Comportamento: O que leva uma pessoa a trair o companheiro?

Marcos Eduardo [email protected] | @jornalovale

Uma pesquisa nacional conduzida pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), a Mosaico 2.0, mostra que 40,5% da população brasileira, em média, admite já ter traído o parceiro. Destes, 50,5% são homens, enquanto 30,2% são mulheres. Houve um aumento nas traições nos últimos tempos? Os homens realmente traem mais? A psicóloga e especialista em medicina sexual Cris Borges, de São José dos Campos, discorda que tenha, de fato, uma alta nos casos.

"Eu não concordo com aumento da traição. Acho que desde que a vida é vida existem relações extraconjugais. Acontece que hoje existem mais pesquisas e um olhar maior em relação à traição", afirmou a especialista.

Segundo Cris, as pessoas são infiéis porque se colocam numa condição de fidelidade obrigatória e não espontânea.

"Então, por ser um comportamento obrigatório, é compulsório. Chega um momento em que a pessoa não dá conta e acaba traindo. Se para ela foi vivenciado como uma escolha, que ela quer, tem uma satisfação com isso, não tem necessidade de trair. A maioria dos casais que não têm relações extraconjugais, estão por opção vivendo uma relação de monogamia", disse.

Cris explica que hoje a mulher tem tanta condição de trair quanto o homem, por uma questão social. "O mais propenso a trair, durante a história, foi o homem, pois a mulher era um ser menos social. A mulher não tinha direito nem a trabalhar. A vida social da mulher era limitada. Ela ficava em casa, cuidava dos filhos. Hoje, com a mulher ganhando uma vida social, trabalhando fora, ela tem a mesma oportunidade de ter relações extra muros como o homens", ressalta, lembrando o que chama de segunda revolução sexual, agora liderada pelas mulheres.

"O que estamos vendo hoje é que a gente está vivendo a segunda revolução sexual, uma revolução feminina, a busca da mulher por atividade sexual que dê para ela. Hoje a mulher não participa mais de atividade sexual por obrigação, e sim por prazer. A gente tem uma igualdade entre a quantidade de homens e mulheres que estão buscando relação sexual extra muros", disse.

Para ela, a única solução para uma pessoa ser fiel é que "seja fiel a ela mesma, com os desejos dela". Ou seja, essa pessoa, por desejo, não ter relações com outras pessoas que não seja o companheiro. "Então, para uma pessoa ser fiel àquilo que ela deseja, ela tem que se conhecer, ser honesta com o que está sentindo, e aí bater um papo e ser sincera com o parceiro", disse Cris.

"Se esvaziar desse desejo enlouquecedor da sombra, do escondido, do proibido, pois se isso vem à tona, não precisa ficar buscando a realização dessa fantasia. Ou até buscar, mas quando não é uma coisa proibida, aí não é traição. Essa pessoa colocou de uma forma honesta para o parceiro que ela deseja viver esse momento de mais relações", afirmou.

VARIADOS.

A também psicóloga Simone Januário, de São José, ressalta que a traição é uma das situações mais temidas por alguém que aceita se relacionar amorosamente com outra pessoa. Para ela, os motivos que leva alguém a trair são bem variados. "Vimos no cinema a mulher do padeiro, interpretada por Denise Fraga, em O Alto da Compadecida justificar a traição dizendo que tinha tanto medo de perder o marido que resolveu perde-lo aos pouquinhos. Em Sob o Sol da Toscana, a protagonista é traída pelo marido e trocada por uma aluna. Vários estudos já se dedicaram a responder essa pergunta, que não tem resposta única. Entre os motivos alegados para a traição estão a incompatibilidade sexual, a busca por paixões ou amores idealizados e até vingança do parceiro ou parceira".

"É preciso lembrar que a vida sexual é construída através de crenças sobre si e sobre o outro, pelas experiências vividas ao longo da vida (não sexuais) e que deixam marcas e padrões de relação. Trair é quebrar um contrato", ressalta.

Segundo ela, "não há uma forma de se assegurar de que a pessoa com quem se relaciona será fiel" dentro da relação..

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