Editorial

O ensaio do golpismo

Publicado em 04/09/2021 às 00:41Atualizado há 04/09/2021 às 00:41

Dia 7 de setembro de 1822. Há quase dois séculos, em cena às margens do Ipiranga que foi imortalizada em pinturas e também no hino nacional, Dom Pedro I declarou a independência do Brasil. Terminava ali um período de 322 anos de domínio colonial exercido por Portugal.

Dia 7 de setembro de 2021. Passados 199 anos, os tempos são outros. O Brasil é uma República, que elege seus governantes por meio do voto. Mas, de forma absurda e inaceitável, é justamente quem ocupa o cargo máximo da nação que, agora, atenta contra a nossa liberdade.

Em desespero devido à queda acelerada de sua popularidade, Jair Bolsonaro sabe que provavelmente perderia a eleição caso ela fosse realizada agora. E como ainda faltam 13 meses para a disputa em outubro de 2022, o fracasso parece ainda mais certo, já que não se enxerga no horizonte nenhum fator que possa ajudar a recuperar os rumos desse desgoverno. Até agora, a maior aposta do presidente em busca dos votos que lhe faltam é repaginar e turbinar o Bolsa Família - programa que, antes de assumir o cargo, Bolsonaro chamava de 'voto de cabresto'. Mas, com a economia piorando cada vez mais, não há de onde tirar dinheiro. Se insistir na estratégia, as contas públicas vão para o espaço.

Nesse cenário nada promissor (para ele), o presidente resolveu partir para o Plano B - ou, talvez, aquele que tinha sido seu Plano A desde sempre. Após combater com uma série de inimigos imaginários, decidiu ir para o duelo com o STF (Supremo Tribunal Federal) - em especial, com os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Como criança encrenqueira que é, ainda fez questão de avisar todo mundo sobre o dia da briga: o 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil.

Bolsonaro recorre a bravatas para desviar o foco e não dar explicações sobre a crise na economia, o aumento do desemprego, da miséria e da inflação, as quase 600 mil vidas perdidas para a Covid. Ou alguém em sã consciência acredita que a culpa disso tudo é do STF, dos governadores, da urna eletrônica ou de qualquer outro 'inimigo' do presidente?

Independência é um sinônimo de liberdade. Não de tirania, nem de ditadura. Que o Brasil dê um ultimato para quem insiste em ser uma ameaça à nossa democracia.

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