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é a pedra no sapato

Inpe é principal órgão de monitoramento da Amazônia e também o que mais bateu de frente com gestão Bolsonaro

14/04/2021 às 00:00.
Atualizado em 24/07/2021 às 02:33

Governo sem crédito.

Principal órgão brasileiro no acompanhamento do desmatamento da Amazônia, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) também é a entidade que mais bateu de frente com a política ambiental do governo Jair Bolsonaro, ou melhor, a falta de qualquer política.

O primeiro e mais forte embate foi com o então diretor do Inpe, o cientista e professor Ricardo Galvão.

Ele não aceitou os ataques de Bolsonaro aos dados do instituto sobre desmatamento e respondeu publicamente, o que levou à demissão do comando do Inpe no começo de agosto de 2019.

Desde o episódio, Galvão recebeu reconhecimento internacional como um dos 10 melhores cientistas do mundo no ano passado, recebeu apoio da comunidade internacional e fez os questionamentos de Bolsonaro aos dados de desmatamento soarem nos ouvidos de dirigentes do mundo inteiro.

O preço é cobrado agora, com o descrédito com que o Brasil chegou à Cúpula de Líderes sobre o Clima, promovida pelos Estados Unidos a pedido do presidente Joe Biden. Enquanto o americano toma dianteira no protagonismo ambiental, o Brasil perde o mesmo posto duramente alcançado nos últimos 30 anos.

"Manifestações de Bolsonaro e de ministros contra o aquecimento global minam fortemente a respeitabilidade do Brasil na questão ambiental. Todo o protagonismo do país em questões ambientais, que vem desde 1990, o governo está destruindo por ignorância. Não há outra razão", disse Galvão a OVALE.

A mudança de tom no discurso de Bolsonaro na Cúpula de Líderes (leia texto na página 2), não entusiasma pesquisadores do Inpe, que acompanham a situação do governo desde o início.

Geólogo, pesquisador do Inpe e membro do projeto PanAmazônia, Paulo Roberto Martini é um dos críticos da posição de presidente. "É mais um atrevimento do governo, que tem se mostrado mal preparado para as decisões. Tem atrevimento para acelerar, mas tem o burro"..

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