Editorial

A vergonha mundial

Publicado em 25/09/2021 às 00:54Atualizado há 25/09/2021 às 00:54

Não satisfeito com o fato de que a imensa maioria dos brasileiros quer ele fora do cargo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou o discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, para mostrar ao mundo todo por que é tão rejeitado por aqui.

Em um verdadeiro show de horrores, Bolsonaro mandou às favas os assessores que insistiam em um tom diplomático e optou por um pronunciamento repleto de mentiras, distorções e radicalização.

Como se estivesse em um palanque, mirou seus eleitores mais radicais e, mesmo em apenas 12 minutos, conseguiu enfileirar uma sequência tão grande de inverdades que deixou boquiabertos até aqueles que nada esperam dele.

Defesa do tal tratamento precoce contra a Covid-19, cuja ineficácia é comprovada? Teve. Crítica ao passaporte sanitário? Teve. Distorção sobre a implantação do auxílio emergencial, que foi forçada pelo Congresso, e que agora Bolsonaro tenta dizer que foi um mérito dele? Teve.

E teve muito mais. Fã confesso de regimes ditatoriais, o presidente torturou a verdade outras inúmeras vezes. Disse, por exemplo, que faz um governo "sem casos de corrupção", ignorando diversas investigações que envolvem aliados e sua família, e também descobertas da CPI da Covid. Afirmou que as manifestações de 7 de setembro, que foram marcadas por pautas antidemocráticas, foram a "maior manifestação de nossa história", fingindo não saber da existência de outros protestos, como a campanha das Diretas Já, em 1984, e os movimentos de junho de 2013.

Usou números isolados para tentar camuflar que os dois primeiros anos de seu governo registraram os piores ciclos de desmatamento na Amazônia. Disse que o Brasil, antes dele assumir, estava à beira do socialismo. Só faltou dizer que salvou o país do velho do saco ou do bicho papão.

Com um discurso tão desconectado da realidade, virou chacota internacional. Também repercutiu mal pelo mundo o fato de Bolsonaro ainda não ter se vacinado - e se orgulhar disso.

O presidente só disse uma verdade na ONU: "a história e a ciência saberão responsabilizar a todos". E quando essa hora chegar, nenhuma mentirá salvará Bolsonaro.

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