Entrevista

'Política de testes com humanos será comprovada', afirma Renan Calheiros sobre caso Prevent Senior

Em entrevista ao GLOBO, senador também compara a CPI à Operação Lava-Jato, da qual ele foi alvo e é crítico

Agência O Globo - Publicado em 19/09/2021 às 05:15Atualizado há 19/09/2021 às 08:28
Renan Calheiros (Jane de Araújo /Agência Senado)

Renan Calheiros (Jane de Araújo /Agência Senado)

BRASÍLIA — Aprumando para a reta final, a CPI da Covid deve dedicar parte de seus derradeiros capítulos às denúncias relacionadas ao plano de saúde Prevent Senior. Segundo um dossiê entregue por médicos ao colegiado, e revelado pela “GloboNews”, a empresa atuou para ocultar mortes de pacientes que participaram de um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina e azitromicina no combate ao coronavírus. No documento, médicos denunciam terem sido obrigados a trabalhar sem máscaras no início da pandemia e pressionados pela chefia dos hospitais da rede a receitar remédios ineficazes.

O relator da comissão, Renan Calheiros, classifica o caso como “escabroso”. Em entrevista ao GLOBO, ele também compara a CPI à Operação Lava-Jato, da qual ele foi alvo e é crítico; responsabiliza Bolsonaro pelas mortes em Manaus, onde pacientes ficaram sem oxigênio; e conta o que deve ficar de fora do seu parecer: os hospitais federais do Rio.

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Na última semana saíram detalhes do caso da Prevent Senior. Como o senhor vê a participação do governo federal nisso?

É um caso escabroso de utilização de idosos para testes sem o consentimento deles. Isso é algo condenável sob qualquer aspecto, muito mais com a participação do presidente da República. A CPI jamais poderia encerrar os seus trabalhos sem aprofundar as investigações sobre a Prevent Senior. Vamos investigar porque já existem muitos elementos.

Considerando o caso da Prevent Senior e a situação em Manaus, onde as pessoas morreram por falta de oxigênio, o senhor avalia que a população foi usada de cobaia na pandemia?

Eu acho que essas coisas restarão comprovadas nos dois casos, com a participação do presidente da República.

De que forma?

Essas políticas de testes com humanos que foram feitos em Manaus e também nesse episódio da Prevent Senior. E nesse caso da Prevent Senior muitas coisas ainda serão conhecidas, de quem participou, de quem doutrinou, de quem executou.

O presidente Bolsonaro foi eleito com discurso anticorrupção e agora o governo é alvo de denúncias levantadas pela CPI...

A CPI colaborou para a erosão desse conceito de que o presidente era um representante da moralidade, mas nunca foi a nossa prioridade. Foi uma consequência óbvia. Hoje o presidente, e as pesquisas comprovam, é tido como uma pessoa na qual a população não acredita, tido como incompetente e corrupto.

Pode ser aberta uma nova CPI com relação a algum tema que ficou inexplorado?

O único aspecto que não será conclusivo é o dos hospitais do Rio de Janeiro (onde há suspeitas de ilegalidades). É um volume muito grande de denúncias que precisará ser analisado pelo TCU ou outra CPI. Não tivemos tempo para acessar profundamente essas questões como poderíamos.

Há críticas de possíveis excessos nas investigações da CPI. O senhor acha que isso ocorreu?

Imagina, absolutamente. No meu discurso de posse eu coloquei claramente a diferenciação com a Lava-Jato. A Lava-Jato teve sempre um projeto político, e nós nunca aceitamos a narrativa de que a CPI buscava desgastar o presidente da República. Nunca quisemos transformar a CPI em tribunal de exceção. É uma investigação sem Deltan Dallagnol (integrante da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba), sem Sergio Moro (juiz da operação), sem Rodrigo Janot (ex-procurador-geral da República).

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