Editorial

Brasil: 600 mil mortes

Publicado em 08/10/2021 às 22:20Atualizado há 08/10/2021 às 22:20

O Brasil superou nessa sexta-feira a triste marca de 600 mil mortos pela Covid-19. E o que torna ainda mais doloroso esse registro é a certeza de que centenas de milhares de vidas poderiam ter sido salvas no país caso tivéssemos adotado medidas básicas sugeridas, com clareza, por especialistas.

O vírus, obviamente, é uma ameaça global, que causou quase 5 milhões de mortes ao redor do planeta. Mas por que o Brasil, que tem 2,7% da população mundial, responde por 12,4% das vidas perdidas?

Em números gerais, somos o segundo país com mais mortes, atrás apenas dos Estados Unidos. Proporcionalmente, somos a oitava nação com mais óbitos por milhão de habitantes. O genocídio ocorrido por aqui tem como principal responsável a atuação inconsequente e negligente - e, ao que tudo indica, criminosa - do governo Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia.

De forma absurda, o presidente ironizou o vírus, fez piadas sobre a doença e sobre os brasileiros que morriam em decorrência dela, propagou remédios comprovadamente ineficazes contra a Covid-19, estimulou aglomerações e o não uso de máscaras de proteção, e ainda boicotou a corrida para a compra de vacinas.

Em resumo, na guerra contra a Covid-19, Bolsonaro ficou ao lado do vírus em todos os campos de batalha. No Brasil, ele foi o maior aliado da pandemia, sem dúvida alguma. E, para piorar, esse comportamento irresponsável foi replicado país afora por milhões de apoiadores do presidente, que cegos pela polarização política, abraçaram o negacionismo sem pestanejar.

Boicotado por Bolsonaro, o Brasil, que sempre teve programas de vacinação que são referências no mundo, é apenas o 59º país que mais imunizou sua população contra a Covid-19, proporcionalmente.

E a vacinação por aqui - que ocorre não 'graças a Bolsonaro', e sim 'apesar dele' -, é o nosso alento no dia em que atingimos a triste marca de 600 mil vidas perdidas para o vírus. Devido à imunização, a pandemia está em desaceleração no país - embora ainda sejamos o terceiro com a maior média diária de novas mortes no mundo e o primeiro com mais óbitos esse ano.

Em 2021, o Brasil começou a vencer a Covid-19. Em 2022, o país tem a missão de derrotar outro vírus mortal. Nas urnas.

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