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Mitos e histórias de Taubaté são registradas em livro de contos

Thais [email protected]_thaisperez | @_thaisperez

Quem já visitou Taubaté menos uma vez já ouvi alguma lenda ou história insólita envolvendo a cidade. O interior sempre escondeu muitos mistérios, ainda mais no berço de Monteiro Lobato, um dos maiores contadores de histórias do Brasil.

Contudo, algumas lendas ficaram de fora da "contação" de histórias da Dona Benta. Talvez por serem sinistras demais ou muito populares, algumas histórias fantásticas ficam apenas nas conversas dos taubateanos.

Há aqueles que juram de pé junto que as histórias não são lendas, afinal, na terra da "Grávida de Taubaté", tudo pode acontecer.

De tanto ouvir histórias sobre a cidade, o historiador Carlos Gouvêa resolveu reunir 24 contos de Taubaté no livro "Taubaté e as Histórias que Dona Benta Não Contou".

O livro foi fruto de mais de dois anos de pesquisa. Gouvêa fez pesquisas em bibliotecas, jornais da região e é claro, foi até a área rural conversar com a fonte de muitas dessas lendas.

"Fui vendo que muita coisa das diferentes fontes que busquei, batia. Fui cruzando essas histórias todas, procurando um fio condutor, visitando os lugares até conseguir reunir esse material", conta o escritor.

Entre as "histórias não contadas", uma das mais famosas e reproduzidas no Brasil todo, a da "Noiva Cadáver", ganhou uma versão bem taubateana.

Reza a lenda que em uma capela na Fazenda Santa, onde Mazzaropi filmava suas produções, estava marcado um casamento entre uma mulher e um homem que tinha problemas com bebida. No dia do casório, o noivo apareceu bêbado, o que fez com que o padre cancelasse o evento.

A lenda diz que a mulher ficou arrasada e saiu correndo pela escadaria que dava acesso à capela, tropeçou no vestido e morreu.

Há quem diga que a noiva perambula a região até hoje, mas só escolhe homens solteiros para assombrar.

"Dizem que depois da morte, a capela foi desativada. Até hoje é possível ver as ruínas dela no local. Agora, se a história é verdade ou não, ninguém sabe" disse o escritor.

Outra lenda na zona rural de Taubaté remonta a criação da área do Mangaló.

De acordo com moradores, em um cemitério da região, começou a crescer um pé de feijão do tipo mangaló de um dos túmulos. O caso teria dado nome ao bairro rural.

Para Gouvêa, Taubaté é uma cidade propensa à mitos e histórias extraordinárias. Registrar essas lendas em um livro é essencial para a história da cidade. "Hoje em dia as pessoas não se reúnem mais para contar histórias. Isso precisa ser preservado", finaliza..