José Vicente da Silva Filho

A chocadeira de terroristas

Para DeMause, as raízes dessas manifestações de violência estão no sistema islâmico de misoginia que frequentemente segrega a família em atividades separadas de homens e mulheres

José Vicente da Silva Filho, Coronel reformado da PM de SP e ex-Secretário de Segurança PúblicaPublicado em 03/09/2021 às 10:25Atualizado há 04/09/2021 às 00:43

O novo governo Talibã, no Afeganistão, tem prometido renovar sua versão mais radical do passado, quando reprimia pesadamente costumes, meios de comunicação, entretenimento e, principalmente, liberdades consideradas excessivas para as mulheres, como estudo e trabalho. Buscando os necessários apoios internacionais os dirigentes talibãs acenam com modernização de sua gestão e respeito aos direitos das mulheres. Mas esses dirigentes sabem que enfrentarão oposição de radicais fundamentalistas, como a Al Qaeda e Estado Islâmico, berços de terroristas, em sua luta (jihad, que também significa empenho) pelo Islã.

Dois psicólogos, Lloyd DeMause – americano - e Alice Miller – polonesa - desenvolveram interessantes análises sobre fatores psicológicos subjacentes aos comportamentos dos terroristas. Para DeMause, as raízes dessas manifestações de violência estão no sistema islâmico de misoginia que frequentemente segrega a família em atividades separadas de homens e mulheres. Essa misoginia sempre foi característica marcante dos fundamentalistas do Afeganistão. Crianças nessas comunidades são frequentemente esbofeteadas, chicoteadas e humilhadas, além de relatos de abuso sexual dos meninos nas escolas. As crianças aprendem a temer intensamente seus pais e professores e aprendem que é pecaminoso pedir o atendimento de suas necessidades e desejos mais comuns.

O grande depósito de ódio acumulado retido numa memória emocional tornará muitas dessas crianças agentes potenciais a explodir sua vingança inconsciente dos sofrimentos da infância. Com lideranças religiosas radicais na jihad, fica fácil recrutar esses ressentidos e não haverá política do governo que possa lidar tão cedo com esse potencial terrorista cultivado desde a tenra infância.

Mas os cuidados com o desenvolvimento emocional das crianças não são problema apenas de fundamentalistas afegãos.  Adolf Hitler também foi típica vítimas de violência infantil, chegando a sofrer uma surra de 230 varadas desferidas por seu pai. Alice Miller (falecida em 2010) era dedicada aos estudos de abuso infantil e se assustou ao pesquisar na França e constatar que 89% das mães tinham espancado seus filhos antes dos dois anos. Surras não educam, como ensinam nossos indígenas que não batem em suas crianças.

No Brasil nascem, todo ano, mais de 400 mil crianças filhas de adolescentes, pobres em sua quase totalidade. Mães com menos de 15 anos geram 150 mil crianças. Seis milhões dessas crianças nascidas nos últimos 15 anos, boa parte em governos com pautas socialistas. Pode-se imaginar as múltiplas carências e agressões que elas sofreram, sofrem e sofrerão; muitas delas remoendo sofrimentos e vingança inconsciente. Nossa bandidagem fundamentalista está à espreita, com muita mão de obra para o terrorismo de nossas ruas e isso não é problema apenas da polícia.

  

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