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Projeto joseense propõe unir diferenças através da música eletrônica

Thais [email protected]_thaisperez | @_thaisperez

A força da natureza tem sua própria música, uma junção de sons distintos, em sintonia na beleza do orgânico.

A modernidade criou consigo uma série de ruídos, dos toques de celulares até a estática da televisão analógica em dias chuvosos: uma sinfonia do caos.

Dois extremos que parecem tão distantes, se unem em uma só coisa: a expressão do atual é uma mescla entre o natural e o sintético, tanto nas relações humanas, quanto na paisagem em que vivemos.

O duo Komunga surgiu em São José dos Campos para ser uma ponte entre esses dois mundos. O projeto musical de Julio Rhazec e Lucas Baumgratz conta com influências que vão do punk rock até o manguebeat, unindo extremos para criar um conceito de aldeia global.

Com sons de sintetizador, guitarra, baixo e tambores, os músicos propõe um resgate à ancestralidade, eletrificando-a com a atualidade.

"Nossa ideia é unir a cultura afro brasileira e a indígena junto com a música eletrônica. Gostamos de pensar em como essas culturas seriam se tivessem o acesso à modernidade que temos hoje", afirma Lucas Baumgratz.

Os músicos criaram duas personas teatrais para dar vida ao projeto, com direito a figurino produzido pelos músicos. Lucas encarna Urucum, da cultura indígena, uma entidade que ficou esquecida por anos, mas foi resgatada através da tecnologia. Julio faz o papel de Risoflora, uma entidade sem gênero, que atende a necessidade e ajuda dos negros durante a diáspora da escravidão.

Em seus shows, a dupla apresenta ainda um terceiro personagem, a placa-mãe, uma voz que conversa com o público e apresenta dados entre as músicas. A dupla também usa como recurso visual em seus shows as projeções audiovisuais.

Komunga -- que remete à comungar e à comunhão, foi o nome escolhido pelo duo para sintetizar a criação de um novo mundo pela conexão entre extremos.

Em suas letras, o Komunga aborda temas como a intolerância religiosa e a desconexão nas relações humanas. Com músicas protesto em sua essência, a dupla propõe uma união entre gêneros, tribos urbanas e entre o velho e o novo.

"Escolhemos fazer essa comunhão entre dois universos, porque isso está em nossas referências. Todos nós temos visões diferentes de mundo, mas nos encontramos com as mesmas vontades e intenções", completa Baumgratz. .