Editorial

Vírus do negacionismo

15/01/2022 às 01:22.
Atualizado em 15/01/2022 às 01:22

O fim da pandemia já pareceu estar bem mais perto. Mas a união entre uma nova variante mais transmissível do vírus e o relaxamento dos cuidados entre a população foi suficiente para uma nova - e potente - onda de casos de Covid-19.

Isso ocorreu praticamente no mundo todo, e no Vale do Paraíba não foi diferente. Se mantiver o ritmo das duas primeiras semanas do ano, janeiro de 2022 se tornará o mês com mais diagnósticos positivos da doença na região desde o início da pandemia.

Por enquanto, o mês recordista de casos foi janeiro de 2021, com média de 1.238 por dia. Nos primeiros 13 dias de janeiro de 2022, a média está em 1.482.

A onda é nova, mas os efeitos dela são velhos conhecidos. Um deles é o aumento no número de internações. Nesses 13 primeiros dias de janeiro, foram 700 na região, contra 592 em todo o mês de dezembro. Situação que tem obrigado as prefeituras a ampliarem o número de leitos.

As mortes também voltaram a crescer. Desde setembro de 2021 a região não passava da marca de 30 óbitos em um mês mesmo. E isso apenas nos 12 primeiros dias de janeiro.

O vírus é teimoso, persistente. Assim como os principais aliados dele, os negacionistas. Mesmo dois anos após o surgimento dos primeiros casos no mundo, ainda há quem espalhe mentiras sobre a doença, boicotando os esforços de uma maioria que tenta sobreviver à pandemia.

Apenas essa semana, por exemplo, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), disse que a imunidade de rebanho está salvando o Brasil da Covid-19 -- uma declaração que não encontra respaldo em evidências científicas -- e distorceu um estudo divulgado por um órgão sanitário dos Estados Unidos para tentar menosprezar a importância da vacinação.

Graças à vacinação, a nova onda da pandemia não tem sido tão letal quanto as anteriores. Mas qual é a vacina contra o negacionismo? Como podemos nos proteger de um presidente que boicota a imunização (até em relação às crianças), despreza a dor por 621 mil mortes, impulsiona aglomerações, desestimula medidas de proteção e promove a desinformação?

Nesse caso, a vacina é o voto. Ela deve ser aplicada em outubro desse ano, em uma ou duas doses.

LEIA MAIS

21/05/2022 - 00:35

13/05/2022 - 23:53

06/05/2022 - 23:36

VER MAIS
Siga OVALE nas redes sociais
Copyright © - 2021 - OVALETodos os direitos reservados. | Política de Privacidade
Desenvolvido por
Distribuido por