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Tempo de incerteza, pandemia aumenta níveis de ansiedade; especialista ajuda a minimizar

Publicado em 28/06/2020 às 02:01Atualizado há 24/07/2021 às 18:26
Ansiedade (Divulgação)

Ansiedade (Divulgação)

A incerteza quanto ao futuro acentua o problema de quem sofre de ansiedade, ainda mais nesses tempos de pandemia do novo coronavírus. Recentemente, um estudo feito pela Ipsos, uma empresa de estudo de mercado mostra que 41% dos brasileiros têm sofrido de ansiedade como consequência do novo coronavírus. O levantamento foi realizado em 16 países e o Brasil está em primeiro lugar na lista.

Simone Januário, psicóloga em São José dos Campos, entende ser natural o stress causado nas pessoas durante este período. “Naturalmente, a modificação da rotina pode ser um agente estressor. A incerteza sobre a doença, sobre a economia e o futuro geram o medo que alimenta a ansiedade. Em outras palavras, é natural que a ansiedade aumente nesse momento de pandemia”, disse ao OVALE.

A especialista lembra que a ansiedade é uma “sensação de medo” e que todas as pessoas experimentam em algum nível, inclusive neste momento. “O medo extremo deve ser cuidado. Por exemplo, uma pessoa que verifica a temperatura corporal várias vezes ao dia, mesmo que não tenha outros sintomas, pode ser um sinal de que a ansiedade está aumentando”, afirma Simone.

“Em situações mais graves, a pessoa pode sentir-se mal fisicamente, falta de ar, dores no peito, dificuldade para respirar, formigamento, são sinais físicos de ansiedade. Como são sinais parecidos com os da própria Covid-19, é preciso consultar um médico para diagnóstico diferencial e testagem”, ressalta.

ALTERNATIVA.

Segundo a psicóloga, algumas alternativas podem ajudar a minimizar os problemas. “A sensação de ansiedade pode ser aliviada com práticas de relaxamento, meditação, oração, enfim, atividades que possam contribuir com o bem estar emocional”, disse.

“O consumo consciente de notícias, redes sociais e o uso do tempo durante o período de quarentena também podem ajudar”, continua a especialista.

Ainda de acordo com Simone Januário, a psicologia pode agir de algumas formas para ajudar a reverter o quadro. “A psicoterapia pode ajudar a pessoa a compreender e lidar melhor com esse período de mudança de rotina, com as alterações emocionais, sociais e de humor, impedindo o desenvolvimento de quadros ansiosos mais graves”, disse.

“Para os que já apresentam quadros graves de ansiedade, a psicoterapia é fundamental. Nos casos graves, pode ser indicado a psicoterapia e o uso de medicamentos, sempre receitados por um médico psiquiatra, que é o especialista indicado”, afirmou Simone.

Especialista faz parte de grupo nacional de psicologia solidária

A psicóloga Simone Januário, de São José dos Campos, faz parte do grupo de aproximadamente 30 supervisoras para um grupo de mais ou menos 800 psicólogos brasileiros que estão fazendo atendimento solidário a profissionais da saúde que estão trabalhando com a Covid-19 e brasileiros fora do país. “Estou atenta às questões da ansiedade, faço parte de um grupo de psicologia solidária nacional”, ressalta a psicóloga, que está atendendo no formato online deste o dia 19 de março, por conta da pandemia.

A especialista ressaltou ainda que existem situações domésticas que contribuem com os quadros de ansiedade. “Situações que já existiam e se tornam mais evidentes e até graves”, disse, citando como exemplos o aumento de violência contra crianças e mulheres, consumo de drogas lícitas e ilícitas (consumo de álcool aumentou).

“No mundo inteiro tem se pesquisado e buscado alternativas para a saúde mental e emocional das pessoas. E os psicólogos clínicos, a grande maioria migrou para o sistema online de atendimento”

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