor o jornalista José Guilherme Ferreira, também curador da mostra. A publicação terá cerca de 150 páginas e contará com fotografias de época, reproduções de documentos, de plantas e de objetos. Já a exposição,montada no hall do auditório Lacaz Neto, no próprio ITA, terá como espinha dorsal uma grande linha do tempo (dos anos 1950 aos tempos atuais), ilustrada com objetos, projetos de alunos, documentos e fotografias da época, alguns itens nunca antes exibidos. “Faz parte da missão da associação promover ações que enalteçam o nome do instituto e preservem a sua história e memória. Apoiamos anteriormente a edição de duas publicações, uma lançada em 2000, no 50º aniversário do Instituto, e outra dez anos depois, no 60º aniversário. Também editamos, em 2012 e 2015, dois livros que mostram o ITA sob o olhar de seus alunos, ou seja, trazem suas vivências e experiências durante os cinco anos do curso”, afirmou o engenheiro Marcelo Dias Ferreira, presidente da Associação dos Engenheiros do ITA. “Para o 70º aniversário, a AEITA propôs um projeto mais audacioso, que envolve a organização de parte do acervo histórico do ITA e, ao mesmo tempo, registro e divulgação dos projetos e atividades atuais, que são a base da formação futuros engenheiros”, continuou. “Durante o trabalho de catalogação desse acervo histórico, pensamos que o formato mais adequado para a publicação seria um livro de mesa, com muitas imagens e ilustrações, que farão a ponte entre o passado e o futuro da escola”, continuou. “E, a exposição, em seu conjunto, pretende resgatar a memória afetiva de alunos e professores que sonharam com uma escola inovadora e ajudaram a moldar um instituto de reconhecida excelência”. O projeto tem sido planejado desde 2018. Ao todo já foram catalogados cerca de 4.000 fotos, 2.000 plantas de projetos de alunos e professores e 20 mil documentos, entre correspondências, relatórios e informativos. Também foram organizados objetos, como placas, medalhas e material escolar (réguas, jogos de testes psicológicos), além de livros e outras publicações. História Fundado em 1950, o ITA nasceu a partir do sonho do Marechal Casimiro Montenegro Filho que, já na década de 1940, quando o país era essencialmente agrícola e com uma indústria mínima, acreditou ser possível projetar e fabricar aviões no Brasil. O futuro provou que ele estava correto. Em 1943, ao viajar para os Estados Unidos, o militar conheceu o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e ficou maravilhado com a ideia de criar um instituto semelhante no Brasil com o objetivo não só de formar engenheiros, mas desenvolver tecnologia aeronáutica. Em 1945, Casimiro fez uma apresentação a um grupo de oficiais do Estado Maior da Aeronáutica no local que seria o futuro campus do ITA. “O ITA tornou-se uma realidade. Uma escola de engenharia de alto nível no país, com instalações adequadas, professores experimentados, inicialmente trazidos do exterior e residindo no próprio campus, juntamente com os alunos”, declarou Ferreira. “E, ao redor do ITA formou-se o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), um complexo de pesquisa e desenvolvimento na área aeroespacial”. Foi um marco na história do país. Na década seguinte, 1960, houve a criação do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que hoje desenvolve satélites brasileiros, monitora o desmatamento da Amazônia e é responsável pela nossa previsão de tempo e clima, e da Embraer, que de alguma forma são os frutos do ITA. O protótipo do Bandeirantes, seu primeiro avião, foi construído por engenheiros do instituto. O ITA ao longo da sua história manteve seu viés de vanguarda e capaz de gerar impactos positivos na sociedade e muitas outras empresas que surgiram de egressos da escola, nos mais diversos setores do país, alguns exemplos são: Casa dos Ventos (energia eólica), Quero Bolsa (educação), Back4app (tecnologia da informação) e Altave (aeroespacial). Para o futuro, a instituição informou em nota que tem trabalhado intensamente na modernização do ensino da engenharia, atualizando não só o currículo, mas algumas metodologias, a fim de se manter atualizado na formação de engenheiros preparados para o mercado do futuro  “Além disso, desde o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2011-2020), o ITA tem realizado paulatinamente ações necessárias, como obras e contratações, para que seja capaz de ampliar o número de alunos de graduação”, informou. Fomento Para fornecer mais informações sobre o projeto de comemoração dos 70 anos do ITA foi criado um site (www.aeita.com.br/ita70anos). “Contamos com a participação dos joseenses nesse importante projeto de preservação da história do ITA, que se confunde com a própria história de São José e seu desenvolvimento voltado para a ciência, a tecnologia e a inovação”, afirmou Ferreira. O evento, carro-chefe do projeto ITA 70 Anos, foi aprovado no ProAC ICMS, lei estadual de incentivo à cultura que permite às empresas destinarem até 3% do ICMS devido. Também é possível contribuir por meio de Lei Federal de Incentivo à Cultura, em que pessoas físicas que declarem Imposto de Renda no modelo completo podem destinar até 6% à iniciativa e pessoas jurídicas com lucro real até 4%. Saiba mais