Política

Para MP, perícia em computadores comprovou 'fura fila' encabeçado por Bilili

Perícia feita em três computadores do gabinete do então vereador de Taubaté localizou fichas de 5.700 pessoas que foram atendidas desde 2010 para solicitar agendamento para procedimentos de saúde na rede pública da região

Julio Codazzi@juliocodazziPublicado em 03/07/2021 às 00:29Atualizado há 22/07/2021 às 12:29
Ciência. Secretário afirma que município é exemplo do impacto positivo da vacina contra a Covid-19 (Divulgação)

Ciência. Secretário afirma que município é exemplo do impacto positivo da vacina contra a Covid-19 (Divulgação)

Para o Ministério Público, a perícia realizada em três computadores do gabinete do então vereador Bilili de Angelis (PSDB), de Taubaté, comprovou que o tucano articulou um grande esquema para ‘furar fila’ de exames e consultas na rede pública de saúde da região.

Os computadores foram apreendidos em maio de 2020, quando Bilili ainda exercia mandato. Agora, o tucano é apenas suplente.

Os três equipamentos foram periciados pelo Laboratório de Computação Forense do Caex (Centro de Apoio Operacional à Execução), que é um braço técnico do Ministério Público. No mês passado, o laudo foi anexado ao processo em que Bilili é réu por improbidade administrativa.

Nos computadores, os peritos localizaram 5.700 fichas de cadastro de moradores de Taubaté e região. Todos são referentes a casos de pessoas que procuraram Bilili ou o gabinete para solicitar agendamento de procedimentos de saúde. As primeiras fichas são de 2010.

Em alguns dos arquivos, os peritos localizaram anotações de que Bilili iria pessoalmente solicitar o agendamento no Hospital Regional de Taubaté (das outras seis rés do processo, duas eram funcionárias da unidade). Em diversas outras fichas, isso seria feito por assessoras do então vereador (duas delas são rés).

Também foram localizadas diversas citações ao nome “Valéria”. Para os peritos, essa seria Valéria dos Santos, ex-diretora regional de saúde. Pela denúncia feita pelo MP em 2018, Bilili nomeou Tatiane Cristina Carneiro, que é filha de Valéria, para atuar em seu gabinete em 2013. No mesmo ano, Tatiane teria passado a utilizar a senha da mãe para acessar o sistema da Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços da Saúde), para inserir pacientes que procuravam diretamente o gabinete. Ainda na fase de inquérito, foram detectados acessos no sistema a partir de computadores da Câmara e de aparelhos conectados a uma linha telefônica da Tatiane. Valéria e a filha também são rés no processo.

OUTRO LADO.

Procurado pela reportagem, Bilili afirmou que desconhecia o laudo pericial. “Não posso falar nada, pois não estou sabendo”. O tucano e outras quatro denunciadas negam as acusações, mas duas rés – uma ex-assessora de Bilili e uma ex-funcionária do hospital – admitiram ao MP e à Justiça terem participado do esquema.

Se condenado, o suplente de vereador, que está com parte dos bens bloqueados, pode perder a função pública, ter os direitos políticos suspensos por até cinco anos e pagar multa. A Promotoria ainda pede o pagamento de uma indenização de R$ 2,5 milhões, por danos morais difusos.

Em junho, ex-diretora regional de saúde foi exonerada pelo Estado; defesa recorre

Em 2018, após o Ministério Público denunciar o caso à Justiça, a Secretaria de Saúde do Estado iniciou uma investigação interna contra Valéria dos Santos, que era servidora de carreira da pasta e que havia se licenciado em 2017 do governo estadual para atuar como secretária de Saúde em Pindamonhangaba. No mês passado, por entender que ela praticou atos de improbidade administrativa, a secretaria estadual exonerou Valéria. Dias depois, após tomar conhecimento da conclusão do procedimento disciplinar do Estado, a Prefeitura de Pinda também dispensou sua então secretária.

A defesa de Valéria nega que a ex-diretora regional de saúde tenha cometido qualquer irregularidade. Os advogados protocolaram um recurso no governo do Estado para tentar reverter a decisão que a exonerou dos quadros da secretaria.

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'Fura fila'. Valéria dos Santos, ex-diretora regional de saúde, é ré em ação do MP (Divulgação/CMP)
Fura fila. O suplente de vereador Bilili de Angelis (PSDB), réu em processo por improbidade (Divulgação)
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