Editorial

Os dilemas para o PSDB

22/01/2022 às 01:29.
Atualizado em 22/01/2022 às 01:29

Seja no estado de São Paulo como um todo, ou mais especificamente no município de São José dos Campos, o PSDB passa por aquele que talvez seja o momento mais decisivo de sua história, iniciada em 1988.

No âmbito estadual, o partido que venceu as últimas sete eleições para governador viu uma de suas principais lideranças deixar o ninho em dezembro passado. O impacto da saída de Geraldo Alckmin só não foi maior porque o ex-governador aproximou-se do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Do contrário - caso fosse candidato a governador pelo PSD, por exemplo -, provavelmente arrastaria inúmeros tucanos para seu novo partido. Não são poucos os insatisfeitos com os rumos que o PSDB tomou sob o comando do governador João Doria.

Um desses insatisfeitos, aliás, deixou o PSDB na última semana. Trata-se de Felicio Ramuth, prefeito de São José dos Campos, que levou a tiracolo o vice-prefeito, Anderson Farias. Nesse caso, ao descontentamento somou-se um projeto pessoal, de alçar voos maiores do que os ex-prefeitos tucanos Emanuel Fernandes e Eduardo Cury. Caso Felicio seja candidato a governador pelo PSD, terá que renunciar ao Paço até 2 de abril. Se isso ocorrer, caberá a Anderson concluir os 21 meses restantes de mandato.

No PSDB paulista, as eleições de outubro serão decisivas. Caso o partido saia derrotado na disputa presidencial com Doria e na estadual com Rodrigo Garcia, o que sobrará para os tucanos? Após resultados ruins no âmbito nacional, São Paulo era um dos focos de resistência da sigla.

Em São José dos Campos, após vencer seis das últimas sete eleições municipais, o PSDB perdeu o comando do Paço como num passe de mágica. Ficou sem o prefeito (Felicio) e sem seu virtual candidato à sucessão em 2024 (Anderson). Sobraram poucas peças para reestruturar o partido, que terá que enfrentar importantes dilemas nos próximos meses e anos. Seguirá como base do atual governo? Terá nome forte para lançar na próxima eleição municipal? Disputará, contra Anderson, o Paço daqui a dois anos?

Quando (e se) superar esses desafios internos, o PSDB poderá concentrar esforços em outra missão: convencer os eleitores de que os políticos do partido ainda são capazes de concluir os mandatos para os quais foram eleitos.

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