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Pesquisador mostra que índios brasileiros estudavam o céu

Thais [email protected]_thaisperez | @_thaisperez

Desde antes da chegada dos portugueses no Brasil, os índios observavam o céu e o reconheciam como norte para diversas atividades, como a realização da agricultura, de rituais e organização do tempo.

O físico e astrônomo Germano Bruno Afonso falou sobre a astronomia indígena em uma palestra nesta terça no projeto "Dialogando com o Folclore", em São José. Nascido em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sulo cientista aprendeu com os pais a observar as estrelas como os índios.

De acordo com Afonso, existem mais de 100 constelações indígenas identificadas somente na família tupi-guarani.

Diferentes das constelações ocidentais, que formam o zodíaco, essas formas são apontadas pelos indígenas não só pelas estrelas, mas também pelas formas da via láctea.

"Uma delas é a constelação da Ema, que tem a forma desse animal. É uma forma muito mais intuitiva e mais fácil de ser identificada", explica o cientista Afonso.

Os índios utilizavam o céu para regular toda a sociedade, principalmente quando esses grupos ainda eram nômades, ou seja, se deslocavam de lugares.

"O principal uso da astronomia para os índios era na agricultura. O calendário começava em setembro, quando se inicia a primavera", disse Afonso.

Além de auxiliar em atividades sustentáveis como a agricultura, o céu também era pauta de mitos e lendas criadas pelos indígenas para explicar elementos da vida.

"Para eles, a terra era o reflexo do céu", finaliza o pesquisador Afonso.

DIALOGANDO.

O projeto "Dialogando com o Folclore", realizado pelo Museu do Folclore, segue no dia 11 de julho com palestra do pesquisador Carlos Rodrigues Brandão e no dia 25 de julho com palestra de Maria Cândida Moraes. Ambas as palestras acontecem no auditório do Museu Municipal.