São José dos Campos
20º / 26º
No decorrer do dia o dia ter com variao de nebulosidade na regio.
+ Design
Maro 07, 2020 - 02:00

Dispositivo nova esperana na luta contra o cncer infantil

Engenheiro de So Jos, Joel de Oliveira Jr. cria equipamento que pode ajudar no tratamento de crianas com cncer

Paula Maria Prado @paulamariaprado

Cncer. A palavra chegou a cortar o ar da sala de estar do engenheiro Joel de Oliveira Jr., morador de So Jos dos Campos. Era uma sexta-feira quando o destino de seu pequeno Lucas, ento com 1 ano de idade, chegou sem avisar trazendo uma das mais temidas doenas contemporneas. O carocinho na barriga do menino sentido pela manh em meio a um cafun mudaria a vida de todos: pais, familiares e, qui, das crianas hoje em tratamento de cncer.

que Lucas lutou bravamente por um ano e meio, mas no resistiu a doena. Mas, anos depois, trouxe ao seu pai, por meio de um sonho, uma soluo que, espera-se, poder ajudar seus amiguinhos que se encontram na mesma luta. Oliveira Jr. criou recentemente um dispositivo no formato de um band-aid que, colado na pele de uma criana, monitora a sua temperatura, enviando alertas sobre o estado de sade do paciente em tempo real para pais, mdicos e hospitais de cncer. Em caso de febre, possvel agir de forma rpida, a tempo de combater intercorrncias.

"Lucas, meu segundo filho, era uma carinha maneiro para caramba. Descobrimos seu cncer s vsperas de seu aniversrio de um ano. No dia que seria a festa, demos entrada no Gacc (Grupo de Assistncia Criana com Cncer)", contou o engenheiro que fundou no ano passado a startup Luckie Tech - Tecnologia ajudando crianas com cncer.

"Foi um sentimento de luto. Nos revezvamos, eu e sua me, no hospital. E, trs anos depois que ele morreu, passei a buscar algo que me preenchesse, at que sonhei com essa soluo", continuou. "Coloquei a ideia no papel e fui atrs de especialistas na rea mdica para saber se ela fazia sentido".

A resposta foi imediata. O projeto era um reforo a esperana de dias melhores para a garotada em tratamento. "Ento, fui atrs de universidades, empresas e hospitais, me uni a dois profissionais da rea mdica e de tecnologia para fazer isso acontecer", disse Oliveira Jr.

ESTADO FEBRIL.

Segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Cncer), o cncer infantojuvenil j representa a primeira causa de morte (8% do total) por doena entre crianas e adolescentes de 1 a 19 anos. Hoje, cerca de 80% das crianas e adolescentes acometidos da doena podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. Estima-se que, em 2020, ocorra 8.460 casos novos, sendo 4.310 do sexo masculino e 4.150 do sexo feminino.

"O cncer de adulto e o cncer de criana so muito diferentes e a forma de tratamento tambm tem diferenas. Mas a rigor, o tratamento para crianas e adultos obedece a mesma filosofia, usa-se a medicao para destruir a clula neoplsica. O principal efeito clinico imediato do tratamento, seja em adultos ou crianas, alm de combater o cncer, a queda da imunidade", afirmou Marcelo Milone, mdico oncologista peditrico e paliativista, diretor clnico do Hospital do Gacc.

E justamente na queda da imunidade que ocorre o aparecimento de um processo infeccioso, que acarretar na alterao da temperatura normal do corpo - um caso considerado como urgncia. "Assim, o incio do tratamento antibacteriano deve ocorrer o mais rpido possvel. O dispositivo tem como objetivo detectar essas alteraes de temperatura, fazendo com que a equipe mdica tenha uma atuao em tempo real", explicou o especialista.

Hoje, pais com crianas em tratamento fazem a medio da temperatura. Com a novidade, o alerta ser automtico. "Minha ideia no futuro que com os dados do pronturio e as informaes sobre o estado de sade da criana, a gente consiga tornar o tratamento ainda mais preciso por meio de inteligncia artificial", ressaltou o engenheiro.

DOSE DE F.

Uma vez que o cncer tem um tratamento caro, que beira a R$ 50 mil por ms por criana, Oliveira Jr. defende que o dispositivo seja barato. "No adianta fazermos algo que custe R$ 20 mil, R$ 10 mil... Tem que ser acessvel", afirmou ele.

Por ora, os testes j esto marcados para serem feitos - no hospital do Gacc - uma vez que o dispositivo precisa tambm de ajustes e do estabelecimento de um padro de atuao.

Oliveira Jr. no sabe dizer se o dispositivo teria salvado seu filho, mas afirma no pensar nisso. "Lucas me deu uma luz. Hoje trabalho para as 12 mil crianas que lutam pela vida anualmente. nelas que acordo pensando todos os dias. E estamos correndo contra o tempo".

Publicidade
Publicidade
Publicidade  
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

promessmetro