O Vale Sacro

José Luiz de Souza - Colunista Social |

Museu de Arte Sacra de São Paulo, comemora seus 50 anos de existência, narrando grande parte das ações da qual foi protagonista ou ator. O momento atual coloca em suspensão o planejamento elaborado para a celebração, a qual não foi cancelada, apenas adiada. Uma grande exposição está sendo preparada para a nova data provavelmente em 2021. Seu acervo, composto por milhares de peças, é resultado da junção da coleção da Cúria e de obras do governo paulista. É uma das principais instituições culturais brasileiras voltadas ao estudo, conservação restauro e exposição de objetos relacionados às artes, com destaque ao segmento sacro e barroco. Com o decorrer das décadas, sua atuação constante e sólida no circuito cultural brasileiro permite que a instituição seja vista não apenas como uma guardiã de peças históricas, mas como um ativo participante da redação da história dos dias atuais, aproximando-se das pessoas, conquistando novos públicos e atuando em vertentes diversas, como cursos, concertos, projeções de cinema, palestras e atuação no universo digital.

E a nossa coluna do jornal OVALE fez um levantamento minucioso sobre a presença sacra do Vale do Paraíba no acervo do Museus de Arte Sacra. Calcula-se que 10% de seu acervo atual, estimado em 14 mil itens ou18 mil peças, sejam provenientes de nossa região, algo em torno de 1.400 peças. Oferecendo, ao público um verdadeiro experimento dos diversos estilos de arte, principalmente do período colonial do Vale do Paraíba. O acervo é um verdadeiro mapa das nossas cidades, composto de esculturas de santos, figuras de presépios, crucifixos, quadros e objetos litúrgicos (tocheiros, vasos, suporte de palmas) das cidades de Aparecida, Arujá, Caçapava, Campos do Jordão, Cruzeiro, Cunha, Guararema, Guaratinguetá, Jacareí, Jambeiro, Lagoinha, Mogi das Cruzes, Natividade da Serra, Paraibuna, Redenção da Serra, Salesópolis, Santa Branca, Santa Isabel, São José dos Campos, São Luiz do Paraitinga, Silveiras, Taubaté e Tremembé. Ilhabela, Ubatuba e Caraguatatuba no Litoral Norte. O Memorial Frei Galvão, em Guaratinguetá, por exemplo, pertence ao Mosteiro da Luz, de responsabilidade das irmãs concepcionistas e exibe objetos de uso pessoal que pertenceram a Frei Galvão e muitos outros que foram utilizados durante as liturgias. Outro destaque regional de seu acervo são cerca de 300 obras de autoria do Santeiro Dito Pituba (Benedito Amaro de Oliveira) entre imaginária, crucifixos e oratórios do século XIX e XX e de seus muitos seguidores e aprendizes. Uma belíssima exposição específica desse acervo tomou conta de uma das salas do museu no decorrer deste ano, até o final de setembro último.

O Mosteiro da Luz é um convento de recolhimento de monjas enclausuradas da Ordem das Concepcionistas da Imaculada Conceição, fundado em 1774 por iniciativa da religiosa carmelita Helena Maria do Sacramento. Única edificação colonial do século XVIII em São Paulo a preservar seus elementos, materiais e estrutura originais, em pleno uso e atividade, encontra-se inserido em meio à última chácara conventual urbana da cidade. É tombado nas esferas federal, estadual e municipal. Considerado um dos mais importantes e bem conservados exemplares da arquitetura colonial brasileira do século XVIII, o Mosteiro da Luz tem suas origens na capela em homenagem a Nossa Senhora da Luz. O próprio São Frei Galvão projetou o edifício e trabalhou como pedreiro e supervisor durante a sua construção, concluindo-o parcialmente em 1788. Nos anos seguintes, continuaria a realizar novas ampliações, incorporando a antiga Capela da Luz ao novo prédio. Após sua morte em 1822, São Frei Galvão foi inumado no local, em sepultura, cuja construção foi concluída apenas nas primeiras décadas do século XIX. Para que o visitante possa conhecer o método construtivo utilizado, o museu mantém uma sala em taipa de pilão, que permite ver as paredes originais com espessura de 1,05m, testemunho de como eram erguidas as edificações no século XVIII.

Século XXI

Mesmo não sendo um dos museus de arte sacra mais antigos do país, o Museu de Arte Sacra de São Paulo é um dos mais ativos e vibrantes com suas constantes exposições, tanto individuais de artistas contemporâneos, como coletivas com peças de acervo próprio e/ou de coleções particulares com fotografias, esculturas, pinturas, joalheria, desenhos, caricaturas. E atento às mudanças e descobertas sociais e tecnológicas, o museu também está presente no universo virtual, em grande parte das redes de relacionamento com canais próprios onde desenvolve inúmeras atividades como aulas e palestras no YouTube, que também abriga o documentário sobre a instituição – “Muito Prazer! – Museu de Arte Sacra”, dirigido por Ricardo van Steen; LIVEs no Instagram, onde recebe convidados para conversas sobre temas referentes a acervo, restauro, curadoria, colecionismo, sociologia, teologia, arte barroca e contemporânea, atualidades além de ativa interação com o público em canais do Facebook e Twitter.

Por ocasião do Jubileu de Ouro, o Museu de Arte Sacra dá início a três novas ações: Museu de Arte Sacra no Mundo, lançamento do perfil oficial do museu na plataforma Google Arts & Culture, sendo a primeira e maior coleção de arte sacra das Américas no ambiente virtual e um dos primeiros do mundo com acervo específico; a expansão da parceria com o Metrô de São Paulo, com exposições do projeto “Arte Sacra para Ver e Sentir” nas estações de metrô e o museu com Você, lançamento do canal do museu no Spotify com uma série de playlists de músicas relacionadas à história secular.

Um museu, de acordo com a definição do ICOM (International Council of Museums), é "uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e encanto da sociedade". O Museu de Arte Sacra de São Paulo celebra 50 anos fiel a seu propósito!

Macaque in the trees
Cama de Frei Galvão Mosteiro da Luz

Macaque in the trees
Frei Galvão por Hélio Petrus

Macaque in the trees
Museu de Arte Sacra de São Paulo_

Macaque in the trees
Oratório Dito Pituba Jacarei

Macaque in the trees
Paulistinhas

Macaque in the trees
Sant´Ana Mestra Guaratinguetá

Macaque in the trees
Santa´Ana Mestra de Sao Luiz do Paraitinga

Macaque in the trees
Santas Mães

Assinar OVALE é

construir um Vale melhor


OVALE nunca foi tão lido. São mais de 23 milhões de acessos por mês apenas nas plataformas digitais, além da publicação de quatro edições impressas por dia. O importante é que tudo isso vem sempre com o DNA editorial de quem é líder em todas as plataformas, praticando um jornalismo profissional, independente, crítico, plural, moderno e apartidário. Informação com credibilidade, imprescindível para a construção de uma sociedade mais livre e mais justa, em um tempo em que a democracia é posta em risco por uma avalanche de fake news. Aqui a melhor notícia é a verdade. E nós assinamos embaixo. Assine OVALE e ajude-nos a ampliar ainda mais a melhor cobertura jornalística da região.