+ Design

follow the money*

*Siga o dinheiro: suspeitas de irregularidades na compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin ao preço total de R$ 1,6 bi são o novo front de investigação contra o governo federal

Publicado em 16/06/2021 às 00:00Atualizado há 24/07/2021 às 01:51

O rastro verde.

A bomba caiu em meio ao andamento da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado, que já apontou falhas graves do governo Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento da pandemia, especialmente no atraso em comprar vacinas.

E foi um contrato suspeito de compra de vacinas que chacoalhou a comissão, com fortes indícios de superfaturamento no preço, favorecimento a terceiros e pressão do Ministério da Saúde para adquirir uma vacina sem aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Com isso, as suspeitas de irregularidades na compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin ao preço total de R$ 1,6 bilhão são o novo front de desgaste para o governo Bolsonaro na pandemia de coronavírus.

Documentos obtidos pela CPI e revelados pelo jornal Estado de S. Paulo indicam que o valor contratado pelo governo brasileiro, de US$ 15 por vacina (R$ 80,70), ficou acima do preço inicialmente previsto pela empresa Bharat Biotech, de US$ 1,34 por dose.

Na ocasião, o ministro da Saúde ainda era o general Eduardo Pazuello.

Para aumentar as suspeitas, o servidor Luís Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, disse ao Ministério Público Federal ter sofrido uma "pressão incomum" de outra autoridade da pasta para assinar o contrato com a empresa brasileira Precisa Medicamentos, que intermediou o negócio com a Bharat Biotech.

PRESIDENTE.

Na última quarta-feira (23), outra bomba 'explode' no caso: o irmão do servidor, deputado federal Luís Claudio Miranda (DEM-DF), aliado de Bolsonaro, contou ao jornal Folha de S.Paulo que informou o presidente a respeito da pressão sobre Luís Ricardo e dos indícios de irregularidade no contrato para comprar a Covaxin.

Segundo o parlamentar, Bolsonaro respondeu que acionaria a Polícia Federal para investigar o caso, mas nada fez.

Os dois irmãos depuseram na CPI da Covid na última sexta-feira (25) e confirmaram o que disseram à imprensa. Luís Ricardo contou a pressão que sofreu internamente no Ministério da Saúde para assinar o contrato com a intermediária.

O deputado Miranda também relatou os diversos ataques que vem sofrendo depois que expôs o caso. Ele chegou vestindo colete à prova de balas para o depoimento na CPI.

CONTRADIÇÕES.

O valor final aceito pelo governo para comprar a Covaxin chama atenção porque o Eduardo Pazuello afirmou à CPI da Covid que um dos motivos para sua gestão recusar a oferta de 70 milhões de doses da americana Pfizer, no ano passado, seria o preço alto do imunizante. Acontece que a vacina foi oferecida ao Brasil por US$ 10 dólares, metade do preço cobrado pela farmacêutica dos governos dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Outra razão apresentada por Pazuello para rejeitar a oferta da Pfizer em 2020 foi o fato de a vacina, naquele momento, ainda não ter a aprovação da Anvisa. No entanto, o contrato da Covaxin foi firmado sem essa aprovação prévia. Apenas no início de junho a importação foi autorizada, com algumas restrições.

O Ministério Público Federal investiga se houve irregularidades no contrato com a Precisa Medicamentos, que intermediou o negócio com a empresa indiana.

Aos procuradores, Luís Ricardo Miranda disse que um dos responsáveis pela pressão que sofreu para fechar a compra veio do tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde na gestão Pazuello.

"No dia 20 de março fui pessoalmente, com o servidor da Saúde que é meu irmão, e levamos toda a documentação para ele [Bolsonaro]", disse o deputado federal Luís Claudio Miranda em entrevista à Folha de S.Paulo. "Tem coisa mais grave, bem mais grave [do que a pressão sobre o irmão]. Inclusive erros no contrato, formas irregulares na apresentação do contrato, datas de vencimento das vacinas incompatíveis com a importação"..

Siga OVALE nas redes sociais
Copyright © - 2021 - OVALE
Todos os direitos reservados. | Política de Privacidade
Distribuído por:
Desenvolvido por: