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Trabalhador brasileiro completa um ano sem aumento acima da inflação, diz Fipe

Agência O GloboPublicado em 21/07/2021 às 00:39Atualizado há 27/07/2021 às 01:15
Dinheiro (Marcello Casal JrAgência Brasil)

Dinheiro (Marcello Casal JrAgência Brasil)

A crise provocada pela pandemia fez os reajustes acordados entre patrões e empregados ficarem igual ou abaixo da inflação.

Segundo o Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), em junho completou um ano sem ganho real para os trabalhadores.

A pesquisa acompanha negociações registradas no Ministério da Economia. Em junho, o INPC foi de 8,9% em 12 meses, contra reajuste médio de 8,3%.

Em 2020, com a inflação ainda baixa, houve recomposição, mas com a disparada dos preços este ano, os aumentos ficaram abaixo da inflação.

Relatório divulgado pelo Banco Mundial nesta terça-feira afirma que a crise econômica causada pela pandemia deve provocar efeito negativo sobre empregos e salários no Brasil por nove anos.

Conforme o relatório "Emprego em crise: Trajetórias para melhores empregos na América Latina pós-Covid-19", os países da região costumam levar "muitos anos" para se recuperar quando há perda de emprego em crises econômicas.

Além disso, ressalta o documento, as "grandes sequelas" tendem a persistir na região por muitos anos, levando os países da América Latina à redução "longa e expressiva" dos índices de emprego formal.

"No Brasil e no Equador, embora os trabalhadores com ensino superior não sofram os impactos de uma crise em termos salariais e sofram apenas impactos de curta duração em matéria de emprego, os efeitos sobre o emprego e os salários do trabalhador médio ainda perduram nove anos após o início da crise", diz o relatório.

Ainda no relatório, o Banco Mundial afirma que a crise causada pela pandemia deve provocar "cicatrizes" mais "intensas" nos trabalhadores menos qualificados, isto é, segundo o banco, aqueles sem ensino superior.

Essas "cicatrizes", diz o relatório, são aumento do desemprego; aumento da informalidade e redução dos salários.

"Na região da ALC [América Latina e Caribe], as cicatrizes são mais intensas para os trabalhadores menos qualificados, sem ensino superior", diz o documento.

De acordo com o banco, os trabalhadores informais têm menos proteções contra efeitos de crises econômicas e, assim, a probabilidade de eles perderem o emprego é maior, independentemente da qualificação.

Já os trabalhadores com ensino superior, diz o documento, não devem sofrer os impactos da crise no salário.

Segundo o banco, o nível de emprego informal na América Latina costuma continuar menor por um ano e oito meses após o início de uma recessão. No caso dos empregos formais, a recuperação demora mais de dois anos e meio para acontecer.

Ainda de acordo com a instituição, as taxas de desemprego e informalidade devem permanecer altas durante anos, embora o impacto não seja tão elevado no valor dos salários.

Isso porque os trabalhadores mais jovens que ingressam no mercado de trabalho têm um início de carreira pior, do qual não conseguem se recuperar.

Para o banco, as perdas de emprego são mais duradouras para empregados com carteira assinada de locais com setores de serviço menores; menor número de empresas de grande porte; e setores primários maiores -- como agricultura, pecuária, pesca e extrativismo mineral.

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