Guilhermo Codazzi

A distância não separa quem é próximo

Guilhermo Codazzi é jornalista, escritor e editor-chefe de OVALEPublicado em 08/10/2021 às 23:09Atualizado há 09/10/2021 às 11:42

Distância.

Palavra que tem origem latina, fruto de uma língua tão próxima -- e tão distante -- da nossa. Ela vem de dis (separado) e stantia (aquilo que está longe, que está afastado). Há milênios, a espécie humana lança mão de várias estratégias para fazer medições. A metrologia, que vem do grego metron (medida) e logia (estudo), é nossa companheira desde tempos muito distantes. Quatro mil anos atrás, por exemplo, os egípcios utilizavam o cúbito, distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio, como principal padrão de medida. Será que, colocando o dedo na consciência, esses incríveis construtores das pirâmides conseguiram chegar à medida exata de quanto dói uma dor de cotovelo?

Esse é o ponto. Eu explico!

Além do cúbito, a humanidade já inventou a régua, a fita métrica, a trena, o micrômetro e o paquimetro (para distâncias bem pequenas), o teodolito (grandes distâncias), o sextante e o astrolábio (para medir a distância de estrelas), entre outras ferramentas. Mas será o suficiente?

Um exemplo.

Longe. Perto.

Qual a distância entre as duas palavras? Veja bem, para o contador de caracteres, são absolutamente iguais, as duas são palavras com 5 letras. Ele está certo?

Estamos longe de saber.

Se a reta, por exemplo, é a menor distância entre dois pontos, como nos ensina a Física, chega a poesia, na letra de Manoel de Barros (1916 -- 2014), e diz categoricamente: a reta é uma curva que não sonha.

Falando em sonhos, qual será a distância precisa entre a realidade e eles? Será que ela é medida em carneirinhos?

Parece conversa de quem vive com a cabeça na Lua, né. Aliás, o nosso satélite está a 384.400 km distante da Terra, o homem já consegue medir. Mas e quanta poesia existe nela? Alguém pode dizer? Os oceanos, tão influenciados pelo luar, ocupam a área de 331 milhões de km². E quanto do seu sal são lágrimas de Portugal, perguntou Fernando Pessoa.

Diante disso, devemos admitir que falhamos. Somos incapazes de medir o que importa: o amor, a saudade, os sonhos... o que não tem preço. Mas, calma! Há um alento: não há distância até o próximo quando o próximo já está à distância do coração. Inté.

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