Editorial

O ciclo de Bolsonaro

Publicado em 11/09/2021 às 00:19Atualizado há 11/09/2021 às 00:19

Sem projetos e sem ideias para o país, o (des)governo de Jair Bolsonaro se resume a um ciclo. Independentemente da pauta do momento, os atos se repetem sempre da mesma forma.

A primeira etapa de cada ciclo nasce em alguma trapalhada, bizarrice ou esticada de corda por parte do presidente da República. A segunda é a resposta das instituições, que costuma ser tardia ou sem o vigor necessário. A terceira é a insistência de Bolsonaro, testando os limites do país. A quarta é o recuo, que ocorre não por arrependimento, mas sim por proteção pessoal. A quinta é o arrefecimento das tensões, que dura alguns dias ou semanas, até que se inicie um novo ciclo.

Foi assim, por exemplo, na irresponsável atuação do governo federal no enfrentamento à pandemia. Como se as vidas dos brasileiros não fossem importantes, Bolsonaro ignorou os alertas da ciência e seguiu uma cartilha insana, em que contrariava todos os principais pontos defendidos pelas autoridades sanitárias. Foi assim que o presidente zombou do vírus, criticou o uso de máscaras e o isolamento social, negligenciou a busca por vacinas e apostou em medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19. Só recuou quando esses atos imprudentes passaram a ser investigados, sua popularidade começou a ruir e os aliados ameaçaram deixá-lo na mão.

O ciclo se repetiu agora, na mais recente ofensiva golpista de Bolsonaro. Por acaso era novidade o apreço do presidente pelo regime ditatorial? Nunca foi. Mas acuado pelo derretimento de sua imagem e pelas projeções de derrota na eleição do ano que vem, Bolsonaro decidiu convocar manifestações com pautas antidemocráticas, fazendo seus seguidores acreditarem que aplicaria um autogolpe no Dia da Independência.

Após novos crimes de responsabilidade, o presidente recebeu duras críticas de autoridades e viu aumentar o risco de impeachment. Veio a carta de recuo, na qual alegou ter cometido um "arroubo" provocado pelo "calor do momento".

A cabeça do presidente não mudará. Não será aos 66 anos que atingirá a maturidade. A dúvida é quando surgirá a nova crise. E o problema é que, a cada novo ciclo, o país está em uma situação ainda pior do que estava no anterior. O Brasil só sairá dessa quando chegar ao fim o ciclo de Bolsonaro.

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