Brasil

Brasil chega a 500 mil mortos por Covid

Não há precedentes na história para os 500 mil mortos por Covid-19 em um ano e três meses no Brasil; equivale à queda de cinco aviões por dia e 6,4 Maracanãs lotados

Xandu Alves
19/06/2021 às 00:00.
Atualizado em 24/07/2021 às 01:47
Protesto em Brasília contra as mortes por Covid no país (Alan Santos)

Protesto em Brasília contra as mortes por Covid no país (Alan Santos)

Brasil, 500.

Número marca o nascimento, e anuncia a tragédia: 500 mil brasileiros perderam a luta para a Covid-19.

A doença que cai nos Estados Unidos e em boa parte da Àsia e da Europa, e que já conta com vacinas. No plural.

A 'gripezinha' do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do seu entourage negacionista.

O surto que passaria em "seis meses" e causaria "três mil mortes" --3.000 vezes 166,6.

Esse é o preço da imunidade de rebanho incentivada pelo governo federal desde o início, como revelam inúmeros depoimentos na CPI da Covid.

E não são números.

Entre os 500 mil mortos, há pais, mães, filhos, netos, avós e avôs, tios e tias, parentes e amigos na RMVale. Para estes, não é estatística. É história, dor e saudade.

"Vejo pessoas se vacinando e me lembro do meu pai. Ele se foi. Não deu tempo de tomar a vacina. Morreu triste e longe da gente", conta o autônomo Maurício Silva, cujo pai morreu de Covid-19 no começo deste ano, no Vale. "Essa doença nos mata um pouquinho a cada dia. Triste meu país".

Os 500 mil mortos em um ano e três meses equivalem à queda de mais de 2.500 aviões Boeing 737, a mais popular aeronave comercial do mundo. Cada jato leva 200 passageiros. É como se mais de cinco aviões caíssem todos os dias.

É como se 70% da população de São José dos Campos fosse dizimada em 455 dias --primeira morte por Covid foi registrada em 12 de março de 2020.

Quase 1.100 vezes o número de brasileiros da FEB (Força Expedicionária Brasileira) mortos na Itália, na Segunda Guerra Mundial --457 vítimas militares, de acordo dados do Exército. São 6,4 estádios do Maracanã lotados. De mortos.

Sem precedentes na história.

"O enfrentamento de uma doença altamente transmissível impõe protocolos amplamente conhecidos: isolamento social, uso correto de máscaras, lavagem das mãos e uso de álcool gel", disse a médica Stella Zöllner, diretora do Departamento de Medicina da Unitau (Universidade de Taubaté).

E continua: "Desenvolvimento de vacinas eficientes é primordial para a prevenção da doença. Todos que falarem diferente disso estarão fundamentando o desastre e contribuindo para o adoecimento e morte dos brasileiros".

"Nem nos meus piores pesadelos poderia imaginar que esse vírus levaria tantas vidas, tantos sonhos. É como se toda a população de Taubaté e de Jacareí morresse. É muita gente. Muitas famílias destruídas", afirmou o cientista Osmar Neto, doutor em Engenharia Biomédica e especialista em modelos epidemiológicos. "Todo esforço da comunidade científica foi para evitar uma notícia como essa".

Para Stella Zöllner, políticas melhores e o correto direcionamento dos recursos nacionais poderiam ter evitado a situação dramática que vivemos: "Milhões de brasileiros doentes e meio milhão de brasileiros mortos".

O aposentado Francisco Vieira, 78 anos, quase morreu de Covid na UTI em Guaratinguetá. Diz ele: "Vivo porque tinha a ciência ao meu lado. No Brasil, penso que ela enfrenta o vírus e o descaso. Infelizmente, os dois estão vencendo"..

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