Editorial

Mil dias de retrocesso

Publicado em 02/10/2021 às 01:52Atualizado há 02/10/2021 às 01:52

Datas redondas costumam ser marcadas por celebrações, mas na última segunda-feira, 27 de setembro, quando foram completados 1.000 dias de governo Jair Bolsonaro, ninguém -- nem o presidente e nem a população brasileira -- teve motivo algum para comemorar.

Mesmo em uma análise aprofundada de cenários, é praticamente impossível apontar algum aspecto em que o Brasil tenha melhorado nesse período -- e muito disso ocorre por culpa direta do presidente. Bolsonaro estragou o que estava bom, e piorou o que já era ruim. E os números provam isso, sem deixar dúvidas.

Na economia, por exemplo, a inflação disparou. Era de 3,78% em janeiro de 2019 e chegou a 9,68% em agosto de 2021. Essa alta nos preços, que todos nós sentimos no bolso, é puxada principalmente por combustíveis, energia elétrica e alimentos.

O preço médio do litro da gasolina foi de R$ 4,92 (valor já corrigido pela inflação) para R$ 6,09. O do gás de cozinha foi de R$ 79,80 (valor também já corrigido) para R$ 98,70.

O dólar foi de R$ 3,89 (valor corrigido) para R$ 5,44. O número de desempregados passou de 13,4 milhões para 14,4 milhões. O número de pessoas na pobreza saltou de 23,1 milhões para 27,7 milhões -- e assistimos cenas como a de pessoas esfomeadas disputando sobras em caminhões de ossos, por exemplo.

Na saúde, quase 600 mil mortos por um vírus que Bolsonaro ignorou, zombou, negligenciou. No meio ambiente, o desmatamento só cresce, com a Amazônia ardendo em chamas -- embora Bolsonaro minta a respeito. E por falar em mentiras, são cerca de 4.000 até agora. Média de quatro fake news por dia, saídas da boca do presidente. Isso sem falar nas declarações que criaram crises institucionais ou que afrontaram a democracia.

Para o irresponsável Bolsonaro, o custo disso já chegou. A popularidade do presidente derrete e, a cada dia que passa, a reeleição em 2022 fica mais improvável.

Para a população, fica a sensação de que o relógio demora a passar. São 1.000 dias. São 24 mil horas, 1,44 milhão de minutos, 86,4 milhões de segundos. Parece uma eternidade, mas não é. O fim desse pesadelo tem data certa: 31 de dezembro de 2022. De todos os dias do governo Bolsonaro, esse é o mais esperado.

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