Editorial

O mundo bolsoplanista

21/05/2022 às 00:35.
Atualizado em 21/05/2022 às 00:35

O presidente da República aproveitou o encontro com o homem mais rico do mundo para, de forma dissimulada, se defender das críticas que recebe devido à desastrosa política ambiental de seu governo.

Jair Bolsonaro sabe que, apesar de todos os outros inúmeros problemas de sua gestão - como a crise econômica, que tem deixado as taxas de inflação e de desemprego nas alturas e levado milhões de brasileiros à miséria; as suspeitas de corrupção envolvendo ministérios, aliados e parentes; e os ataques incessantes à democracia e às instituições -, o que mais complica sua relação com as potências mundiais é o aumento do desmatamento da Amazônia.

Durante o encontro com Elon Musk, Bolsonaro tirou vantagem da falta de clareza da pauta da reunião para afirmar que a parceria poderia ajudar a mostrar "para o mundo a verdade sobre aquela região tão cobiçada" e que "a Amazônia é preservada". O presidente falou ainda que, com ajuda dos satélites da Starlink, do empresário sul-africano, iria colocar um "ponto final" nessa história.

Mas, como quase sempre ocorre quando Bolsonaro abre a boca, o discurso está longe de corresponder aos fatos.

Em primeiro lugar, o Brasil já tem tecnologia para monitorar a Amazônia. O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que tem sede em São José dos Campos e é vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, faz isso desde 1988, sendo referência mundial nesse tipo de trabalho.

O Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e o MapBiomas, que não são ligados ao poder público, também fazem esse monitoramento sobre o bioma.

Além disso, os equipamentos da empresa de Musk são satélites de comunicação, que não serviriam para esse tipo de monitoramento. Ou seja, o Brasil já tem equipamentos para detectar as queimadas no bioma. E eles mostram, inclusive, que o desmatamento tem batido recordes no governo Bolsonaro. O que falta é fiscalização, devido ao desmonte promovido pelo presidente nos órgãos do setor.

Enquanto o bilionário sul-africano negocia a compra do Twitter, nossa realidade é diferente: é a de lamentar que o governo Bolsonaro é tão trágico que é impossível resumir todos seus pontos negativos em apenas 280 caracteres.

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