Jussara Carvalho

Resiliência diante às mudanças climáticas em São Paulo

O governo de São Paulo firmou uma parceria com o Governo Alemão na elaboração de planos e ações que contribuam no enfrentamento dos impactos

Jussara Carvalho é engenheira e doutora em gestão de recursos hídricos
30/11/2021 às 14:14.
Atualizado em 30/11/2021 às 14:14

Escassez hídrica, tempestades de poeira, aumento do nível do mar, incêndios, seca, deslizamentos de terra, enchentes... são exemplos reais dos efeitos das mudanças climáticas em nossas vidas. Para aumentar a capacidade dos municípios de enfrentar esses desafios impostos pela natureza e agravados por nosso modo de vida, o governo de São Paulo firmou uma parceria com o Governo Alemão na elaboração de planos e ações que contribuam no enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas e na melhoria da qualidade de vida da população.

De acordo com o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA) verificou-se nos últimos anos um aumento da frequência de eventos extremos no Brasil.

Em São Paulo, 96% da população vive em áreas urbanas. Construir cidades mais seguras é um desafio a ser alcançado a médio e longo prazo que necessita do envolvimento de vários níveis de governo e de parcelas da sociedade.

Por meio da Casa Civil, Secretaria de Desenvolvimento Regional, Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente, em parceria com a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), o Governo paulista está implementando juntamente com o poder público de 13 municípios e uma região metropolitana, os Planos Municipais e Regional de Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima. 

Os municípios de Americana, Apiaí, Embu das Artes, Francisco Morato, Gabriel Monteiro, Guaratinguetá, Guarulhos, Jales, Iguape, São José do Rio Preto, Rosana, Registro e Ubatuba, foram escolhidos para participar, após a aplicação dos conceitos do Programa “Construindo Cidades Resilientes'' da Organização das Nações Unidas (ONU) e do índice de capacidade de resiliência desenvolvido pela SIMA.

Em parceria com interlocutores e interlocutoras locais, o Projeto Municípios Paulistas Resilientes (PMPR) está levantando as necessidades, definindo estratégias e alinhando intervenções baseadas na ciência por meio de estratégias de Adaptação Baseada em Ecossistemas (AbE), que utiliza os  serviços  ecossistêmicos  para contribuir com a  diminuição dos riscos relacionados à mudança do clima. A conclusão desse projeto piloto servirá de base para um curso de Ensino a Distância (EAD), que será disponibilizado para os 645 municípios do Estado.

De maneira inovadora, o Governo de São Paulo vai disponibilizar, em uma plataforma online, dados atualizados georreferenciados, informações relacionadas aos temas de mudança do clima, recursos hídricos, infraestrutura, biodiversidade, uso do solo e aspectos sociais. Para obter um melhor resultado no uso do site, os interlocutores serão capacitados a trabalhar com os dados e saber identificar as vulnerabilidades climáticas e se prepararem para o seu enfrentamento. 

Os efeitos das mudanças climáticas não afetam igualmente todas as pessoas. As desigualdades estruturantes construídas por relações de gênero, etnia, faixa etária, cor, raça e renda fazem com que alguns grupos sociais sejam mais vulneráveis. Para planejar medidas eficazes é necessário conhecer e reconhecer as diferentes necessidades, vulnerabilidades, além de potencialidades garantindo o direito à vida, à saúde, à educação e à habitação.

Buscar a resiliência climática é um compromisso social, uma ação interdisciplinar, que envolve as várias secretarias de um município com resultados econômicos, um tripé de sustentação que garante mais qualidade de vida para as gerações atuais e futuras.

Com a conservação e a recuperação das florestas, por exemplo, diversas oportunidades de trabalho se abrem, são os empregos verdes existentes no sistema agroflorestal, no ecoturismo, no esporte de aventura, dentre outros. Um verdadeiro leque de benefícios que contribuem também para a neutralização de carbono lançado na atmosfera.

Atualmente em São Paulo, possuir reserva florestal se tornou mais um importante instrumento de captação de recursos com o ICMS Ambiental, que prevê um repasse anual de R$250 milhões para os municípios com vegetação nativa ou em recomposição em seu território. 

Segundo a ONU, uma cidade resiliente é um local onde os desastres são minimizados porque seus habitantes vivem em comunidades com serviços e infraestrutura organizados que obedecem a padrões de segurança, além de códigos de construção.

Os impactos das mudanças climáticas são uma realidade em nossas vidas e não podemos ficar de braços cruzados diante dessa situação, ou apenas agir de maneira reativa. O custo da não ação é muito grande. Chegou a hora de anteciparmos os problemas e agirmos, trabalhando unidos em torno de um objetivo comum, construir um Estado mais resiliente e preparado para o enfrentamento das adversidades impostas pela crise climática.

 Jussara Carvalho é engenheira, doutora em gestão de recursos hídricos, coordenadora do PMPR e assessora internacional da SIMA

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