Brasil

Pouco conhecida, Yet Sea é a empresa que mais se valoriza no mundo

Agência O Globo
10/08/2020 às 07:23.
Atualizado em 24/07/2021 às 15:42
Inflação (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Inflação (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Os holofotes ficam para as gigantes americanas, como Apple, Alphabet, Microsoft e Amazon, todas com valor de mercado acima de US$ 1 trilhão, mas uma empresa pouco conhecida sediada em Cingapura tem chamado a atenção dos investidores. Fundada em 2009 como uma plataforma de jogos on-line, a Yet Sea diversificou a atuação para o comércio eletrônico e pagamentos digitais e se transformou na empresa que mais se valoriza no mundo. Nos últimos 18 meses, suas ações subiram 880%.

No Brasil, a empresa é mais conhecida por seu braço de games, a Garena, produtora do sucesso Free Fire. A Shopee, de comércio eletrônico, desembarcou no país ano passado, na sua primeira empreitada fora da Ásia. A companhia também opera a SeaMoney, braço de pagamentos digitais que faz sucesso em mercados do Sudeste da Ásia.

Em entrevista à Bloomberg, o fundador e diretor executivo Forrest Li, de 42 anos, contou que está trabalhando sete dias por semana desde abril e reconhece que a demanda por games e compras foi impulsionada pela pandemia. Sobre a rápida valorização, Li disse não prestar muita atenção.

"Nós não gostamos de pensar muito sobre nosso sucesso", afirmou Li. "Não interessa se o ambiente é bom ou ruim. Isso não muda uma companhia ou uma pessoa". Novos impostos

O Free Fire é o produto mais conhecido da Yet Sea, mas hoje a Shopee responde por cerca de 40% do faturamento. De acordo com a consultoria iPrice, a plataforma superou a gigante chinesa Alibaba no quarto trimestre do ano passado e se tornou a maior empresa de comércio eletrônico no Sudeste da Ásia. Mas para Li, a principal aposta é no SeaMoney, que oferece diversos serviços financeiros, de carteiras digitais a microcrédito, e espera aprovação das autoridades para se tornar um banco.

"Nós achamos que é uma grande oportunidade de negócio", disse.

Daniel Jacobs, sócio-fundador da Kora Management, começou a investir na Yet Sea em 2018, após conhecer Li, e não se arrepende. A despeito da valorização, Jacobs considera que a companhia "tem uma ótima equipe com bons produtos indo atrás de grandes mercados e executando incrivelmente bem".

A empresa se tornou a mais valorizada do Sudeste da Ásia após superar os US$ 65 bilhões, deixando para trás o DBS Group Holdings e o PT Bank Central Asia. No ano passado, o faturamento cresceu 163%, para US$ 2,2 bilhões, mas ainda assim o balanço ficou no vermelho, em US$ 1,46 bilhão.

"Nós achamos que se trata de uma mini Tencent (em referência ao conglomerado chinês dono do WeChat) que tem a capacidade de se tornar uma grande companhia, realmente bem-sucedida, no contexto global", afirmou Jacobs.

Mas nem todos são seduzidos por Li. Sachin Mittal, do DBS Bank, rebaixou recomendação sobre a Yet Sea para venda em julho, citando novos impostos na Indonésia para transações internacionais e o risco de a companhia perder dinheiro para fazer crescer seu braço de pagamentos.

"Existe uma bolha da tecnologia agora", avaliou Mittal. "As ações da Sea estão supervalorizadas, em parte como reflexo da indústria".

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