Política

'País ficou como terra de ninguém', diz Padre Afonso, de volta à Alesp

Padre Afonso Lobato volta à Assembleia Legislativa para tentar amenizar crise na saúde; deputado aponta polarização política como obstáculo ao enfrentamento da Covid no país

Xandu Alves@xandualves10
17/04/2021 às 02:00.
Atualizado em 24/07/2021 às 02:48
Assembleia. Bancada da Região Metropolitana do Vale do Paraíba passa a ter três deputados estaduais (Divulgação)

Assembleia. Bancada da Região Metropolitana do Vale do Paraíba passa a ter três deputados estaduais (Divulgação)

Padre Afonso Lobato (PV) volta à Assembleia Legislativa de São Paulo após não se reeleger em 2018. Ele ocupará o mandato por seis meses após o afastamento do deputado Fernando Cury (Cidadania).

Com quatro mandatos na bagagem, Lobato terá a saúde como prioridade, e não só a questão da pandemia. "As outras doenças ficaram esquecidas", diz ele ao Gabinete de Crise de OVALE. O deputado também falou do momento político do país. Confira:

Quais seus projetos?

Seis meses é pouco tempo e tenho que ter foco. Vou montar uma equipe que possa ajudar a absorver uma demanda. Tínhamos demanda reprimida até por falta de representatividade no Vale. Estamos num período de pandemia e as outras doenças ficaram esquecidas. As pessoas continuam adoecendo. Temos pacientes oncológicos sem acesso à radioterapia, pessoas esperando cirurgia. O deputado tem que ouvir e perceber onde está o gargalo e o problema.

Como vê o Vale na pandemia?

Com muita preocupação. Já me reuni com os secretários de saúde dos municípios e eles elencaram as prioridades. A primeira é fazer com que o AME Taubaté cumpra a sua função e seja aberto. Tenho agenda marcada com o vice-governador Rodrigo Garcia e convidei o secretário de saúde e o prefeito de Taubaté para ver o que está dando errado. Tem que inaugurar o AME. É marca do mandato trabalhar pela saúde. Vou discutir a ampliação de leitos Covid.

A pandemia evidencia a má gestão na saúde?

Sim, inclusive a questão dos leitos de UTI. Temos uma defasagem em torno de 40 a 50 leitos de UTI Covid. Precisamos disso urgentemente. A ação junto ao Estado é para tentar esses leitos. É uma demanda que os secretários trouxeram, além de medicamentos que estão faltando. E temos outras doenças que já eram gargalo e só ampliou com a pandemia. Sem falar na questão social.

E a polarização política?

É preocupante. Politiza-se o que não se pode politizar, que é a pandemia, e aí vidas vão se perdendo. É questão de saúde pública, não de política.

O que faltou foi uma coordenação única, e deveria ter sido feita para trabalhar isso, porque as pessoas precisam se proteger, mas também precisam trabalhar. Se a gente não tem um plano e uma estratégia única, cada um faz do jeito que quer, que entende melhor. Ficou meio terra de ninguém e foi um grande problema no enfrentamento da pandemia..

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